Sim, puristas, eu sei que esta quinta-feira não foi o último feriado do ano, mas para todos que estudam e/ou trabalham em dias úteis foi. Até 2009 passaremos sem pequenos intervalos de existência nas semanas, segunda a sexta fazendo o que fazemos sempre.
Isso não é exatamente ruim, e ainda menos para mim, que semestre que vem terei apenas a monografia para cuidar. Talvez eu faça uma ou outra cadeira como Curso Dois, ou seja, estudos de outro currículo, a fim de complementar o meu.
Neste semestre eu pensei em fazer cadeiras na Letras, mas minha experiência atual com História das Literaturas está sendo suficientemente decepcionante para me afastar da idéia. Por outro lado, meu atual namoro com o design gráfico e as artes visuais estão me deixando com vontade de saborear o Instituto de Artes e a Faculdade de Arquitetura.
Essas questões são engraçadas. Eu sempre tive, em muitos aspectos, inveja das pessoas capazes de determinar seu futuro e seguir um único caminho a vida inteira. Por outro lado, viver o mundo e experimentar de tudo também me agrada.
Cá entre nós, consoante com o post de ontem, a idéia de conhecer mais do mundo me agrada tanto que o pensamento no bolso algumas vezes fica em segundo plano. O problema é que eu não quero para sempre deixar o dinheiro para depois, já que o depois algumas vezes vira o agora.
Seria mais fácil ganhar algum prêmio milionário e nunca mais me preocupar com dinheiro, viver minha vida da maneira mais gostosa que eu conseguisse pensar. Ah, doce sonho da Megassena...
quinta-feira, maio 22, 2008
quarta-feira, maio 21, 2008
Designer de textos?
Eu ainda tenho dúvidas sobre o que me trouxe ao jornalismo. É muito fácil acreditar que eu queria ser como o Tintin, do Hergé, e viver aventuras pelo mundo desvendando mistérios e enfrentando perigos. De certa forma, isso seria compatível com a vontade de ser arqueólogo e viver templos antigos e lugares abandonados e cheios de armadilhas.
Quando pequeno eu queria muito saber desenhar. Por mais que eu tentasse, entretanto, nunca conseguia sair dos desenhos de super-palito, que são um bocado limitados quando se deseja construir uma história mais complexa do que aventuras de super-heróis super-poderosos. Eu atribuo à minha incapacidade de desenhar o fato de ter começado a escrever. Se não poderia manifestar visualmente minhas histórias, pelo menos elas seriam convertidas através das palavras em algo que pudesse fazer os outros verem o que eu vejo.
Desde pequeno, portanto, eu me acredito um escritor. E, talvez por excesso de estímulos, um bom escritor. Tenho certa competência natural para usar as palavras, o que é uma ironia em pensar que escrever pode ser, no fim (ou início?) das contas uma alternativa.
Tanto escrever literatura quanto fazer jornalismo possuem uma exigência em comum: a necessidade da experiência. O jornalista não pode reportar senão em virtude de algo que aconteceu com ele ou com alguém. Os dados que ele junta e coordena para produzir (ou montar, dependendo do autor a quem nos filiamos) as notícias vêm de um passado, de uma experiência prévia que está sendo traduzida em jornal. O mesmo com escritor: para dar partida ao seu mundo de imaginação, ele precisa trabalhar aquilo que está dentro dele, sua vida se converte em arte.
Do jornalismo já desisti, talvez por ter notado que o crescimento do texto não está obrigatoriamente associado com a vida de repórter. Não posso desistir, porém, da experiência, de viver o mundo, ouvir e observar histórias que farão parte de mim e, depois, transformar-se-ão em literatura.
O curioso nessa vida é que, tendo desejado ser desenhista, eu hoje trabalho com editoração eletrônica, design gráfico ou qualquer outro sinônimo. Terei eu chegado num ponto de confluência entre o texto e a imagem, por conta de aptidão e desejo?
