"Vocês esperam uma intervenção divina, mas não sabem que o tempo agora está contra vocês"., cantei ontem com o Capital Inicial. Acho que sempre esperei que as coisas na vida se resolvessem por mágica, talvez porque na maior parte das vezes eu seja uma pessoa relativamente privilegiada (branco, classe média, não exatamente feio etc.). As coisas meio que sempre foram acontecendo e eu fui acompanhando, muito mais do que tomando as rédeas. Acho que é daí que vem o meu medo.
* * * * *
Ontem conheci o Passeio das Águas, novo shopping aqui de Goiânia, com meu namorado e dois amigos dele. É grande, concordo, mas achava que seria imenso, inconcebível, incomensurável. Nem é, é só grande, mesmo. Ainda bem, porque fica longe e precisa caminhar um bocado depois (ou antes, na volta) de pegar o ônibus.
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terça-feira, novembro 05, 2013
terça-feira, outubro 08, 2013
Alguns planos para o futuro
Eu tenho planos para uma grande mudança ano que vem, porém começo a sentir que eles não estão definidos o bastante. Tenho medo de me jogar na aventura e descobrir durante o caminho o que acontecerá. Iniciarei uma lista das coisas que busco para a minha vida.
Em primeiro lugar, quero conviver mais com escritores e artistas. Pessoas que vivem processos criativos artísticos podem compartilhar ideais e também servir de inspiração, seja pela inveja ou pelo companheirismo.
Quero continuar em contato com aprendizagens (livros, cursos) sobre escrever. É algo importante para mim e tenho visto o resultado de me aprimorar. A cada livro que devoro acabo aprendendo mais sobre estilo, técnica e também criatividade. Ler sobre as vivências de escritores também me dá uma certa noção acerca de como vivem pessoas que fazem ou fizeram da vida o que eu quero fazer da minha.
Preciso de pessoas críticas ao meu redor. Não pessoas que vão dizer coisas ruins para derrubar meu ânimo, até porque não me julgo forte o suficiente para resistir a esse tipo de pressão por agora. Quero pessoas que me ajudem a perceber minhas limitações e a lutar com elas, mas que não sejam condescendentes com meus defeitos ou equívocos.
Também necessito de gente que acredite em mim. Isso eu tenho, é verdade, mas não as encontro o suficiente. É algo a ser resolvido, já que uma boa dose de amizade e fé podem alimentar o espírito criativo mais do que imaginamos.
Desejo ser mais autêntico, egoísta, corajoso. Quero não ser tão influenciado pelas necessidades alheias. Eu tenho um propósito o qual não quero me desviar. Isso significará obrigatoriamente deixar algumas pessoas decepcionadas pelo caminho, mas me comprometo a tentar ser cada vez mais sincero, honesto e aberto. As pessoas saberão minhas intenções e seus limites, pois eu também saberei. Essa é a parte difícil.
Quero colocar em prática sistematicamente meu processo de criação. Não será fácil porque para isso precisarei liquidar todas as desculpas que normalmente me dou. Seria produtivo também desligar a internet.
Essas são as primeiras coisas que me vieram à cabeça. Ainda voltarei a essa lista várias vezes antes e depois de efetuar a mudança. Por agora eu só precisava organizar as primeiras reflexões. Obrigado pela atenção, se leu até aqui!
Em primeiro lugar, quero conviver mais com escritores e artistas. Pessoas que vivem processos criativos artísticos podem compartilhar ideais e também servir de inspiração, seja pela inveja ou pelo companheirismo.
Quero continuar em contato com aprendizagens (livros, cursos) sobre escrever. É algo importante para mim e tenho visto o resultado de me aprimorar. A cada livro que devoro acabo aprendendo mais sobre estilo, técnica e também criatividade. Ler sobre as vivências de escritores também me dá uma certa noção acerca de como vivem pessoas que fazem ou fizeram da vida o que eu quero fazer da minha.
Preciso de pessoas críticas ao meu redor. Não pessoas que vão dizer coisas ruins para derrubar meu ânimo, até porque não me julgo forte o suficiente para resistir a esse tipo de pressão por agora. Quero pessoas que me ajudem a perceber minhas limitações e a lutar com elas, mas que não sejam condescendentes com meus defeitos ou equívocos.
Também necessito de gente que acredite em mim. Isso eu tenho, é verdade, mas não as encontro o suficiente. É algo a ser resolvido, já que uma boa dose de amizade e fé podem alimentar o espírito criativo mais do que imaginamos.
