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sábado, julho 26, 2014

Um tímido retorno

Decidi voltar a escrever aqui na Raposa Antropomórfica. Senti falta de falar livremente sobre as coisas que me importam. O meu site oficial continua funcionando e quero muito que todo mundo apareça lá e comente e seja feliz, mas por aqui resolvi trocar algumas figurinhas sobre o que está acontecendo na vida.
Eu estou namorando e feliz. Eu tenho trabalhos correndo, o que me sustenta financeiramente. Estou empreendendo o Ninho de Escritores, o que está sendo o maior passo que já dei. É tanta coisa para contar sobre a vida, que nem sei por que passei tanto tempo guardando minhas aventuras para mim mesmo.
Também não sei a quem elas interessam, mas se interessarem, estarão aqui. Agora sairei porque estou atrasado para um arraial.

(ah, só uma coisa: fechei os comentários, porque honestamente eu não quero opiniões sobre o que estou vivendo... queria apenas recuperar um espaço para escrever livremente, fluxo de consciência e tal)

Beijos, mundo!

quarta-feira, janeiro 01, 2014

Novo site

Que tal conhecer minha nova empreitada virtual? É só clicar aqui!

terça-feira, dezembro 10, 2013

Como fazer um professor feliz

Hoje aconteceu algo digno de acordar a Raposa. Cheguei na faculdade feliz e contente para a penúltima semana de aula e dei de cara com uma festa de despedida absolutamente linda preparada pelos meus alunos. Fizeram até um blog com mensagens pra mim!

Estar em sala de aula implica estar em relação e hoje à noite tive a certeza de que alguma coisa eu fiz certo nesses últimos semestres. Não foi perfeito, sem dúvida, mas esse um ano e meio de aulas para três turmas me ensinou tanto sobre docência, sobre pessoas, sobre mim mesmo, que nem sei direito como resumir. Estou há quase uma hora tentando expressar aqui o quanto eu me sinto realizado.

A verdade é essa: eu estou orgulhoso das pessoas que conheci, do tempo que passamos juntos, das coisas que aprendi. Estou muito feliz por ter meu trabalho reconhecido, claro. Ego lá em cima. Ao mesmo tempo, estou feliz por saber que não é só a profissão que está sendo celebrada, não são boas aulas, bons ensinamentos. Não é só isso.

É também a porta aberta para a amizade, algo que a gente sabe bem que é raro, mas que aconteceu.

segunda-feira, novembro 18, 2013

Um pouco de melancolia

Ando meio melancólico.
Faltam aproximadamente 54 dias para minha partida e mais uma vez estou apavorado ante à possibilidade de tentar algo maior do que eu. Olho pro mundo e penso que ele não foi feito para ser vivido, mas sim para me dizer como viver.

Tristeza, melancolia, essas coisas vêm em ondas.
Numa hora está tudo bem e no momento seguinte tu está parando olhando para as luzes do prédio vizinho e pensando em tudo que irremediavelmente ficará para trás. Desapego é requisito, mas eu sinto esse geladinho triste porque ainda estou apegado, muito, muito.

Tem um quê de poético em assumir que, para ser feliz em 2014, estou disposto a abandonar as minhas felicidades de 2013. Não é justo, eu sei. Na verdade, talvez não seja nem certo. Maldito o dia em que descobri o mundo grande demais para ficar enraizado num lugar só.

Quando vim para Goiânia, pensei a mesma coisa que agora planejo para São Paulo: não criar raízes. A gente voa, voa, voa, mas quando pousa, a terra nos abraça e pede para ficarmos um pouquinho mais. É bom, é quentinho, muitas vezes é tão gostoso quanto nossos sonhos realizados um dia poderão ser. Só que o especial de ter um sonho não é chegar lá, mas sim ir atrás.

Meu sonho é ser quem eu quero ser.
Desse alguém já tenho os defeitos. Falta só o resto.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Rapidinhas

Ontem meu guarda-chuva novo quebrou, acho que ficou chateado de haver se molhado tanto. Chegamos à época em que chove todos os dias e estou de novo desprotegido.