Quando pequeno eu queria muito saber desenhar. Por mais que eu tentasse, entretanto, nunca conseguia sair dos desenhos de super-palito, que são um bocado limitados quando se deseja construir uma história mais complexa do que aventuras de super-heróis super-poderosos. Eu atribuo à minha incapacidade de desenhar o fato de ter começado a escrever. Se não poderia manifestar visualmente minhas histórias, pelo menos elas seriam convertidas através das palavras em algo que pudesse fazer os outros verem o que eu vejo.
Desde pequeno, portanto, eu me acredito um escritor. E, talvez por excesso de estímulos, um bom escritor. Tenho certa competência natural para usar as palavras, o que é uma ironia em pensar que escrever pode ser, no fim (ou início?) das contas uma alternativa.
Tanto escrever literatura quanto fazer jornalismo possuem uma exigência em comum: a necessidade da experiência. O jornalista não pode reportar senão em virtude de algo que aconteceu com ele ou com alguém. Os dados que ele junta e coordena para produzir (ou montar, dependendo do autor a quem nos filiamos) as notícias vêm de um passado, de uma experiência prévia que está sendo traduzida em jornal. O mesmo com escritor: para dar partida ao seu mundo de imaginação, ele precisa trabalhar aquilo que está dentro dele, sua vida se converte em arte.
Do jornalismo já desisti, talvez por ter notado que o crescimento do texto não está obrigatoriamente associado com a vida de repórter. Não posso desistir, porém, da experiência, de viver o mundo, ouvir e observar histórias que farão parte de mim e, depois, transformar-se-ão em literatura.
O curioso nessa vida é que, tendo desejado ser desenhista, eu hoje trabalho com editoração eletrônica, design gráfico ou qualquer outro sinônimo. Terei eu chegado num ponto de confluência entre o texto e a imagem, por conta de aptidão e desejo?
terça-feira, maio 20, 2008
Terçando
Não termino o dia com o melhor dos humores. Estou meio chateado com o modo como as coisas procederam hoje de noite, apesar de ter gostado de vários pontos do dia. Por que justamente aquilo que a gente mais quer que seja boa é o que mais nos tira do sério? Por que eu não consigo simplesmente abstrair as irritações e viver blasé?
Nhai ai, tantos projetos, tantas possibilidades.
Odeio escolhas heheh
Nhai ai, tantos projetos, tantas possibilidades.
Odeio escolhas heheh
segunda-feira, maio 19, 2008
Gabarito 2
Por que as pessoas são como são? Hoje num ônibus vinha um cara falando de tudo que ele estava fazendo para que determinada moça notasse que as palavras dela numa conversa anterior não tinham feito nenhuma diferença para ele. O mais estranho no discurso é que ele parecia acreditar no que dizia.
Portanto, ou ele é um baita mentiroso, ou um grande ingênuo.
Ao som de We Oh We, dos Hidden Cameras, corrigi minha prova do concurso da UFRGS com o gabarito preliminar lançado na internet pela FAURGS. Trinta e seis respostas certas de cinqüenta. Pelo menos duas são um bocado controversas, mas para fazer diferença positiva para mim deveriam ser quatorze. Portanto, danou-se história de virar servidor público. Quem sabe agora que a aventura acabou eu consiga me concentrar em algo de fato produtivo.
Sim, eu estou frustrado. Não vou ficar tentando me convencer do contrário, até porque sou bem capaz de conseguir. Não gostei de fazer mal e mal 70% da prova, não gostei de ter exaurido um mês da minha vida numa empreitada que não me deu nenhum retorno imediato. Estou quase furioso com os erros trouxas que cometi na prova.
Domingo, quando cheguei em casa, tive um tanto de vontade de chorar. Hoje no serviço uma colega que também fez a prova disse que já havia chorado, esperneado, gritado, se corroído, e que então estava pronta para continuar por aí. Eu, do meu jeito, internalizei e agora estou colocando para fora e dizendo o que eu realmente queria. Entenda-se: um serviço que me garantisse um trabalho legal, um salário decente e um tempo livre suficiente para viver minha vida e meus desejos.