Desejo ser mais autêntico, egoísta, corajoso. Quero não ser tão influenciado pelas necessidades alheias. Eu tenho um propósito o qual não quero me desviar. Isso significará obrigatoriamente deixar algumas pessoas decepcionadas pelo caminho, mas me comprometo a tentar ser cada vez mais sincero, honesto e aberto. As pessoas saberão minhas intenções e seus limites, pois eu também saberei. Essa é a parte difícil.
Quero colocar em prática sistematicamente meu processo de criação. Não será fácil porque para isso precisarei liquidar todas as desculpas que normalmente me dou. Seria produtivo também desligar a internet.
Essas são as primeiras coisas que me vieram à cabeça. Ainda voltarei a essa lista várias vezes antes e depois de efetuar a mudança. Por agora eu só precisava organizar as primeiras reflexões. Obrigado pela atenção, se leu até aqui!
terça-feira, setembro 24, 2013
Como lidar com a insegurança
Tenho lido muitos livros para escritores e os dois mais recentes, Escrevendo com a alma e Becoming a writer, tocam em um ponto essencial: o sentimento de fraude que acompanha a pessoa que trabalha artisticamente com as palavras. A razão é simples: todo mundo usa a linguagem no dia a dia e já muita gente escreveu coisas magníficas. No fim do dia bate aquela insegurança: será que o que eu faço é bom o suficiente para valer a pena?
Tanto Natalie Goldberg quanto Dorothea Brande tratam nossas dúvidas e inseguranças observando que temos uma parcela da nossa mente dedicada a julgar e censurar aquilo que fazemos. Esse pedacinho de nós é responsável por nos frear, por ficar repetindo "não vai dar certo" bem no cantinho do nosso ouvido. Dependendo da nossa disposição, é capaz de acreditarmos nessa vozinha e desistirmos.
A insegurança é um hábito de imaginarmos um mundo ideal e só agirmos quando temos certeza de que os resultados alcançados serão exatamente aqueles esperados. Geramos tanta expectativa que nos paralisamos diante da primeira resistência oferecida pela realidade. Logo estamos pensando: se é tão difícil e não vai dar certo como eu imaginava, pra que tentar? A verdade é que não há uma boa resposta para essa pergunta, especialmente porque é uma péssima pergunta.
As coisas não precisam ser como nós imaginamos, não é assim que a realidade funciona. Elas só precisam ser como são, o resto é com a gente. A reflexão vem do budismo: nós sofremos porque criamos expectativa de que a vida seja diferente do que ela é. Ah, então tenho que aceitar que sou ruim e não escrever mesmo, né? Não. Esse é o segredo para lidarmos com a insegurança: precisamos mudar nosso hábito de criar expectativas. No meu caso, a prática vai melhorar o meu texto e eu continuarei escrevendo porque acredito que essa é uma arte que dá sentido para a minha existência.
Para acreditar nisso, tenho me forçado a duas coisas:
1. Agir. Não adianta nada eu querer o mundo e ficar em casa jogando, na rua bebendo ou no trabalho vendendo meu tempo. A vida só responde a ações, nunca a pensamentos. Minhas desculpas para quem acredita no "Segredo", mas não adianta só mentalizar coisas positivas. Se não agir, puf, não muda nada.
2. Mudar ideias. Toda vez que me pego pensando que meu texto é ruim ou que ninguém vai publicá-lo ou que eu deveria ter um trabalho convencional ou que ninguém lê mais ou qualquer outra coisa cuja função é simplesmente me colocar para baixo, eu paro e penso: de onde vem essa ideia e para o que ela serve? Quase sempre a resposta é: vem da minha insegurança, do meu eu que faz julgamentos e tem medo de errar, e serve apenas para deixá-lo confortável. Eu não quero que meu lado medroso fique confortável! Eu quero que meu lado raposa, esse lado criativo e emocional que todos nós temos, esteja solto e sadio para viver e experimentar o mundo. Quando essas ideias tentam invadir minha cabeça, então, eu olho para o papel colado na parede dizendo "Escreva!" e obedeço, porque sei que pensamentos são mais fracos que ações e que se algo vai me ajudar a alcançar o que desejo para a vida são minhas ações e não os meus pensamentos.
Eu não tenho uma fórmula mágica para acabar com a insegurança. O que tenho é meu próprio caminho na busca por ser menos refém do meu eu medroso e mais aliado do meu eu raposa.