* * *

Na biblioteca da faculdade, ontem, só podia pegar livro emprestado deixando documento. Meu amigo retirou um livro para usar em sala de aula, a bibliotecária foi pra casa e ele quase ficou sem a carteira de motorista. Sorte que a moça lembrou e voltou.

* * *

Estava muito difícil resistir ao impulso de comprar um novo celular. Precisei apelar para o mais fundo da razão. Eu não preciso de um telefone novo. Não preciso. Não preciso. (sim, é assim que a minha razão profunda funciona, feito uma criança de cinco anos ao contrário [porque uma criança de cinco anos quereria um maldito telefone novo]).

terça-feira, novembro 05, 2013

Fátima e o Passeio das Águas

"Vocês esperam uma intervenção divina, mas não sabem que o tempo agora está contra vocês"., cantei ontem com o Capital Inicial. Acho que sempre esperei que as coisas na vida se resolvessem por mágica, talvez porque na maior parte das vezes eu seja uma pessoa relativamente privilegiada (branco, classe média, não exatamente feio etc.). As coisas meio que sempre foram acontecendo e eu fui acompanhando, muito mais do que tomando as rédeas. Acho que é daí que vem o meu medo.

* * * * *

Ontem conheci o Passeio das Águas, novo shopping aqui de Goiânia, com meu namorado e dois amigos dele. É grande, concordo, mas achava que seria imenso, inconcebível, incomensurável. Nem é, é só grande, mesmo. Ainda bem, porque fica longe e precisa caminhar um bocado depois (ou antes, na volta) de pegar o ônibus.

segunda-feira, novembro 04, 2013

Medinho

Eu estou com medo do futuro. Ontem rabisquei pela segunda vez o provável primeiro primeiro texto do meu novo blog, mas é inevitável a pergunta: eu preciso de um novo blog? Eu conseguirei manter um novo blog? Alguém está interessado em ler algo do que eu escrevo? Essas ansiedades me perseguem desde criança. Estou acostumado a me perder nos silêncios mais do que em me atirar à vida, por isso meu plano de arriscar pôr a cara no mundo me assusta tanto assim.

Por outro lado, vou confirmando que meus amigos me apoiam. Não sei o que realmente pensam daquilo que escrevo – é tão importante assim? –, mas sei que estão dispostos a aguentar minhas lamúrias e cutucar meus sonhos para que cresçam mais fortes. Isso já me deixa bastante animado, um pouco mais disposto a enfrentar o mundo.

terça-feira, outubro 29, 2013

O que faço com a minha preocupação?

No banho, ao som de Jorge Drexler, pensei novamente que isso de escrever e viver do que acredito pode não ser para mim. Talvez eu seja um cara típico que trabalha oito horas por dia e volta para casa, assiste a um filme, janta com alguém, conversa bobagens até dormir e no dia seguinte faz tudo de novo, para que no fim de semana uma ida ao parque ganhe sentido. Por que abandonar tudo, por que deixar de lado tantas coisas que já estão bem encaixadinhas, tão funcionais? Por que procurar problemas?

"Amar la trama más que el desenlace", me sugere Drexler. É um bom conselho. Não importa se vai dar certo ou não, nem sei o que significa dar certo. É um sonho de vida feliz, não um projeto de ciências. Como se mede uma vida que deu certo? Pelos arrependimentos, pelas conquistas? Na minha lista de coisas que já me fizeram chorar, a maioria dos itens são ações que deixei de fazer, geralmente por medo. Certa vez numa virada de ano deixei de dançar porque alguém poderia me estranhar pulando sozinho no meio da sala. "Quem vai te julgar?", perguntou uma amiga, mas saber a resposta não ajudou. A preocupação não foi embora só por ser ilógica.