Hoje eu passei o dia em extremo bom humor. Estou gostando muito da minha vida, apesar desses recorrentes fracassos. Meu lado canceriano, contudo, não quer mais deixar meus dias em alegre, e que ele seja bem vindo! Estou cansado de só ver o mundo feliz.
A aula do Curso Formação Histórica da Cultura Ocidental – Momentos Decisivos, por Voltaire Schilling hoje teve seu segundo encontro e foi tão legal quanto o primeiro. Havia mais gente no auditório e o palestrante parecia ainda mais concentrado do que na segunda-feira passada. Bem legal aprender sobre as tragédias gregas, seus significados e algumas das suas aplicações e levantamentos que temos até hoje como companhia inconsciente.
Schilling também falou sobre o significado da palavra História: pesquisa e investigação. O rompimento grego com os mitos e a adoção de relatos factuais como parâmetro do estudo da cultura. Esse estudo foi extremamente facilitado, senão possibilitado, pela aprendizado do alfabeto fenício, que tirou dos sacerdotes o domínio sobre a escrita e leitura, auxiliando o processo de mudança da tirania para a democracia grega.
Eis que surgiu uma pergunta na minha cabeça: os sacerdotes perderam o domínio da palavra com a adoção do alfabeto fenício. O que acontece, porém, com a passagem da Idade das Trevas, quando a Igreja perde o controle sobre o conhecimento científico e filosófico, a leitura e a produção editorial sendo expandida pelo mundo? Uma repetição, é isso? Ainda: quando que a Igreja puxa para si a palavra, retirando-a do trato comum, ou ela não tinha chegado a esse nível de difusão? Confuso.
Portanto, ou ele é um baita mentiroso, ou um grande ingênuo.
Ao som de We Oh We, dos Hidden Cameras, corrigi minha prova do concurso da UFRGS com o gabarito preliminar lançado na internet pela FAURGS. Trinta e seis respostas certas de cinqüenta. Pelo menos duas são um bocado controversas, mas para fazer diferença positiva para mim deveriam ser quatorze. Portanto, danou-se história de virar servidor público. Quem sabe agora que a aventura acabou eu consiga me concentrar em algo de fato produtivo.
Sim, eu estou frustrado. Não vou ficar tentando me convencer do contrário, até porque sou bem capaz de conseguir. Não gostei de fazer mal e mal 70% da prova, não gostei de ter exaurido um mês da minha vida numa empreitada que não me deu nenhum retorno imediato. Estou quase furioso com os erros trouxas que cometi na prova.
Domingo, quando cheguei em casa, tive um tanto de vontade de chorar. Hoje no serviço uma colega que também fez a prova disse que já havia chorado, esperneado, gritado, se corroído, e que então estava pronta para continuar por aí. Eu, do meu jeito, internalizei e agora estou colocando para fora e dizendo o que eu realmente queria. Entenda-se: um serviço que me garantisse um trabalho legal, um salário decente e um tempo livre suficiente para viver minha vida e meus desejos.
Hoje eu passei o dia em extremo bom humor. Estou gostando muito da minha vida, apesar desses recorrentes fracassos. Meu lado canceriano, contudo, não quer mais deixar meus dias em alegre, e que ele seja bem vindo! Estou cansado de só ver o mundo feliz.
A aula do Curso Formação Histórica da Cultura Ocidental – Momentos Decisivos, por Voltaire Schilling hoje teve seu segundo encontro e foi tão legal quanto o primeiro. Havia mais gente no auditório e o palestrante parecia ainda mais concentrado do que na segunda-feira passada. Bem legal aprender sobre as tragédias gregas, seus significados e algumas das suas aplicações e levantamentos que temos até hoje como companhia inconsciente.
