domingo, abril 11, 2010

Domingo

Esses últimos dias foram cheios de acontecimentos e de possíveis decisões importantes. Não creio que algo vá mudar, ao menos não em função do que ocorreu. Existe a decepção, ela não vai embora não importa quanto tempo passe, pois as expectativas são sempre mais altas do que a realidade pode conceber. Fico sempre em dúvida se considero admirável uma dona de inteligência absurda ser feliz no meio do médio ou se penso ser um desperdício terrível. Acabo sempre tendendo para o segundo lado, provavelmente para seguir acreditando que o meu descontentamento me obriga a ser como sou.

Ser diferente tem um preço.


Hoje é domingo e estou aqui no meu computador dedilhando este texto. Poderia estar num parque vendo o sol, ou observando um lago e adolescentes bebendo vinho, ou caminhando por um shopping, ou vendo um filme no cinema. Sozinho ou acompanhado, em qualquer dessas atividades, hoje eu estaria sem ninguém.
Talvez seja uma escolha, mas eu não quero mais fazê-la. Não quero o meio, quero as nuvens ainda e sempre. Lá é gelado, é solitário, é distante.

Eu não quero companhia nem tentativas.
Quero saber onde, nessa cidade, há alguém como eu.
Onde, nesse mundo, podemos nos encontrar.

sexta-feira, abril 09, 2010

Sonhos

Quando cheguei em casa e dormi, agora de tarde, nunca imaginei que acordaria possuído por raiva. Vontade de esfregar asfalto na cara do sujeito. Quente, se possível.

Sério, que sensação terrível. Pura raiva, descontrolada, não filtrada. Malditas normas sociais que filtram tudo que fazemos, mas ao mesmo tempo são elas que nos garantem que não vamos matar as criaturas que nos circulam.

Existe meio-termo para essa regulação? Um ponto em que ela não nos cause nenhum mal? Será que existe? Tem que existir x.x

Dia de sol

Hoje acordei bem. Como tem sido costumeiro, despertei primeiro às 8h, depois com meu celular às 9h e, para concluir legal, levantei às 10h. Gastei minha manhã inteirinha na internet e não me arrependo um segundito do contato que fiz. Acho que comecei a construir algo que me será muito legal. Quem pode dizer que eu não tinha razão ao definir que estar com internet em casa salvaria a minha vida em Goiânia?

Minha saúde está inteira da novo. A física, mental e emocional, quero dizer, pois a financeira, tadinha, está sofrendo as pressões de me ajustar a um lugar novo. E isso que nem me dei a muitos luxos, ainda. Uma coisa que preciso resolver logo logo é como lavar minhas roupas, pois depender de lavanderia não é muito legal, quando o custo disso chega a R$ 70,00 por semana. Sou metidinho a rico, mas nem tanto, né, amores.

Decidi que quero um carro. É, simples assim, quero e deu. Se o terei em algum momento próximo? Ahn, não sejamos ingênuos. Se eu ganhar bolsa de mestrado logo, poderei começar a regular meus gastos adequadamente. Sem ela, porém, estou capengando no mar dos sofredores. Oh céus ^^


O dia nasceu com um sol tão bonito. Não está quente demais, está agradável. Tudo bem, estou em casa, protegido do calor absurdo. Só de pensar nisso já fiquei meio suado. Vou ao campus, hoje, e faltarei à palestra que pretendia assistir. Visitarei um lugar chamado Grande Hotel, que tem cursos e coisas bacanas para eu conhecer. Se for perto, passearei pelo tal Parque dos Buritis, também.

Hoje os meninos querem sair de noite.
Seguindo a lógica do "faço o que quero", vamos ver se não aparece um convite melhor até o cair da noite. E viva la vida.

Quero mais tempo

Não estou conseguindo dar conta da quantidade de coisa que tenho que descobrir, reconstruir no meu cérebro e seguir procurando. Vim com um projeto, tenho até quase junho para reformulá-lo e adequá-lo aos interesses tanto da instituição quanto da minha orientadora e, se sobrar tempo, também meus.
Óbvio que não gosto de coisas simples, então ainda preciso achar tempo de escrever para minha especialização, a respeito de um tema que não me move mais. Preciso sentar e olhar com a visão de uma criança o que posso arrancar que ainda não foi descrito sobre umas histórias em quadrinhos que tenho aqui comigo. Pelo menos ainda tenho um mês ou dois pra isso.

No meio de tudo isso, estou feliz. O processo de pesquisa, de questionamento, de descoberta, de discussão, bem, tudo isso é absurdamente contente. Só não quero me matar, como minha orientadora, que está afastada por razões de excessivos atentados à saúde.

Serei um professor. Nunca isso foi tanto uma certeza.

Contatos

É bem isso, ainda mais numa cidade pequena como Goiânia: quem tu conhece determina o que tu pode fazer. Quem te orienta consegue ou não dinheiro, o que tu oferece garante até onde se pode ir.

Nunca fui um bom RP, mas acho que terei que trabalhar minhas habilidades sociais para construir algumas relações que terminem me sendo úteis. Algo sobre jogar o "jogo dos ratos" para mudar o sistema e tal.

Eu quero dar aulas e influenciar pessoas, mas pra isso preciso ser doutor.