Tanto Natalie Goldberg quanto Dorothea Brande tratam nossas dúvidas e inseguranças observando que temos uma parcela da nossa mente dedicada a julgar e censurar aquilo que fazemos. Esse pedacinho de nós é responsável por nos frear, por ficar repetindo "não vai dar certo" bem no cantinho do nosso ouvido. Dependendo da nossa disposição, é capaz de acreditarmos nessa vozinha e desistirmos.
A insegurança é um hábito de imaginarmos um mundo ideal e só agirmos quando temos certeza de que os resultados alcançados serão exatamente aqueles esperados. Geramos tanta expectativa que nos paralisamos diante da primeira resistência oferecida pela realidade. Logo estamos pensando: se é tão difícil e não vai dar certo como eu imaginava, pra que tentar? A verdade é que não há uma boa resposta para essa pergunta, especialmente porque é uma péssima pergunta.
As coisas não precisam ser como nós imaginamos, não é assim que a realidade funciona. Elas só precisam ser como são, o resto é com a gente. A reflexão vem do budismo: nós sofremos porque criamos expectativa de que a vida seja diferente do que ela é. Ah, então tenho que aceitar que sou ruim e não escrever mesmo, né? Não. Esse é o segredo para lidarmos com a insegurança: precisamos mudar nosso hábito de criar expectativas. No meu caso, a prática vai melhorar o meu texto e eu continuarei escrevendo porque acredito que essa é uma arte que dá sentido para a minha existência.
Para acreditar nisso, tenho me forçado a duas coisas:
1. Agir. Não adianta nada eu querer o mundo e ficar em casa jogando, na rua bebendo ou no trabalho vendendo meu tempo. A vida só responde a ações, nunca a pensamentos. Minhas desculpas para quem acredita no "Segredo", mas não adianta só mentalizar coisas positivas. Se não agir, puf, não muda nada.
2. Mudar ideias. Toda vez que me pego pensando que meu texto é ruim ou que ninguém vai publicá-lo ou que eu deveria ter um trabalho convencional ou que ninguém lê mais ou qualquer outra coisa cuja função é simplesmente me colocar para baixo, eu paro e penso: de onde vem essa ideia e para o que ela serve? Quase sempre a resposta é: vem da minha insegurança, do meu eu que faz julgamentos e tem medo de errar, e serve apenas para deixá-lo confortável. Eu não quero que meu lado medroso fique confortável! Eu quero que meu lado raposa, esse lado criativo e emocional que todos nós temos, esteja solto e sadio para viver e experimentar o mundo. Quando essas ideias tentam invadir minha cabeça, então, eu olho para o papel colado na parede dizendo "Escreva!" e obedeço, porque sei que pensamentos são mais fracos que ações e que se algo vai me ajudar a alcançar o que desejo para a vida são minhas ações e não os meus pensamentos.
Eu não tenho uma fórmula mágica para acabar com a insegurança. O que tenho é meu próprio caminho na busca por ser menos refém do meu eu medroso e mais aliado do meu eu raposa.
sábado, setembro 14, 2013
Um escritor tímido
Hoje fui a uma feira de troca-troca feminista com meu livro na bolsa e muita timidez na hora de mostrá-lo ao mundo. "Ah, você é tímido, tem que mostrar o livro", dizem-me como se palavras pudessem mudar minha disposição frente ao mundo. Sério, obrigado pela preocupação e pelo impulso, ajuda mesmo, mas não muda nada, amanhã deixo o livro guardado de novo.
Ser tímido é uma droga, é como ter medo do mundo.
Por meio das letras eu sou raposa, livre para viver e dizer o que penso e desejo.
Anotações para o futuro: que fique no passado o meu medo de ser.
Ser tímido é uma droga, é como ter medo do mundo.
Por meio das letras eu sou raposa, livre para viver e dizer o que penso e desejo.
Anotações para o futuro: que fique no passado o meu medo de ser.
terça-feira, setembro 03, 2013
Inércia
Há um perigo forte em não ter uma rotina diária: a possibilidade de se criar uma rotina perigosamente dedicada à preguiça. Passei os últimos três dias envolvido com quase nada útil, num desperdício de tempo (e de vida, obviamente) que não é aceitável, ao menos não para quem tem planos de futuro como eu acabei de escrever (ontem).
Certo, hora de tirar o atraso. Hoje: contenção de danos. Amanhã: limpar a casa.
O que seria da minha vida sem a Raposa Antropomórfica para acompanhar meus passos e pensar sobre a vida?