Schilling também falou sobre o significado da palavra História: pesquisa e investigação. O rompimento grego com os mitos e a adoção de relatos factuais como parâmetro do estudo da cultura. Esse estudo foi extremamente facilitado, senão possibilitado, pela aprendizado do alfabeto fenício, que tirou dos sacerdotes o domínio sobre a escrita e leitura, auxiliando o processo de mudança da tirania para a democracia grega.
Eis que surgiu uma pergunta na minha cabeça: os sacerdotes perderam o domínio da palavra com a adoção do alfabeto fenício. O que acontece, porém, com a passagem da Idade das Trevas, quando a Igreja perde o controle sobre o conhecimento científico e filosófico, a leitura e a produção editorial sendo expandida pelo mundo? Uma repetição, é isso? Ainda: quando que a Igreja puxa para si a palavra, retirando-a do trato comum, ou ela não tinha chegado a esse nível de difusão? Confuso.
domingo, maio 18, 2008
Gabarito
Ah, acabou hoje às 11h30. Depois do dinheiro gasto em inscrição e material para o concurso do INSS, no início do ano, e agora com o curso no CETEC e a a prova na manhã deste domingo, finalmente se encerra minha fase concurseira deste semestre. É um compromisso comigo: não prestarei concurso novamente até que eu tenha concluído meus estudos na graduação e, dependendo de como e onde eu for parar, no futuro também. Foi certamente um erro eu misturar minhas prioridades de estudo com as chances de um futuro razoavelmente garantido e potencialmente acomodado.
Em tempo, acho que fiz 42 das 50 questões, passando por alto o olho na prova aqui em casa. Isso certamente não é bom o bastante para uma aprovação frente a 17 mil candidatos, mas ainda assim me deixa de alguma forma orgulhoso.
Estou voltando para uma série de coisas agora que acabou minha correria insana de estudos noturnos. Uma delas é a raposa antropomórfica ^^, tão abandonada neste período. Sempre fica uma saudade de escrever minhas considerações para o mundo, e hoje recebi um estímulo na forma de comentário, então fiquei ainda com mais vontade e sabor de escrever!
De volta, pois então.
Amanhã falo, se tiver tempo, sobre o Curso Formação Histórica da Cultura Ocidental. Agora, voltarei aos meus trabalhos de freelancer.
Ah, freelancer.
Essa palavra tem um charme todo especial pra mim. Adoraria ter quilos de trabalho todos os dias para poder me dedicar inteiramente à arte freelancer heheheh. Quem sabe um dia?
Em tempo, acho que fiz 42 das 50 questões, passando por alto o olho na prova aqui em casa. Isso certamente não é bom o bastante para uma aprovação frente a 17 mil candidatos, mas ainda assim me deixa de alguma forma orgulhoso.
Estou voltando para uma série de coisas agora que acabou minha correria insana de estudos noturnos. Uma delas é a raposa antropomórfica ^^, tão abandonada neste período. Sempre fica uma saudade de escrever minhas considerações para o mundo, e hoje recebi um estímulo na forma de comentário, então fiquei ainda com mais vontade e sabor de escrever!
De volta, pois então.
Amanhã falo, se tiver tempo, sobre o Curso Formação Histórica da Cultura Ocidental. Agora, voltarei aos meus trabalhos de freelancer.
Ah, freelancer.
Essa palavra tem um charme todo especial pra mim. Adoraria ter quilos de trabalho todos os dias para poder me dedicar inteiramente à arte freelancer heheheh. Quem sabe um dia?
domingo, abril 27, 2008
Ocupações do corpo
Eu ando meio ocupado ultimamente, como a freqüência de postagens tende a demonstrar. Não consigo parar em casa, e quando estou parado em casa quero estar legitimamente parado, mas muitas vezes fico estudando.
