Existe algo complicado em se procurar pela verdade, provavelmente por eu não acreditar que seja possível compartilhar (de verdade) verdades. Heh, irônico, até para não acreditar em verdades eu preciso delas. No plural funciona melhor, já que haver muitas não implica que elas possam ser coletivas por inteiro. Creio que esse é o ponto: não há 100%, coexistência, compartilhamento. A própria ideia de comunicação, enquanto transmissão de saberes e conteúdos, é errônea.
Penso que é por isso que tenho medo de cientistas. Quando me digo acadêmico, perguntam-me o que estou pesquisando, na expectativa de que eu tenha respostas a dar. Ou que eu venha a ter, um dia. Nessa coisa de não querer ter respostas, eu sinto dificuldade em encarnar o estereótipo do professor, aquele sujeito que sabe, que tem certeza, que conhece os caminhos.
Tenho me definido como um filósofo, um sujeito que pensa a vida. Estou numa posição muito delicada para refletir: se a vida não para, como posso ter certeza de que consigo compreendê-la? Mesmo o passado não é passado por muito tempo, vira mais passado rapidamente, e se soma com o novo passado, que logo passa. É, hoje não tenho nada muito concreto para oferecer hehe.
segunda-feira, setembro 12, 2011
quinta-feira, setembro 08, 2011
Primeiro dia
Hoje foi meu primeiro dia no trabalho novo. Sou agora um revisor de material didático produzido por uma empresa que, aparentemente, deseja se inserir no mercado. O ambiente e as tarefas parecem agradáveis, assim como as pessoas com as quais vou atuar. Mais uma vez estou envolvido profissionalmente com produção editorial, algo que parece que não me abandonará mais na vida. Acho que é bom, e talvez eu procure caminhos para que os estudos de doutorado sejam na área. Faria sentido juntar minhas experiências de editor e de investigador.
Confesso que me senti bem ao ter minha trajetória reconhecida e legitimada pelos meus chefes. Eles dizem ter planos para mim. Isso evidentemente inclui me explorar ao máximo dentro do horário e do salário arranjados, mas fico feliz igual. Aprenderei mais e terei mais histórias a contar e a estudar e a ensinar quando chegar o momento. Estou construindo algo, sinto isso, e sorrio feliz.
Confesso que me senti bem ao ter minha trajetória reconhecida e legitimada pelos meus chefes. Eles dizem ter planos para mim. Isso evidentemente inclui me explorar ao máximo dentro do horário e do salário arranjados, mas fico feliz igual. Aprenderei mais e terei mais histórias a contar e a estudar e a ensinar quando chegar o momento. Estou construindo algo, sinto isso, e sorrio feliz.
quarta-feira, setembro 07, 2011
Balança
É difícil pesar o que fazemos em contraponto ao que esperam que façamos. Já nascemos inseridos numa série de malhas de expectativas. Como ser menino. Como ser filho. Como ser irmão. Como ser sobrinho. Como ser neto. Como ser estudante. Como ser amigo. A série de "como ser" apenas cresce conforme nós avançamos através das experiências de vida. Como ser profissional. Como ser chefe. Como ser independente. Como ser namorado. Como ser amigo do inimigo do seu amigo. Esses sistemas são complexos, se sobrepõem, interferem uns nos outros. Não fosse o bastante, eles não são universais. Ser amigo aqui e lá têm conotações diferentes, expectativas, deveres e prazeres que se diferenciam. Não falo apenas de diferenças culturais maiores, como brasileiros e japoneses, mas também de pequenas distinções. Essas matrizes de expectativas, crenças e valores são tão variadas e tão perniciosas que se espalham e não se permitem enxergar facilmente, mas permeiam todas as relações humanas.
Podemos viver unicamente dessas expectativas? Provavelmente. Elas geram vento suficiente para empurrar nosso barco por uma vida inteira. É o jeito certo de se viver? Depende do que se acredita, de quais expectativas estão em conflito com que desejos. Eu não sei o que é o certo, quais decisões devo manter e em que momentos devo abrir mão. O que acredito, no momento, é na possibilidade de viver mais, viver melhor. A minha medida para isso tem sido o que me faz feliz, o que me deixa sorridente, o que me empolga. Há quem diga que não viemos ao mundo para aproveitar. Tudo bem, exista sem aproveitar, aguardando por uma outra vida em que isso lhe seja permitido. Talvez eu esteja sendo apressado em querer que as coisas sejam boas já agora, ao invés de aguardar pela hora prometida. Prometo não tentar impor minhas crenças sobre ti, triste-vivente. Peço, em retorno, que faça o mesmo comigo: deixe-me livre para caminhar como intento.