A pergunta ressoa: "quem vai te julgar?".
A resposta, parece, é sempre a mesma: ninguém, só eu.
Essa é, infelizmente, a opinião que machuca mais.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Peripécias imobiliárias

Estou ajudando meu namorado a procurar um apartamento próximo ao trabalho dele. Onde ele mora corre o nada lindo risco de ser assassinado cada vez que volta para casa, já que é um bairro perigoso e o horário de serviço não ajuda em nada. Aí encontramos um lindo e a amiga que mudaria com ele desistiu. O colega de trabalho disse que topava e depois desistiu. Agora a família resolveu ir junto na aventura... e talvez o apartamento já esteja sendo alugado por outro sujeito.

Resumo da ópera: procurar apartamento é um inferno.

sábado, outubro 26, 2013

Pensamentos matutinos

Hoje sonhei que conversava com uma amiga sobre um doutorado para daqui um ano, algo como Estudos Internacionais. Achei engraçado não só porque já desisti de doutorado por ora, como também porque o tal curso seria em Porto Alegre, na UFRGS. Claro, eu consigo reconhecer com relativa facilidade os elementos que criaram essa ficção na minha cabeça (a começar pelo congresso da ABEH), mas não deixa de ser engraçado a ideia de fazer doutorado ainda não ter sido eliminada dos meus pensamentos.

* * *

Acordei sentindo cheiro de queimado. Logo eu, que quase não tenho olfato. Verifiquei tudo, meu computador, o ventilador ligado, a cozinha. Depois de um tempo, descobri que fizeram uma fogueira (pequena, mas fumegante) quase na frente do meu prédio e minhas duas janelas estavam sendo atacadas pela fumaça. Da mesma maneira como quando vi um sujeito caminhando pelos telhados, fiquei sem saber o que fazer. Ligo para os bombeiros, apago o fogo com um jarro de água ou espero a vida acontecer e alguém apagá-lo por mim? Deixei a terceira opção acontecer (não a considero propriamente uma escolha), mas fica aquele gostinho de impotência frente à vida.

* * *

Acho que quando meu novo projeto de blog começar, continuarei também alimentando a Raposa Antropomórfica. Estou pensando esse projeto como algo profissional, para efetivamente atrair leitores em torno de um tema em comum. Isso não significa que eu esteja pronto para abrir mão do espaço no qual escrevo sobre todas as outras coisas da vida.

quarta-feira, outubro 23, 2013

A raposa e a coruja

Uma das razões para 2013 ser um ano no qual tenho sido muito feliz está no relacionamento que tenho com meu namorado, de longe o mais maduro que já vivenciei. Nós compartilhamos nossas ideias e anseios, conversamos sobre tudo e passamos muito tempo juntos, seja dormindo aqui em casa, seja passeando sozinhos ou entre amigos. Se há uma palavra para definir o que vivemos, é amor.


É justamente por termos uma relação construída na base de confiança mútua e desejo pela felicidade do outro que São Paulo é uma armadilha maldosa para nós dois. Ele sabe a importância que esse passo tem para mim e compreende que minha partida implicará em eu alcançar uma felicidade ainda maior do que temos hoje. Sim, eu estou sendo egoísta nisso e é uma droga admitir que meu sonho de futuro não tem espaço para os abraços e beijos que fizeram esse ano tão melhor do que poderia ser. É uma trajetória que preciso trilhar sozinho, do contrário não conseguirei me tornar a pessoa que preciso. Eu realmente acredito nisso. Eu, eu, eu.

A nossa relação vai mudar, não seremos mais um do outro, não dormiremos juntos quase todas as noites (talvez mais nenhuma), não viveremos nossos dias de mãos dadas ou com medo de dar as mãos porque algum louco gritou com a gente. Temos pela frente muitas noites regadas a lágrimas e memórias felizes convertidas em saudade. Saber que o carinho, a confiança e o desejo pela felicidade não mudarão de nada adianta frente à vontade grande de continuar dono, de continuar pertencendo.