Certo, hora de tirar o atraso. Hoje: contenção de danos. Amanhã: limpar a casa.
O que seria da minha vida sem a Raposa Antropomórfica para acompanhar meus passos e pensar sobre a vida?
quinta-feira, agosto 29, 2013
Tempos difíceis para os sonhadores
No filme O fabuloso destino de Amélie Poulain há um momento em que falam que atualmente são tempos difíceis para os sonhadores.
Ando assim meio pensativo, parte dolorido, parte sonhador.
Por enquanto, aproveito que posso e sonho. Espero, se possível, compartilhar esses pedacinhos de imaginação com outras pessoas. Afetá-las. Não consigo evitar: quero que minha vida seja feita de mudar a dos outros.
Ando assim meio pensativo, parte dolorido, parte sonhador.
Por enquanto, aproveito que posso e sonho. Espero, se possível, compartilhar esses pedacinhos de imaginação com outras pessoas. Afetá-las. Não consigo evitar: quero que minha vida seja feita de mudar a dos outros.
domingo, agosto 11, 2013
Devo contratar um agente literário?
Hoje fui pesquisar sobre agentes literários e, mais uma vez, cheguei à conclusão de que quero que alguém me diga Tales, tu pode fazer isso. É como se eu precisasse de permissão alheia não apenas para tomar as minhas decisões, mas para viver com elas. Essa é a razão pela qual eu quis procurar um agente literário, para me livrar da responsabilidade de fazer um trabalho que inicialmente deve ser meu: o de buscar meu espaço entre quem publica.
A mesma coisa tem acontecido sobre eu me dedicar a escrever mais e talvez não fazer o doutorado ano que vem. Estou o tempo inteiro conversando com meus amigos e perguntando o que acham disso. Eu já sei o que eu acho e já estou mais ou menos decidido, então não são as opiniões que estão mudando alguma coisa no meu pensar. São as permissões. Eu estou pedindo permissão para ser quem eu sou e isso não é legal.
De toda forma, estou no meio desse processo louco de descobrir meu lado raposa escritora, o que é um sofrimento, mas também um prazer sem igual. Entre sexta e hoje concluí dois contos. O meu medo de escrever e de dar a cara a tapas está diminuindo à medida em que aumenta minha confiança nas letras.
Em resumo, respondo a pergunta do título: se tu já tem um caminho na literatura se formando, beleza, talvez seja bacana ter um profissional mediando o processo. Isso é o que eu aprendi na minha breve pesquisa. Do contrário, te concentra em aprimorar a tua técnica e a tua arte. Sem a produção não há resultado. Não há como eu alcançar o meu sonho de ser escritor famoso sem colocar em prática a obviedade de ser escritor.
A mesma coisa tem acontecido sobre eu me dedicar a escrever mais e talvez não fazer o doutorado ano que vem. Estou o tempo inteiro conversando com meus amigos e perguntando o que acham disso. Eu já sei o que eu acho e já estou mais ou menos decidido, então não são as opiniões que estão mudando alguma coisa no meu pensar. São as permissões. Eu estou pedindo permissão para ser quem eu sou e isso não é legal.
De toda forma, estou no meio desse processo louco de descobrir meu lado raposa escritora, o que é um sofrimento, mas também um prazer sem igual. Entre sexta e hoje concluí dois contos. O meu medo de escrever e de dar a cara a tapas está diminuindo à medida em que aumenta minha confiança nas letras.
Em resumo, respondo a pergunta do título: se tu já tem um caminho na literatura se formando, beleza, talvez seja bacana ter um profissional mediando o processo. Isso é o que eu aprendi na minha breve pesquisa. Do contrário, te concentra em aprimorar a tua técnica e a tua arte. Sem a produção não há resultado. Não há como eu alcançar o meu sonho de ser escritor famoso sem colocar em prática a obviedade de ser escritor.
sexta-feira, agosto 09, 2013
Um escritor precisa de um escritório?
Escritório: "compartimento ou cômodo de um imóvel destinado à leitura e ao ato de escrever; gabinete".
Eu passei da fase 'quero ser' para a 'sou' um escritor. Ter o primeiro conto publicado não é o que causou esse efeito, mas veio junto. Ser alguma coisa é muito mais um estado de espírito e de crença do que qualquer outra coisa. Sou escritor porque as letras que costuro fazem a minha vida. Então por que eu continuo procrastinando?
