quinta-feira, outubro 31, 2013
Um presente providencial
Anteontem ganhei do meu namorado um guarda-chuva de presente surpresa, o mesmo que utilizei para nos proteger da água quando o levei ao hospital e, depois, quando fui para aula. Parece que as nuvens esperaram pacientemente até que meu falecido guarda-chuva fosse substituído pelo recém-presenteado. Obrigado por acompanharem minha vida aí de cima, nuvens. Vocês são lindas.
quarta-feira, outubro 30, 2013
Corpo humano
Teu namorado acorda com dor de cabeça absurda (diz o Google que pode ser "cefaleia em salvas", mas era pra ter passado porque a dor típica desaparece em até uma hora), náusea e cansaço absurdo (diz o Google que pode ser hipo ou hiper grlicemia, fico confuso porque um parece o contrário do outro) e tu não sabe o que fazer. Para completar, o lindo hospital ao lado de casa não atende ao plano de saúde dele. Nessas horas é tão frustrante não entender lhufas do corpo humano.
terça-feira, outubro 29, 2013
O que faço com a minha preocupação?
No banho, ao som de Jorge Drexler, pensei novamente que isso de escrever e viver do que acredito pode não ser para mim. Talvez eu seja um cara típico que trabalha oito horas por dia e volta para casa, assiste a um filme, janta com alguém, conversa bobagens até dormir e no dia seguinte faz tudo de novo, para que no fim de semana uma ida ao parque ganhe sentido. Por que abandonar tudo, por que deixar de lado tantas coisas que já estão bem encaixadinhas, tão funcionais? Por que procurar problemas?
"Amar la trama más que el desenlace", me sugere Drexler. É um bom conselho. Não importa se vai dar certo ou não, nem sei o que significa dar certo. É um sonho de vida feliz, não um projeto de ciências. Como se mede uma vida que deu certo? Pelos arrependimentos, pelas conquistas? Na minha lista de coisas que já me fizeram chorar, a maioria dos itens são ações que deixei de fazer, geralmente por medo. Certa vez numa virada de ano deixei de dançar porque alguém poderia me estranhar pulando sozinho no meio da sala. "Quem vai te julgar?", perguntou uma amiga, mas saber a resposta não ajudou. A preocupação não foi embora só por ser ilógica.
A pergunta ressoa: "quem vai te julgar?".
A resposta, parece, é sempre a mesma: ninguém, só eu.
Essa é, infelizmente, a opinião que machuca mais.
"Amar la trama más que el desenlace", me sugere Drexler. É um bom conselho. Não importa se vai dar certo ou não, nem sei o que significa dar certo. É um sonho de vida feliz, não um projeto de ciências. Como se mede uma vida que deu certo? Pelos arrependimentos, pelas conquistas? Na minha lista de coisas que já me fizeram chorar, a maioria dos itens são ações que deixei de fazer, geralmente por medo. Certa vez numa virada de ano deixei de dançar porque alguém poderia me estranhar pulando sozinho no meio da sala. "Quem vai te julgar?", perguntou uma amiga, mas saber a resposta não ajudou. A preocupação não foi embora só por ser ilógica.
A pergunta ressoa: "quem vai te julgar?".
A resposta, parece, é sempre a mesma: ninguém, só eu.
Essa é, infelizmente, a opinião que machuca mais.
Minha meta para novembro
Por que é tão difícil manter um ritmo? Tenho escrito aqui para a Raposa diariamente, mas a qualidade dos textos caiu significativamente. Isso tem a ver com publicar direto. Ainda assim, não explica por que eu tenho tanta dificuldade em escrever literatura habitualmente. São tantas distrações.
Já que todo mundo está falando sobre o nanowrimo, projeto de escrita ao redor do mundo no qual os escritores se propõem a escrever um livro de 50 mil palavras em um mês, vou fazer algo semelhante a partir de 1º de novembro. Essas 50 mil palavras significam cerca de 1667 palavras por dia, mas não tenho fôlego para isso. O romance no qual tenho trabalhado está sofrendo com 12 mil e isso já há tempos.