Eu sei que é amor porque, apesar de todas os desejos contrários, estou livre para perseguir meus sonhos. Uma união improvável, raposa com coruja, mas prova viva de que é possível dividir tempo e carinho com outro alguém e ser e fazer feliz enquanto juntos. Mais do que isso, na verdade, porque a coruja todos os dias tem me dado sempre mais motivos para sorrir enquanto construímos juntos novas memórias.

segunda-feira, outubro 21, 2013

Nosso medo de mudanças

Minha amiga sugeriu que eu propusesse uma palestra para a USP. Na hora acionei as luzes e sirenes de emergência: não, que isso, como assim, não é fácil, não é pra mim, eles são ocupados. Dois segundos depois, pensei: eu não faço ideia de como organizar ou sugerir uma palestra, então por que estou tão convencido de que é difícil, impossível, de outro mundo? Será que sem nem perceber eu entrei para a turma do deixa disso?

Como os amigos da raposa sabem (esse tem sido um tema recorrente aqui), eu estou prestes a mudar de vida. Parte dessa mudança inclui ficar um tempo sem trabalhar, ao menos enquanto busco alternativas ao modelo clássico de trabalho, o qual não me agrada nem um pouco. Já ouço as vozes se erguendo: "mas não agrada a ninguém, por que pra ti teria que ser diferente? Deixa disso...".

A impressão que tenho é que a maior parte das coisas que fazemos são uma simples repetição de fórmulas anteriores, sejam elas boas ou não. O trabalho convencional, o planejamento de futuro certinho, o relacionamento monogâmico, tudo isso são fórmulas que por comodidade vamos reproduzindo. Talvez isso faça sentido se elas não nos incomodam, mas eu estou profundamente indignado com inúmeras delas. Ainda assim, meu plano inicial, que era um ano sem trabalhar, já está reduzido a dois meses. Esse é o tempo máximo que acredito que conseguirei ficar sem nenhuma forma de trabalho formal. Alguém poderia argumentar que estou sendo lógico, precavido ou algo assim.

A realidade é diferente. O que eu estou sendo é convencional e medroso.

domingo, outubro 20, 2013

Uma mudança se aproxima

Começou aquela sensação estranha de ansiedade e despedida. Meu tempo em Goiânia está se esgotando. Percebi isso sexta-feira à noite, quando saí com meu namorado e dois bons amigos. Percebi também no dia anterior, quando saí apenas com dois amigos. Ou ainda no dia seguinte, quando encontrei um punhado de gente que admiro e de cujas vidas me orgulho de participar.


Eu tenho uma boa vida aqui em Goiânia. Quando falo em ir embora, não penso nisso com raiva, decepção nem nada de ruim parecido. Quase tudo que vivi ou vivo aqui me enche de sorrisos. Conto nos dedos as experiências ruins, que ao menos servem como coisas a serem evitadas no futuro.

Vindo de Porto Alegre para Goiânia aprendi que as pessoas especiais que fazem parte da minha vida não desaparecerão. Eu tinha medo disso, hoje não tenho mais. A parte superficial dos relacionamentos pode mudar: a frequência das conversas e dos abraços, por exemplo. O que não muda, como meus melhores amigos podem atestar, é o carinho e o cuidado pelas pessoas que amamos. Eu sei que as pessoas maravilhosas que conheci em Goiânia não deixarão de participar dos meus dias, da mesma forma que ainda hoje Porto Alegre vive comigo. Saber disso me deixa mais confortável rumo a essa nova etapa da vida.

O amor que a gente sente não desaparece na distância. Ainda bem.

sexta-feira, outubro 18, 2013

Conhecendo a família do meu namorado

Quando percebi, estava numa sala sendo convidado para almoçar pela avó, madrinha, mãe da madrinha, prima e vizinha do meu namorado. "Esse é o Tales", disse a madrinha para o resto da mulherada. "O namorado". Achei que o mundo ia congelar, explodir ou algo assim. Jurei que naquele momento alguém ia derrubar um prato, chorar copiosamente ou me olhar atravessado.

Só que nada disso aconteceu. Eu e o digníssimo sentamos à mesa, fizemos uma refeição bem gostosinha e respondemos a perguntas típicas sobre quanto tempo estamos juntos e tal. Foi tudo normal.