Isso tem nome: últimos dois semestres da faculdade e curso para concurso. É, me rendi aos ataques capitalistas e estou estudando num cursinho para tentar passar num concurso da UFRGS. A perspectiva não é das mais animadoras: oito horas, mil duzentos e cinqüenta de salário, uma ou outra vantagem não divulgada. Abriu agora edital pro concurso da Caixa, mais ou menos mesmo salário, mas muito mais vantagens e seis horas. É de dar com a cara no muro.
Muitos projetos passando na cabeça, a maioria sendo engavetado. Antes de começar esse curso, eu escrevi um conto. Fiquei tão feliz quando consegui tirar da minha cabeça uma idéia de tempos e transformá-la numa história legível.
Ah, a felicidade. Oh, a ocupação.
Tenho que escrever uma matéria hoje, não tenho as fontes nem as imagens necessárias. Ai ai, o que será de mim nesse mundo cruel do jornalismo que não quero? ^^
Isso tem nome: últimos dois semestres da faculdade e curso para concurso. É, me rendi aos ataques capitalistas e estou estudando num cursinho para tentar passar num concurso da UFRGS. A perspectiva não é das mais animadoras: oito horas, mil duzentos e cinqüenta de salário, uma ou outra vantagem não divulgada. Abriu agora edital pro concurso da Caixa, mais ou menos mesmo salário, mas muito mais vantagens e seis horas. É de dar com a cara no muro.
Muitos projetos passando na cabeça, a maioria sendo engavetado. Antes de começar esse curso, eu escrevi um conto. Fiquei tão feliz quando consegui tirar da minha cabeça uma idéia de tempos e transformá-la numa história legível.
Ah, a felicidade. Oh, a ocupação.
Tenho que escrever uma matéria hoje, não tenho as fontes nem as imagens necessárias. Ai ai, o que será de mim nesse mundo cruel do jornalismo que não quero? ^^
quarta-feira, abril 09, 2008
la vie d'un étudiant
"Coisa boa poder escolher não ir na aula". A frase foi da minha orientadora, hoje pela manhã, quando falei que havia acabado de desistir da aula que deveria estar assistindo agora.
Compreenda-me o mundo que não se trata de uma relevante produção intelectual aquela disciplina: seria o equivalente a passar três horas olhando televisão, mas sem a possibilidade de colocar num canal que passasse algo interessante.
Um dia eu serei professor, muito em breve serei um empregado sem as liberdades de movimento que hoje tenho. Existe uma certa melancolia na frase dela, uma ligação com um passado onde o poder de ir e vir ainda estava nas mãos dela, as escolhas ainda não pesavam de maneira tão definitiva.
Ontem escrevi um pouco sobre escolhas. Continuo em dúvida se as escolhas que ando fazendo são as mais apropriadas para me deixar feliz em algum tempo futuro. Prefiro seguir acreditando que sim, mas não dá pra ter certeza. O certo é que, ao olhar pra trás, quero sorrir pensando nos caminhos que segui.
Compreenda-me o mundo que não se trata de uma relevante produção intelectual aquela disciplina: seria o equivalente a passar três horas olhando televisão, mas sem a possibilidade de colocar num canal que passasse algo interessante.
Um dia eu serei professor, muito em breve serei um empregado sem as liberdades de movimento que hoje tenho. Existe uma certa melancolia na frase dela, uma ligação com um passado onde o poder de ir e vir ainda estava nas mãos dela, as escolhas ainda não pesavam de maneira tão definitiva.
Ontem escrevi um pouco sobre escolhas. Continuo em dúvida se as escolhas que ando fazendo são as mais apropriadas para me deixar feliz em algum tempo futuro. Prefiro seguir acreditando que sim, mas não dá pra ter certeza. O certo é que, ao olhar pra trás, quero sorrir pensando nos caminhos que segui.
terça-feira, abril 08, 2008
Ais
Neste exato momento não quero nada. Aliás, reformulo: eu quero o nada. Silêncio puro, nada para pensar, nada para sentir. Um espaço vazio de existência por um dia, por uma semana. Eu não quero férias, não, não, só se fossem na França. O que eu quero é a certeza de que minhas escolhas valerão a pena daqui uns anos, que eu poderei colher todos os frutos que desejo comer.