Escrever é como fazer exercício, então a partir de 1º de novembro começarei a preparação para o ano que vem. Minha meta serão 500 palavras diárias. Pouco, eu sei, mas a proposta ainda não é escrever rios, apenas ganhar fôlego e condicionamento para escrever todos os dias. Será que consigo?
Regra básica: blog não conta.
São 500 palavras de material literário, seja novo ou a continuação de algo em andamento.
Dificuldades que antevejo no caminho: é difícil pra caramba superar as distrações e alcançar esse tipo de meta. Bem, treinamentos são para isso...
Já que todo mundo está falando sobre o nanowrimo, projeto de escrita ao redor do mundo no qual os escritores se propõem a escrever um livro de 50 mil palavras em um mês, vou fazer algo semelhante a partir de 1º de novembro. Essas 50 mil palavras significam cerca de 1667 palavras por dia, mas não tenho fôlego para isso. O romance no qual tenho trabalhado está sofrendo com 12 mil e isso já há tempos.
Escrever é como fazer exercício, então a partir de 1º de novembro começarei a preparação para o ano que vem. Minha meta serão 500 palavras diárias. Pouco, eu sei, mas a proposta ainda não é escrever rios, apenas ganhar fôlego e condicionamento para escrever todos os dias. Será que consigo?
Regra básica: blog não conta.
São 500 palavras de material literário, seja novo ou a continuação de algo em andamento.
Dificuldades que antevejo no caminho: é difícil pra caramba superar as distrações e alcançar esse tipo de meta. Bem, treinamentos são para isso...
segunda-feira, outubro 28, 2013
Peripécias imobiliárias
Estou ajudando meu namorado a procurar um apartamento próximo ao trabalho dele. Onde ele mora corre o nada lindo risco de ser assassinado cada vez que volta para casa, já que é um bairro perigoso e o horário de serviço não ajuda em nada. Aí encontramos um lindo e a amiga que mudaria com ele desistiu. O colega de trabalho disse que topava e depois desistiu. Agora a família resolveu ir junto na aventura... e talvez o apartamento já esteja sendo alugado por outro sujeito.
Resumo da ópera: procurar apartamento é um inferno.
Resumo da ópera: procurar apartamento é um inferno.
domingo, outubro 27, 2013
Domingo
Eu não quero escrever nada hoje, mas me prometi escrever diariamente na Raposa. Que fique o registro para o meu novo projeto: não escrever todos os dias. Duas vezes na semana, talvez, para textos bons, planejados, relativamente longos e bem estruturados. OK?
sábado, outubro 26, 2013
Pensamentos matutinos
Hoje sonhei que conversava com uma amiga sobre um doutorado para daqui um ano, algo como Estudos Internacionais. Achei engraçado não só porque já desisti de doutorado por ora, como também porque o tal curso seria em Porto Alegre, na UFRGS. Claro, eu consigo reconhecer com relativa facilidade os elementos que criaram essa ficção na minha cabeça (a começar pelo congresso da ABEH), mas não deixa de ser engraçado a ideia de fazer doutorado ainda não ter sido eliminada dos meus pensamentos.
* * *
Acordei sentindo cheiro de queimado. Logo eu, que quase não tenho olfato. Verifiquei tudo, meu computador, o ventilador ligado, a cozinha. Depois de um tempo, descobri que fizeram uma fogueira (pequena, mas fumegante) quase na frente do meu prédio e minhas duas janelas estavam sendo atacadas pela fumaça. Da mesma maneira como quando vi um sujeito caminhando pelos telhados, fiquei sem saber o que fazer. Ligo para os bombeiros, apago o fogo com um jarro de água ou espero a vida acontecer e alguém apagá-lo por mim? Deixei a terceira opção acontecer (não a considero propriamente uma escolha), mas fica aquele gostinho de impotência frente à vida.
* * *
Acho que quando meu novo projeto de blog começar, continuarei também alimentando a Raposa Antropomórfica. Estou pensando esse projeto como algo profissional, para efetivamente atrair leitores em torno de um tema em comum. Isso não significa que eu esteja pronto para abrir mão do espaço no qual escrevo sobre todas as outras coisas da vida.