Fiquei todo esperando que alguém chiasse, falasse mal da gente, dissesse que deus não aceita etc. Nada. Nem um pio. Não é só a minha família que é maravilhosa. Há esperança no mundo, gente!

terça-feira, outubro 15, 2013

Raposa vendedora

Comecei a vender meus livros usados (link aqui) e já reparo duas coisas curiosas e até então desconhecidas para mim. A primeira delas é o prazer de estar vendendo, anotando quem quer comprar o quê e organizando esse processo todo. É algo muito gostoso e não tem relação direta com a perspectiva de eu receber dinheiro por essas trocas. É o processo que está me encantando.

A segunda coisa curiosa é a liberdade que estou imaginando em minha estante. Quando separei os livros, eu deixei comigo vários sobre escrever, shiatsu e também meus famigerados livros eróticos. Eu gosto muito do que as pessoas pensam de mim quando percebem que tenho esses livros. Ou seja, meu tesão por eles não vem do fato de estarem recheados de pessoas nuas, mas de eu ser visto como alguém que tem livros eróticos. Não me parece um bom motivo. Até o fim de semana passarei por eles novamente (são 77) e acrescentarei ao Bazar aqueles que eu optar por me desfazer.

Ai, essa vida de vendedor.

sexta-feira, outubro 11, 2013

Deixando o homossexualismo (aff)

Na minha visita semanal à biblioteca estadual encontrei um livro maligno. Eu sempre disse aos quatro ventos que livro não é algo que a gente deva queimar, mas minha primeira vontade foi a de levar o danado até a bibliotecária e perguntar como eles têm coragem de expor aquele material nojento num lugar acessível a crianças e adolescentes.


Eu não sei no que acreditar. É muito, muito difícil respeitar a crença de quem defende que eu não deveria existir. Talvez seja assim que machistas homofóbicos psicopatas se sentem quando leem blogs como o da Lola. Nem posso dizer que minha crença é melhor do que a deles só porque não quero que eles morram lenta e dolorosamente (não sempre, ao menos).

A verdade é que busco um jeito para a minha forma de ver o mundo ser hegemônica. A verdade é que estar vivo em sociedade é sempre uma guerra em busca de definir qual ponto de vista predominará e quais serão extintos pelo caminho. Que vivências serão consideradas normais, que experiências serão julgadas como más ou inumanas. Por eu não haver nascido há mil anos, acho que matar para alcançar os meus fins e preservar meus afetos não é uma possibilidade cogitável. O que realmente me incomoda é que meus algozes não jogam pelas mesmas regras.

terça-feira, outubro 08, 2013

Alguns planos para o futuro

Eu tenho planos para uma grande mudança ano que vem, porém começo a sentir que eles não estão definidos o bastante. Tenho medo de me jogar na aventura e descobrir durante o caminho o que acontecerá. Iniciarei uma lista das coisas que busco para a minha vida.

Em primeiro lugar, quero conviver mais com escritores e artistas. Pessoas que vivem processos criativos artísticos podem compartilhar ideais e também servir de inspiração, seja pela inveja ou pelo companheirismo.

Quero continuar em contato com aprendizagens (livros, cursos) sobre escrever. É algo importante para mim e tenho visto o resultado de me aprimorar. A cada livro que devoro acabo aprendendo mais sobre estilo, técnica e também criatividade. Ler sobre as vivências de escritores também me dá uma certa noção acerca de como vivem pessoas que fazem ou fizeram da vida o que eu quero fazer da minha.

Preciso de pessoas críticas ao meu redor. Não pessoas que vão dizer coisas ruins para derrubar meu ânimo, até porque não me julgo forte o suficiente para resistir a esse tipo de pressão por agora. Quero pessoas que me ajudem a perceber minhas limitações e a lutar com elas, mas que não sejam condescendentes com meus defeitos ou equívocos.