Isso significa que não podemos conviver? Não, de modo algum, não significa isso. Diferenças existem entre as pessoas e não significam que devam ser resolvidas em busca de uma resposta certa. Acredito que um dos maiores problemas da humanidade é a vaidade de se crer correto e, por isso, querer que os demais ajam da mesma forma que nós. Como, então, coexistir?
Podemos viver unicamente dessas expectativas? Provavelmente. Elas geram vento suficiente para empurrar nosso barco por uma vida inteira. É o jeito certo de se viver? Depende do que se acredita, de quais expectativas estão em conflito com que desejos. Eu não sei o que é o certo, quais decisões devo manter e em que momentos devo abrir mão. O que acredito, no momento, é na possibilidade de viver mais, viver melhor. A minha medida para isso tem sido o que me faz feliz, o que me deixa sorridente, o que me empolga. Há quem diga que não viemos ao mundo para aproveitar. Tudo bem, exista sem aproveitar, aguardando por uma outra vida em que isso lhe seja permitido. Talvez eu esteja sendo apressado em querer que as coisas sejam boas já agora, ao invés de aguardar pela hora prometida. Prometo não tentar impor minhas crenças sobre ti, triste-vivente. Peço, em retorno, que faça o mesmo comigo: deixe-me livre para caminhar como intento.
Isso significa que não podemos conviver? Não, de modo algum, não significa isso. Diferenças existem entre as pessoas e não significam que devam ser resolvidas em busca de uma resposta certa. Acredito que um dos maiores problemas da humanidade é a vaidade de se crer correto e, por isso, querer que os demais ajam da mesma forma que nós. Como, então, coexistir?
terça-feira, setembro 06, 2011
Ciências
Nessas manias de pensar o por quê das coisas eu acabo passando por cima de crenças e descrenças de pessoas que ora não se permitem duvidar, ora não conseguem. Aquela pergunta maior, que sentido tu dá para a tua vida?, persiste em me assombrar, já que eu não sei exatamente. Não tenho uma resposta a prova de furos. Eu quero fazer com que pessoas ao meu redor vivam suas vidas ao máximo. Eu quero eu mesmo viver ao máximo. O que é viver ao máximo? É aproveitar todas as chances indiscriminadamente? Duvido. É beber, transar, cheirar, comer o que aparecer? Também duvido. É seguir um rigoroso controle de tudo que se faz? Bem, essa é a única coisa que tenho certeza que não é, ao menos não de todo.
Então hoje, lendo sobre metodologias queer, dou-me de frente novamente com a perspectiva teórico-científica de não se determinar, não se enquadrar, não se definir. Eu sei que é isso que eu quero, e sei que esse é um caminho para chegar até onde desejo, para viver ao máximo.
E os que me circundam, o que fazer com eles? Eu posso tentar abraçar o mundo. Posso me esforçar para que outras pessoas vivam como eu sinto que estou vivendo, aproveitem, se libertem das tranqueiras morais e sociais que tanto machucam. Antes fosse simples.
Então hoje, lendo sobre metodologias queer, dou-me de frente novamente com a perspectiva teórico-científica de não se determinar, não se enquadrar, não se definir. Eu sei que é isso que eu quero, e sei que esse é um caminho para chegar até onde desejo, para viver ao máximo.
E os que me circundam, o que fazer com eles? Eu posso tentar abraçar o mundo. Posso me esforçar para que outras pessoas vivam como eu sinto que estou vivendo, aproveitem, se libertem das tranqueiras morais e sociais que tanto machucam. Antes fosse simples.
domingo, julho 31, 2011
Aprendendo
Existe algo de peculiar na maneira como eu aprendo, o que portanto se reflete no modo como eu ensino.
Sexta-feira fui ao chorinho, um evento semanal que acontece a céu aberto em uma avenida de Goiânia, e lá cruzei com um aluno meu da educação a distância em artes visuais. Ficamos um largo tempo conversando, e em certo instante ele disse algo como "é, eu reparei que você não entende de cultura popular quando eu perguntei sobre isso e você falou que iria perguntar para sua orientadora". Logo em seguida, quando ele me perguntou sobre o que eu estava pesquisando no mestrado e eu comentei que tinha ligação com a ideia de conhecimento, ele me perguntou quem eu estava utilizando para estudar.