* * *
Acordei sentindo cheiro de queimado. Logo eu, que quase não tenho olfato. Verifiquei tudo, meu computador, o ventilador ligado, a cozinha. Depois de um tempo, descobri que fizeram uma fogueira (pequena, mas fumegante) quase na frente do meu prédio e minhas duas janelas estavam sendo atacadas pela fumaça. Da mesma maneira como quando vi um sujeito caminhando pelos telhados, fiquei sem saber o que fazer. Ligo para os bombeiros, apago o fogo com um jarro de água ou espero a vida acontecer e alguém apagá-lo por mim? Deixei a terceira opção acontecer (não a considero propriamente uma escolha), mas fica aquele gostinho de impotência frente à vida.
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Acho que quando meu novo projeto de blog começar, continuarei também alimentando a Raposa Antropomórfica. Estou pensando esse projeto como algo profissional, para efetivamente atrair leitores em torno de um tema em comum. Isso não significa que eu esteja pronto para abrir mão do espaço no qual escrevo sobre todas as outras coisas da vida.
sexta-feira, outubro 25, 2013
Post mil
Depois de sete anos, eis a milésima postagem da Raposa Antropomórfica. Dia 30 de outubro é o aniversário desta Raposa que tem me acompanhado desde 2006.
Não está fácil escrever todos os dias, muito menos agora que comecei a planejar minha mudança para São Paulo e entrei em ritmo de despedida de Goiânia. Como se não fosse suficiente tudo isso, decidi que a Raposa Antropomórfica será interrompida – não fechada, apenas descontinuada por tempo indeterminado – enquanto me dedico a um novo projeto (ainda sem nome).
Nesses sete anos consegui 40 mil visualizações. Em média, 15 visitas por dia neste período. Claro, no início era sempre menos que isso, no último ano sempre mais. Minha intenção é alcançar a mesma marca em até seis meses com o novo projeto. A nova Raposa, que entrará no ar em janeiro, será dedicada, profissional, direcionada. Eu pretendia escrever diariamente, mas estou percebendo que talvez não seja a melhor ideia para o começo. O jeito será focar num conteúdo de qualidade e em tempo para revisão / edição.
Desculpem, amigos da raposa, estou colocando aqui apenas algumas ideias para organizar meus pensamentos e meu futuro. Conforme as novidades forem aparecendo, vou compartilhando.
Não está fácil escrever todos os dias, muito menos agora que comecei a planejar minha mudança para São Paulo e entrei em ritmo de despedida de Goiânia. Como se não fosse suficiente tudo isso, decidi que a Raposa Antropomórfica será interrompida – não fechada, apenas descontinuada por tempo indeterminado – enquanto me dedico a um novo projeto (ainda sem nome).
Nesses sete anos consegui 40 mil visualizações. Em média, 15 visitas por dia neste período. Claro, no início era sempre menos que isso, no último ano sempre mais. Minha intenção é alcançar a mesma marca em até seis meses com o novo projeto. A nova Raposa, que entrará no ar em janeiro, será dedicada, profissional, direcionada. Eu pretendia escrever diariamente, mas estou percebendo que talvez não seja a melhor ideia para o começo. O jeito será focar num conteúdo de qualidade e em tempo para revisão / edição.
Desculpem, amigos da raposa, estou colocando aqui apenas algumas ideias para organizar meus pensamentos e meu futuro. Conforme as novidades forem aparecendo, vou compartilhando.
quinta-feira, outubro 24, 2013
Não existe homofobia no Brasil (haha)
Está rolando o vídeo do Stephen Fry entrevistando o Jair Bolsonaro e ele dizendo que não existe homofobia no Brasil. Sério? Sério mesmo?
Alguns exemplos:
- A vez que um louco queria atacar a mim e a meu namorado;
- O filme Prayers for Bobby fala bastante sobre homofobia na família;
- A vez que atiraram pedras em mim na rua;
- O filme Philadélphia, sobre preconceito no trabalho;
- Como nosso preconceito funciona;
- Como reconhecer quando não sabemos de nada;
- Um pouco sobre bullying.