Também necessito de gente que acredite em mim. Isso eu tenho, é verdade, mas não as encontro o suficiente. É algo a ser resolvido, já que uma boa dose de amizade e fé podem alimentar o espírito criativo mais do que imaginamos.

Desejo ser mais autêntico, egoísta, corajoso. Quero não ser tão influenciado pelas necessidades alheias. Eu tenho um propósito o qual não quero me desviar. Isso significará obrigatoriamente deixar algumas pessoas decepcionadas pelo caminho, mas me comprometo a tentar ser cada vez mais sincero, honesto e aberto. As pessoas saberão minhas intenções e seus limites, pois eu também saberei. Essa é a parte difícil.

Quero colocar em prática sistematicamente meu processo de criação. Não será fácil porque para isso precisarei liquidar todas as desculpas que normalmente me dou. Seria produtivo também desligar a internet.

Essas são as primeiras coisas que me vieram à cabeça. Ainda voltarei a essa lista várias vezes antes e depois de efetuar a mudança. Por agora eu só precisava organizar as primeiras reflexões. Obrigado pela atenção, se leu até aqui!

domingo, outubro 06, 2013

O que nos impede de agir?

Uma amiga quer transar com um cara, mas não teve coragem de dizer isso a ele. Ela não quer nada além de uma boa trepada com o sujeito, mas se pegou com medo do que ele poderia pensar dela, já que normalmente mulheres não tomam a iniciativa nem assumem que gostam de sexo. Sabemos que essa ideia de que mulheres não tomam iniciativa ou não gostam de sexo é fajuta. Não há nada dado no "ser mulher" que inclua frigidez ou falta de iniciativa. O que nós temos é uma complexa rede cultural ensinando os meninos a desde pequenos pegarem todas e as meninas a ficarem quietas para serem usadas. Como a gente muda isso? Através da educação, da família, das instituições sociais e... da ação. Absolutamente nada funciona como um exemplo mais poderoso do que a ação.

Minha amiga é feminista e tem interesse em lutar pelos direitos das mulheres e contra as opressões de gênero. Mesmo assim, se sente acanhada para agir em nome daquilo que acredita. Ela não é a única. Goethe já nos alertava:
Pensar é fácil, agir é difícil. E colocar nossos pensamentos em ação é a coisa mais difícil do mundo.
Quando fazemos algo que contraria as expectativas ou tradições (o machismo e a heteronormatividade infelizmente funcionam como tradições), podemos esperar algum tipo de reação. Afinal de contas, nós estamos afetando diretamente o modo como outras pessoas enxergam o mundo. Estamos lhes dizendo "não é assim que funciona". Isso dói e a tendência é tentar algo para interromper essa dor. Num mundo ideal, as pessoas assimilariam que seu modo de ver e viver é cruel e machuca outras pessoas e mudariam. Na vida real, as reações costumam ser mais violentas e opressivas.


Refletindo sobre isso, vejo que temos dois impedimentos básicos frente à ação "subversiva". A primeira delas acabei de mencionar, ou seja, a possibilidade de reação alheia. As outras pessoas provavelmente buscarão interferir no jeito que você deseja viver, essa é quase uma certeza da vida. São os guardiões das tradições ou dos próprios privilégios.

A segunda delas é mais complicada: precisamos estar abertos a nossas próprias resistências e limitações. Recusar preconceitos pode implicar deixar de rir em algumas situações que sempre pareceram engraçadas. Lutar contra a tortura de animais pode significar a necessidade de se reeducar e encontrar formas alternativas para se alimentar sem carne. Compreender o próximo pode requisitar que façamos uma releitura de nossas crenças mais profundas.

Em ambos os casos precisamos juntar coragem e, se possível, aliados, para que não precisemos lutar sozinhos. Infelizmente todo convite à mudança é uma luta, primeiro contra nós mesmos, depois contra o restante do mundo, mesmo quando aquilo pelo que lutamos é a paz ou a igualdade. Talvez principalmente nesse caso, aliás.

sábado, outubro 05, 2013

Fazer a coisa certa

Assisti aos primeiros episódios de Breaking Bad, um seriado sobre um professor de química diagnosticado com câncer de pulmão que acaba se tornando um traficante de drogas. Como muita gente estava falando a respeito, resolvi conferir.