Aliás, fica a questão: o que é educar? Seria um "influenciar" institucionalizado? Ainda quero pensar mais sobre isso, confesso que me encucou.


quarta-feira, abril 07, 2010

Músicas

Ah, suas safadas, sempre me lembrando da vida. Agora está o Mika cantando no vaioso: This is the way that we love, like it's forever, than we spent the rest of our lives, but not together. Essa canção tem um significado especial pra mim, fundamentada em um momento em que cometi um engano ao ler uma pessoa. Fiquei, por um tempo, sentindo-me mal por haver machucado alguém quando, na verdade, não havia nada que eu pudesse fazer para evitar. Aliás, havia: eu podia perder duas histórias futuras muito interessantes, para dizer o mínimo.

Conversando sobre as escolhas que a gente faz e que sempre terminam machucando os outros, um rapaz me comentou sobre o abraço dos porco-espinhos. Apavorados com o frio, eles se aproximam para compartilhar calor corporal, mas seus espinhos machucam os companheiros a quem deveriam ajudar. É uma contrapartida obrigatória em toda escolha. A harmonização final, ou seja, a estabilização de todas as energias, seria o fim. Enquanto isso não acontecer, não haverá chance de um sorriso alegrar a todos os corações.


Tomei uma decisão, hoje.
Tudo bem que é a vigésima vez que penso a mesma coisa desde que cheguei em Goiânia, mas repetir é sempre bom, e se cumprir for possível, melhor ainda. Farei o que quiser. Quando eu quiser e, principalmente, como eu decidir.
Chega de depender.

segunda-feira, abril 05, 2010

Ai, minha dor

Eis que estou novamente tomando antibiótico pra minha garganta. Gente, que inferninho. Super quero um elixir de cura. Até nem vou pensar muito hoje sobre a soberania do indivíduo no lugar do coletivo.

domingo, abril 04, 2010

Homenagem ao coração solitário

Somente agora consigo entender completamente o que é estar num lugar novo sem ninguém. As pessoas tom de cinza estão por aí o tempo inteiro, mas onde estão as cores? Por que elas têm sido cada vez mais raras? Nenhum de nós dois é uma alma fácil, dessas que encontra respiro em qualquer paradouro. Nossas esquinas não são retas, nossos mapas não fazem sentido. Reparo, agora, que nossos semelhantes são justamente queridos por nos compreenderem, e que só nos entendem porque compartilham da mesma dúvida: por que não é diferente? Por que não é fácil ser feliz, simplesmente sorrir e iluminar o mundo?

Eu dizia que era um caso de ir à rua e deixar o sol iluminar tudo. Estava errado, pois a luz do mundo não reflete as cores.

Estou, agora mesmo, sentindo a solidão. Ela me aguarda na cama, para dormirmos abraçados. Ela diz: procure um sentido, pois não o há. Vasculhe o mundo atrás de uma resposta, quando na realidade apresentam-se apenas perguntas. Sempre mais.


Quisera eu tivesse para conosco o dom que temos sobre os demais. Será que alguém tem? Ou seremos sempre somente nós?

Vou procurar aqui o que já tinha lá. Não queria deixar de lado o que já havia encontrado, as luzes coloridas que me completavam aí. Por egoísmo, quero que te cure aqui. Meu coração, danado esperto, diz que tu tem que ficar aí, te proteger.

Dói.

sábado, abril 03, 2010

Outras pessoas

Ando num certo processo de aprendizagem através de um tipo de relacionamento que costuma ser definido como "aberto". O princípio é simples: liberdade para interagir fisicamente com outras pessoas além do digníssimo eleito como principal. A ideia que essa relação pressupõe inclui um nível de respeito e desprendimento absurdos, pois devemos aceitar que embora tenhamos a afeição da pessoa, não somos donos de seu corpo nem, tampouco, da realização de todos os seus prazeres físicos.
A solução do relacionamento aberto veio como uma necessidade, pois eu e ele dividimos casa, moramos porta a porta, então o nível de neurose a que chegaríamos num namoro tradicional seria incontrolável. Definimos as regras do nosso funcionamento em conjunto, para garantir que não tenhamos surpresas desagradáveis e nada que fique imaginado, mas não regrado. Não ficamos com outras pessoas na presença do companheiro, por exemplo, de modo a evitar a desagradável sensação de ser preterido.

O que nenhuma categoria de relação interpessoal resolve é a necessidade de lidar com diferentes personalidades. Isso vale para amizades, vizinhanças, coleguismos, namoros, casamentos, sexos.

O que fazer quando uma das pessoas necessita seguir protocolos confirmados de conduta e a outra altera seus caminhos a cada contratempo que surge? Eu, canceriano, planejo minha vida em torno das definições feitas anteriormente. Eu sigo as regras.
Como diriam as pessoas do mundo: tenso.

sexta-feira, abril 02, 2010

De volta

Voltarei a escrever regularmente a partir desse finde ou, no máximo, a partir de segunda.

Apenas atualizando brevemente: decidi me abrir com os goianos e parar de brincar de cubo de gelo. Não está me servindo pra absolutamente nada ficar fechado, distante das possibilidades. É óbvio que essa escolha vai fazer com que eu me machuque, já que estou inserido num sistema que já funciona muito bem sem minha presença, mas vamos nessa! Chega de ficar "ai, não tenho passado, ai, não me abro".

Chega =)
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