De vez em quando me pego pensando que num ambiente melhor eu escreveria de forma mais contínua. Uma sala toda dedicada à escrita e livre das tentações do mundo, um espaço recheado de boas energias num campo lotado de árvores, ou quem sabe uma praia. É possível que seja verdade, que lugares assim tão especiais realmente influenciem o ato de produzir. As distrações, bem sabemos, são cruéis.
Só que tem algo que a gente esquece o tempo inteiro. Bem, eu pelo menos vivo me enredando nesse mesmo probleminha: o tesão de escrever é meu, não do resto do mundo. De levantar, sentar na cadeira e passar horas digitando, rabiscando, pensando em desenvolvimentos para histórias. Nada nem ninguém pode me obrigar a dar continuidade para o meu sonho senão eu mesmo. Ainda assim, arranjo desculpas infinitas para não ir pra frente.
Quando dei o primeiro passo mais firme em direção a 'ser escritor', achei que o serviço estava feito e que dali em diante tudo seria tranquilo. Não, não mesmo! Eu tenho o irritante hábito de jogar contra meus próprios interesses e sonhos. Um hábito assim tão enraizado não desaparece só porque a gente publicou um ou outro texto, ou só porque novamente as pessoas nos reconhecem como escritores. Um hábito assim não morre jamais. A única coisa que podemos fazer é substituí-lo por outro que nos faça feliz.
Eu passei da fase 'quero ser' para a 'sou' um escritor. Ter o primeiro conto publicado não é o que causou esse efeito, mas veio junto. Ser alguma coisa é muito mais um estado de espírito e de crença do que qualquer outra coisa. Sou escritor porque as letras que costuro fazem a minha vida. Então por que eu continuo procrastinando?
De vez em quando me pego pensando que num ambiente melhor eu escreveria de forma mais contínua. Uma sala toda dedicada à escrita e livre das tentações do mundo, um espaço recheado de boas energias num campo lotado de árvores, ou quem sabe uma praia. É possível que seja verdade, que lugares assim tão especiais realmente influenciem o ato de produzir. As distrações, bem sabemos, são cruéis.
Só que tem algo que a gente esquece o tempo inteiro. Bem, eu pelo menos vivo me enredando nesse mesmo probleminha: o tesão de escrever é meu, não do resto do mundo. De levantar, sentar na cadeira e passar horas digitando, rabiscando, pensando em desenvolvimentos para histórias. Nada nem ninguém pode me obrigar a dar continuidade para o meu sonho senão eu mesmo. Ainda assim, arranjo desculpas infinitas para não ir pra frente.
Quando dei o primeiro passo mais firme em direção a 'ser escritor', achei que o serviço estava feito e que dali em diante tudo seria tranquilo. Não, não mesmo! Eu tenho o irritante hábito de jogar contra meus próprios interesses e sonhos. Um hábito assim tão enraizado não desaparece só porque a gente publicou um ou outro texto, ou só porque novamente as pessoas nos reconhecem como escritores. Um hábito assim não morre jamais. A única coisa que podemos fazer é substituí-lo por outro que nos faça feliz.
quinta-feira, agosto 08, 2013
Das coisas que eu quero
Mandei hoje para uma amiga essa mensagem em resposta a uma em que ela perguntava qual é o meu sonho de vida, o que eu quero para o meu futuro, o que eu amo fazer. Nossos e-mails frequentemente são sessões de terapia.
Duas coisas são as que mais me enchem de prazer, a ordem de qual vem primeira se alterna com o tempo: escrever e conversar sobre a vida (com ou das pessoas com as quais converso). Eu sou apaixonado por histórias, narrativas e o modo como elas são criadas, desenvolvidas e percebidas. Sempre que eu penso "o que eu gostaria de estar fazendo", a resposta passa por "escrever", mas eu fico com um baita medo de ser uma fraude, de não ser alguém que consegue escrever direito, sabe? É a mesma coisa que eu sinto na sala de aula: um profundo medo de que um dia alguém chegará até em mim e descobrirá que na verdade eu não sei nada daquilo, que eu estou lá apenas por um golpe de sorte do destino.
Eu não faço questão de mais dinheiro. Ele só me é necessário para manter a vida acontecendo (comida, moradia, deslocamento, essas coisas básicas) e eventualmente sustentar alguns luxos, como viagens e uma ou outra coisa mais cara (como uma noite de sushis, por exemplo). O que eu ganho mensalmente hoje é o suficiente para atender a todas essas necessidades atuais, mas conforme eu for ficando mais velho talvez surjam outras ainda imprevistas. Nada que escape profundamente do orçamento, creio.