O seriado gira em torno dos limites morais que estabelecemos para nosso convívio social e o que nos motiva a ultrapassá-los. De antemão já podemos supor que o professor bonzinho e medroso que se cala frente a tudo passará por alguma transformação. Ele tem um dado conhecimento e é capaz de, com os movimentos adequados, transformá-lo em poder.

Viver em sociedade normalmente implica seguirmos regras e abdicarmos de algumas possibilidades em nome do bem comum. Por exemplo, concordamos em não matar, não roubar, não agredir ou ofender (embora estes últimos sejam mais frequentes e recebam reações mais condescendentes que os dois primeiros). Ainda assim, há pessoas que matam, roubam, agridem e ofendem.

Eu fui criado para ser a pessoa que faz a coisa certa, que cuida dos outros, que defende os direitos e principalmente os deveres de todos. Se todos fôssemos criados como eu, provavelmente o mundo seria um lugar menos perigoso para se habitar. Seria muito menos interessante e diversificado, com certeza.  Só que, no fim das contas, não é exatamente isso que a gente está sempre fazendo? Tentando garantir que o nosso entorno seja mais parecido conosco? Atuando em nossas relações com nossos pequenos (e às vezes não tão pequenos) poderes em direção ao que acreditamos que é certo? Eu não vejo diferença, estritamente falando, entre um deputado fanático religioso homofóbico e uma ativista ecológica humanitária que se opõe a todo tipo de violência e exclusão. Ambos estão lutando para fazer a coisa certa.

Se alguma coisa, acho que podemos tirar disso a prova de que não existe essa tal de coisa certa. O que existe é aquilo que acreditamos confrontado pelo que os outros acreditam. Isso é o mundo.

segunda-feira, setembro 23, 2013

Praticando o desapego

Há uma grande mudança na vida agendada e para chegar a ela preciso de pequenos ensaios. Ontem, com a ajuda do meu namorado, dei um passo: livrei-me de roupas que não usava mais, que não serviam ou que usava muito pouco. Deixei um pacotão de roupas na rua para que alguém levasse, o que de fato aconteceu. O mesmo com alguns tênis antigos (mas não necessariamente velhos no sentido de acabados).

Ainda tenho muita roupa, muito livro, muito badulaque, muito xerox.
Meu critério está sendo simples: manterei comigo poucas coisas, o resto darei, venderei ou colocarei fora. Deixei separados meus livros em xerox para caso algum amigo queira. Tenho bons materiais, farei uma lista de cada título. O mesmo acontecerá com a maior parte dos meus livros. Meus ursos. Mais roupas. Meus móveis, eventualmente (a geladeira, o fogão, a máquina de lavar e o sofá já estão reservados... talvez uma estante também. Ainda tem a cama e outra estante e um armarinho e umas cadeirinhas e um mochinho e uma outra estantezinha e um criado-mudo com espelho e acho que também uma televisão).

Manterei apenas presentes artesanais, seguindo a sugestão de uma boa amiga. O restante deixará de me acompanhar na vida e passará a estar ao lado de outras pessoas.


O que eu quero com isso?
Ser uma nova pessoa. Ou talvez simplesmente ser, sem o peso de tantas coisas a ditarem quem eu sou ou posso ser.

Não está sendo um processo fácil. Quem me conhece sabe que guardo da vida presentes e memórias na forma de objetos.
Contudo, busco navegar pelo mundo de corpo leve e para isso preciso abrir mão de certas posses. Não sei onde estarei nos próximos anos, sei apenas que um destino está já delineado. Quem tiver interesse em saber datas e locais, basta me perguntar.

Enquanto desapego de desejos e objetos, não perco de vista uma coisa: a chance de ser feliz no presente, de aproveitar as pessoas e, principalmente, os amores. Isso é insubstituível.
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