É difícil dar esses passos de formiga esperando atravessar estradas de gigantes.
Eu não estou apenas com medo, eu estou um pouco cansado, também. O calderão de idéias está fervilhando, e se eu não colocá-lo para criar logo ele apagará uma vez mais, sabe-se lá por quanto tempo.
Nhai, por quê é assim?
É difícil dar esses passos de formiga esperando atravessar estradas de gigantes.
Eu não estou apenas com medo, eu estou um pouco cansado, também. O calderão de idéias está fervilhando, e se eu não colocá-lo para criar logo ele apagará uma vez mais, sabe-se lá por quanto tempo.
Nhai, por quê é assim?
domingo, abril 06, 2008
Gênio morto
Esse final de semana eu li algumas coisas sobre o menino que se matou em 2006 com o auxílio de um forum sobre suicídios. Essa não é, contudo, a principal informação sobre o caso: o garoto está sendo aclamado como algo próximo de um gênio da música, que em poucos anos de prática e criação evoluiu demais.
O que aconteceu para uma pessoa de quase dezessete anos roubar a própria vida? Seria tão fácil aceitar a morte dele se ele não tivesse deixado um legado marcante. É mais fácil aceitar a morte de alguém que não promete nada, de alguém que nunca renderia frutos. O que acontece quando alguém que está acima da média resolve sair fora do jogo?
Não é justo.
Ser um gênio é algo maior do que a maioria das pessoas pode sequer sonhar em entender. Significa estar acima da média, acima dos que estão acima da média; é um dom. Aí entra a pergunta: se alguém é um gênio desconhecido, logo não é um gênio? Ou é apenas mais uma alma incompreendida que vaga pelo mundo?
Pelo que eu li, o principal problema do menino era a falta de confiança em si mesmo, um ego tão abalado que precisava de constante alimentação de todos os lados. Não no sentido do egocentrismo, mas algo como uma bateria de celular que descarrega em questão de horas.
Recentemente minha confiança no meu texto voltou. Veio repentina, alimentada por um ego recém reencontrado. A sensação de ter certeza do que se está fazendo, de ter uma direção na vida, é muito boa. Não digo que esta é a resposta para todos os meus problemas, mas talvez seja o começo das soluções.
Sempre tive muito medo de mostrar minhas criações. Isso me manteve afastado de qualquer tipo de avaliação, uma forma segura de não ser abalado por críticas desfavoráveis. Uma atitude que pode ser enxergada como covarde, se não eufemizada como excesso de cuidado.
O pai do garoto suicida reuniu 23 músicas do filho – muitas dessas conhecidas e reconhecidas ao longo do mundo pelos diversos amigos virtuais do rapaz – e um CD está para chegar. Todos que têm contato com ele admitem a fagulha da genialidade ali presente. A mídia especializada está em cima desse trabalho como louca.
É um sucesso.
Pode ser uma comparação infeliz, mas eu sempre tive retorno positivo nas poucas vezes que arriscava levar meu trabalho ao ar. Eu já me considerei um gênio da literatura, mas isso foi antes de ser apresentado ao mundo das pessoas grandes, um mundo maior que um colégio isolado no canto da cidade.
A vida é uma série de camadas, através das quais nós podemos ir passando, cada uma nos levando a diferentes níveis de retorno e reconhecimento. A família, os amigos, os amigos dos amigos, os professores, os colegas, as cidades, os países. Até onde podemos ir é uma combinação de nossos esforços e nossos talentos.