Alguns exemplos:
- A vez que um louco queria atacar a mim e a meu namorado;
- O filme Prayers for Bobby fala bastante sobre homofobia na família;
- A vez que atiraram pedras em mim na rua;
- O filme Philadélphia, sobre preconceito no trabalho;
- Como nosso preconceito funciona;
- Como reconhecer quando não sabemos de nada;
- Um pouco sobre bullying.
quarta-feira, outubro 23, 2013
A raposa e a coruja
Uma das razões para 2013 ser um ano no qual tenho sido muito feliz está no relacionamento que tenho com meu namorado, de longe o mais maduro que já vivenciei. Nós compartilhamos nossas ideias e anseios, conversamos sobre tudo e passamos muito tempo juntos, seja dormindo aqui em casa, seja passeando sozinhos ou entre amigos. Se há uma palavra para definir o que vivemos, é amor.
É justamente por termos uma relação construída na base de confiança mútua e desejo pela felicidade do outro que São Paulo é uma armadilha maldosa para nós dois. Ele sabe a importância que esse passo tem para mim e compreende que minha partida implicará em eu alcançar uma felicidade ainda maior do que temos hoje. Sim, eu estou sendo egoísta nisso e é uma droga admitir que meu sonho de futuro não tem espaço para os abraços e beijos que fizeram esse ano tão melhor do que poderia ser. É uma trajetória que preciso trilhar sozinho, do contrário não conseguirei me tornar a pessoa que preciso. Eu realmente acredito nisso. Eu, eu, eu.
A nossa relação vai mudar, não seremos mais um do outro, não dormiremos juntos quase todas as noites (talvez mais nenhuma), não viveremos nossos dias de mãos dadas ou com medo de dar as mãos porque algum louco gritou com a gente. Temos pela frente muitas noites regadas a lágrimas e memórias felizes convertidas em saudade. Saber que o carinho, a confiança e o desejo pela felicidade não mudarão de nada adianta frente à vontade grande de continuar dono, de continuar pertencendo.
Eu sei que é amor porque, apesar de todas os desejos contrários, estou livre para perseguir meus sonhos. Uma união improvável, raposa com coruja, mas prova viva de que é possível dividir tempo e carinho com outro alguém e ser e fazer feliz enquanto juntos. Mais do que isso, na verdade, porque a coruja todos os dias tem me dado sempre mais motivos para sorrir enquanto construímos juntos novas memórias.
É justamente por termos uma relação construída na base de confiança mútua e desejo pela felicidade do outro que São Paulo é uma armadilha maldosa para nós dois. Ele sabe a importância que esse passo tem para mim e compreende que minha partida implicará em eu alcançar uma felicidade ainda maior do que temos hoje. Sim, eu estou sendo egoísta nisso e é uma droga admitir que meu sonho de futuro não tem espaço para os abraços e beijos que fizeram esse ano tão melhor do que poderia ser. É uma trajetória que preciso trilhar sozinho, do contrário não conseguirei me tornar a pessoa que preciso. Eu realmente acredito nisso. Eu, eu, eu.
A nossa relação vai mudar, não seremos mais um do outro, não dormiremos juntos quase todas as noites (talvez mais nenhuma), não viveremos nossos dias de mãos dadas ou com medo de dar as mãos porque algum louco gritou com a gente. Temos pela frente muitas noites regadas a lágrimas e memórias felizes convertidas em saudade. Saber que o carinho, a confiança e o desejo pela felicidade não mudarão de nada adianta frente à vontade grande de continuar dono, de continuar pertencendo.
Eu sei que é amor porque, apesar de todas os desejos contrários, estou livre para perseguir meus sonhos. Uma união improvável, raposa com coruja, mas prova viva de que é possível dividir tempo e carinho com outro alguém e ser e fazer feliz enquanto juntos. Mais do que isso, na verdade, porque a coruja todos os dias tem me dado sempre mais motivos para sorrir enquanto construímos juntos novas memórias.
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