Há algo nessas duas situações que me incomoda: o que o menino em questão avalia que significa entender algo e como o conhecimento deve ser construído na academia. Eu não encarei a questão quem você está usando como mera curiosidade intelectual, mas sim como um meio de testar minha postura epistemológica e aferir meu conhecimento sobre o assunto. Aferir meu conhecimento. Tive um professor na faculdade que dizia que conhecimento é algo que se empilha, vamos aprendendo e cada vez sabendo mais. Quantidade.
Vou chamar minha forma de aprendizado de holística. Eu realmente não tenho interesse em saber o que Fulano, Sicrano ou Beltrano falam a respeito de um determinado assunto, salvo se de alguma forma eles me tocam, se eu posso dialogar com eles.
Um dia inventei de discutir sobre teoria queer com um amigo que morava no quarto ao lado, e nossa discussão girava em torno de se afirmar gay ou se manter sem nomeações, e qual das duas opções seria mais apropriada como uma manifestação política que se dispusesse a enfrentar preconceitos. Em certo momento, o fato de eu estar recém me aproximando da teoria foi posto em questão, como se o queer fosse o único caminho através do qual eu pudesse chegar nas mesmas conclusões que seus teóricos chegaram (o que presume, aliás, que ler e estudar quem escreve é antes de qualquer coisa uma tentativa de assimilar, ao invés de se afetar). Tive a oportunidade de mencionar um caso em que, nos meus tempos (virginais) de escola, recitei uma das bases da teoria queer sem, obviamente, jamais ter lido algo a respeito. Para mim era óbvia a constatação que eu fiz, e cheguei a ela pelas trilhas da minha experiência de vida.
O que fica implícito nessa noção quantofrênica do conhecimento é que ler mais significa saber mais. Talvez isso até esteja correto. Contudo, mais me preocupa saber melhor, no sentido de conseguir empregar esse conhecimento que venho adquirindo (e enfrentando) para guiar o que um ex-professor meu chamou de "projeto de existência". Aliás, deixe-me riscar o ex, pois fora do ambiente acadêmico ele segue me ensinando muito, logo seria ingenuidade tirar-lhe o papel de professor.
Até pouco tempo atrás eu tinha certeza de que desejava ser professor (essa certeza esmaeceu, embora as razões para que eu a tenha imaginado inicialmente permaneçam as mesmas), porém a ideia de que o professor é aquele que sabe muito me incomoda demais. Não sei se tenho condições e se minha forma de aprendizado me permite encarnar esse papel, mesmo que seja apenas durante períodos em que eu esteja sendo avaliado como digno ou não de ser professor (nas instituições que podem me conferir esse poder).
Essa é a minha atual crise: vale a pena pagar o preço cobrado para me enquadrar, ou existirão alternativas para que minha vida siga tendo sentido e prazer da forma como eu imaginei que deveria ser?
terça-feira, julho 19, 2011
Pequena atualização
Fui pra Bahia, fiz um concurso pra professor, passei na primeira prova (teórico-prática), mas não na segunda (didática). Estou triste. Estou, também, chateado com as palavras e sua maldade intrínseca. No meio de tudo, confuso com o que eu quero ou deixo de querer da vida. Acho cansativos esses momentos em que a gente decide algo e esse algo resolve acontecer de outra forma, nos obrigando a repensar.
domingo, junho 19, 2011
quarta-feira, maio 18, 2011
Tudo diferente
Estou apaixonado numa música da Maria Gadú que uma amiga de São Paulo me enviou. Ela disse que lembrava de mim quando ouvia, e agora eu lembro dela sempre que ouço. Tenho dessas para gostar de canções, ouço e conecto com alguma pessoa ou memória que me é cara.
=)
I just came to say hello.
Estou ouvindo isso agora, e é super apropriado para tirar as teias da raposa antropomórfica.
Tenho expectativas pra hoje. Seria mais seguro não ter. Paciência.
segunda-feira, maio 02, 2011
Memorial
Eu escrevi ontem e anteontem um texto relatando como algumas experiências de vida foram determinantes para minha construção enquanto acadêmico e intelectual. Eu deveria fazer isso mais vezes, sabe? Aliás, todos deveríamos. Coloquei em palavras certas memórias e elas fizeram sentido nessa montagem de quem eu fui e venho sendo. Entendo que faça sentido esquecermos algumas coisas para conseguirmos levar a vida, não poderíamos lidar com tudo que pensamos e sentimos ao mesmo tempo o tempo inteiro... será que está aí nosso problema? Nos esquecimentos?
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