Hoje eu sei que há um mundo bem grande pra ser vivido. Talvez eu não seja um gênio da escrita, mas um bom talento eu tenho. Desse talento eu posso fazer muito brotar, inclusive talvez o reconhecimento de genialidade. E alguma coisa é impossível nesse mundo?
Fiquei pensando hoje, depois de ler as matérias que li, o que aconteceria se o CD que agora está sendo esse sucesso absurdo tivesse sido lançado há dois anos atrás, antes da morte do menino. Seria a fama capaz de salvar a vida de um pequeno gênio?
Ou seria a morte o ato final da genialidade recém descoberta?
O que aconteceu para uma pessoa de quase dezessete anos roubar a própria vida? Seria tão fácil aceitar a morte dele se ele não tivesse deixado um legado marcante. É mais fácil aceitar a morte de alguém que não promete nada, de alguém que nunca renderia frutos. O que acontece quando alguém que está acima da média resolve sair fora do jogo?
Não é justo.
Ser um gênio é algo maior do que a maioria das pessoas pode sequer sonhar em entender. Significa estar acima da média, acima dos que estão acima da média; é um dom. Aí entra a pergunta: se alguém é um gênio desconhecido, logo não é um gênio? Ou é apenas mais uma alma incompreendida que vaga pelo mundo?
Pelo que eu li, o principal problema do menino era a falta de confiança em si mesmo, um ego tão abalado que precisava de constante alimentação de todos os lados. Não no sentido do egocentrismo, mas algo como uma bateria de celular que descarrega em questão de horas.
Recentemente minha confiança no meu texto voltou. Veio repentina, alimentada por um ego recém reencontrado. A sensação de ter certeza do que se está fazendo, de ter uma direção na vida, é muito boa. Não digo que esta é a resposta para todos os meus problemas, mas talvez seja o começo das soluções.
Sempre tive muito medo de mostrar minhas criações. Isso me manteve afastado de qualquer tipo de avaliação, uma forma segura de não ser abalado por críticas desfavoráveis. Uma atitude que pode ser enxergada como covarde, se não eufemizada como excesso de cuidado.
O pai do garoto suicida reuniu 23 músicas do filho – muitas dessas conhecidas e reconhecidas ao longo do mundo pelos diversos amigos virtuais do rapaz – e um CD está para chegar. Todos que têm contato com ele admitem a fagulha da genialidade ali presente. A mídia especializada está em cima desse trabalho como louca.
É um sucesso.
Pode ser uma comparação infeliz, mas eu sempre tive retorno positivo nas poucas vezes que arriscava levar meu trabalho ao ar. Eu já me considerei um gênio da literatura, mas isso foi antes de ser apresentado ao mundo das pessoas grandes, um mundo maior que um colégio isolado no canto da cidade.
A vida é uma série de camadas, através das quais nós podemos ir passando, cada uma nos levando a diferentes níveis de retorno e reconhecimento. A família, os amigos, os amigos dos amigos, os professores, os colegas, as cidades, os países. Até onde podemos ir é uma combinação de nossos esforços e nossos talentos.
Hoje eu sei que há um mundo bem grande pra ser vivido. Talvez eu não seja um gênio da escrita, mas um bom talento eu tenho. Desse talento eu posso fazer muito brotar, inclusive talvez o reconhecimento de genialidade. E alguma coisa é impossível nesse mundo?
Fiquei pensando hoje, depois de ler as matérias que li, o que aconteceria se o CD que agora está sendo esse sucesso absurdo tivesse sido lançado há dois anos atrás, antes da morte do menino. Seria a fama capaz de salvar a vida de um pequeno gênio?
Ou seria a morte o ato final da genialidade recém descoberta?
sexta-feira, março 28, 2008
Jornalismo
Essa é do Alberto Dines: "jornalismo não é apenas serviço – se assim fosse as listas telefônicas seriam imbatíveis".
Eu pretendia falar sobre a prática jornalística e a vida profissional e as batatinhas, mas ah, esse dia de chuva está tão melancolicamente bonito que não me prestarei a perder tempo falando sobre trabalho.
Minhas idéias estão começando a ficar maiores do que eu. Creio que é uma questão de confiança a literariedade das minhas criações. Desde 2002, mais ou menos, que eu não crio nada escrito, exceto dois trabalhos (talvez três, se eu tiver esquecido algum). Um deles certamente foi meu melhor até hoje, outro é um que prefiro deixar guardado pela eternidade. A passagem pelo colégio no segundo grau me afetou bastante, por conta da minha postura distanciada da vida. Dizer que eu fui autista durante o ensino médio é um eufemismo, quase, para o modo como deixei as coisas passarem e me afetarem.
A chegada na faculdade foi ainda mais conturbada. Eu era o paradigma da ingenuidade infantil, a representação pura de uma pessoa ainda despreparada para viver no mundo real. Sem ter efetivamente crescido, eu estava no meio de pessoas em diferentes estágios de evolução. O que no colégio eu consegui, lidar com pessoas com atributos melhores que os meus nos pontos onde antes eu era "o cara", na faculdade provou-se muito mais complicado. Por quê? Simples: não era mais questão de não me destacar no colégio como aluno, mas de confrontar pessoas que também escreviam. Para piorar: escreviam com qualidade.
A confiança é uma cigarra que só canta quando está com calor. Meu texto é mais como um urso, que hibernou durante o inverno em que minha confiança desapareceu. Por mais paradoxal que seja dizer isso agora que chegou o outono no mundo real, no meu simbolismo o inverno finalmente está dando lugar para a primavera. É tempo de voltar.
Não é a primeira vez que eu digo isso.
É, porém, a primeira vez que eu digo isso com tanta certeza e confiança.
Enquanto isso, vou tentando segurar as idéias que insistem em povoar a minha mente. Graças aos deuses que elas estão tão insistentes!
Eu pretendia falar sobre a prática jornalística e a vida profissional e as batatinhas, mas ah, esse dia de chuva está tão melancolicamente bonito que não me prestarei a perder tempo falando sobre trabalho.
Minhas idéias estão começando a ficar maiores do que eu. Creio que é uma questão de confiança a literariedade das minhas criações. Desde 2002, mais ou menos, que eu não crio nada escrito, exceto dois trabalhos (talvez três, se eu tiver esquecido algum). Um deles certamente foi meu melhor até hoje, outro é um que prefiro deixar guardado pela eternidade. A passagem pelo colégio no segundo grau me afetou bastante, por conta da minha postura distanciada da vida. Dizer que eu fui autista durante o ensino médio é um eufemismo, quase, para o modo como deixei as coisas passarem e me afetarem.
A chegada na faculdade foi ainda mais conturbada. Eu era o paradigma da ingenuidade infantil, a representação pura de uma pessoa ainda despreparada para viver no mundo real. Sem ter efetivamente crescido, eu estava no meio de pessoas em diferentes estágios de evolução. O que no colégio eu consegui, lidar com pessoas com atributos melhores que os meus nos pontos onde antes eu era "o cara", na faculdade provou-se muito mais complicado. Por quê? Simples: não era mais questão de não me destacar no colégio como aluno, mas de confrontar pessoas que também escreviam. Para piorar: escreviam com qualidade.
A confiança é uma cigarra que só canta quando está com calor. Meu texto é mais como um urso, que hibernou durante o inverno em que minha confiança desapareceu. Por mais paradoxal que seja dizer isso agora que chegou o outono no mundo real, no meu simbolismo o inverno finalmente está dando lugar para a primavera. É tempo de voltar.
Não é a primeira vez que eu digo isso.
É, porém, a primeira vez que eu digo isso com tanta certeza e confiança.
Enquanto isso, vou tentando segurar as idéias que insistem em povoar a minha mente. Graças aos deuses que elas estão tão insistentes!
Assinar:
Postagens (Atom)