Eu adoro dar aula por basicamente um motivo: isso me coloca em contato com pessoas que estão interessadas em, de alguma forma, se desenvolver, crescer, conversar, aprender. São coisas que muitas vezes eu acredito que consigo ajudar. Eu adoro ter retorno sobre os meus textos também pela mesma razão: mais de uma vez alguém já veio me dizer que minhas palavras no blog produziram reflexões fortes, que mexeram fundo em algo que a pessoa estava pensando para si.
Isso é muito certo pra mim: eu quero escrever cada vez mais.
O meu medo maior é que o mundo acadêmico roube isso de mim caso eu invista no doutorado.
Duas coisas são as que mais me enchem de prazer, a ordem de qual vem primeira se alterna com o tempo: escrever e conversar sobre a vida (com ou das pessoas com as quais converso). Eu sou apaixonado por histórias, narrativas e o modo como elas são criadas, desenvolvidas e percebidas. Sempre que eu penso "o que eu gostaria de estar fazendo", a resposta passa por "escrever", mas eu fico com um baita medo de ser uma fraude, de não ser alguém que consegue escrever direito, sabe? É a mesma coisa que eu sinto na sala de aula: um profundo medo de que um dia alguém chegará até em mim e descobrirá que na verdade eu não sei nada daquilo, que eu estou lá apenas por um golpe de sorte do destino.
Eu não faço questão de mais dinheiro. Ele só me é necessário para manter a vida acontecendo (comida, moradia, deslocamento, essas coisas básicas) e eventualmente sustentar alguns luxos, como viagens e uma ou outra coisa mais cara (como uma noite de sushis, por exemplo). O que eu ganho mensalmente hoje é o suficiente para atender a todas essas necessidades atuais, mas conforme eu for ficando mais velho talvez surjam outras ainda imprevistas. Nada que escape profundamente do orçamento, creio.
Eu adoro dar aula por basicamente um motivo: isso me coloca em contato com pessoas que estão interessadas em, de alguma forma, se desenvolver, crescer, conversar, aprender. São coisas que muitas vezes eu acredito que consigo ajudar. Eu adoro ter retorno sobre os meus textos também pela mesma razão: mais de uma vez alguém já veio me dizer que minhas palavras no blog produziram reflexões fortes, que mexeram fundo em algo que a pessoa estava pensando para si.
Isso é muito certo pra mim: eu quero escrever cada vez mais.
O meu medo maior é que o mundo acadêmico roube isso de mim caso eu invista no doutorado.
segunda-feira, julho 22, 2013
Comentários indiscretos
Os últimos dias acrescentaram uma característica ao tipo de pessoa que eu desejo ser na vida: alguém que fala as coisas para as pessoas, não sobre as pessoas. Estou sendo motivado por supostos amigos – a palavra melhor seria 'colegas' –, que não manifestaram para mim as suas preocupações com minha carreira ou com minhas decisões de pesquisa, mas para vários outros.
"Ah, mas quem é tu para falar?", alguém poderia perguntar. A minha resposta seria dar de ombros. Já falei mal de muita gente e acho que ainda falo. Por isso trata-se de uma característica de alguém que desejo ser e já antecipo que isso me conforta: sei que estou tomando medidas para me tornar uma pessoa que, acredito, é melhor do que quem eu sou hoje.
Taí um belo projeto de vida: ser uma pessoa melhor.
quarta-feira, junho 12, 2013
Aquele velho medo
Ontem desenterrei um medo antigo que achava que já havia matado. Mentira, sempre soube que ele só estava trancafiado em algum porão da minha mente. Ontem ele se viu livre das minhas amarras – tão frágeis! – e ainda zombou de mim.
Aconteceu durante um evento do programa de pós-graduação em Arte e Cultura Visual. Eu havia submetido um trabalho para apresentação e, selecionado, deveria apresentá-lo ontem. Perfeito, eu já tinha a apresentação ajeitada desde minha última participação em evento acadêmico, ano passado (em minha defesa, o público era completamente diferente, então ninguém foi obrigado a me assistir falando as mesmas coisas duas vezes). Até aí tudo bem, separei minhas coisas, levei o arquivo da minha apresentação na pendrive e no e-mail, cheguei lá e sem dificuldades instalei o arquivo para quando chegasse a minha vez. Quatro pessoas apresentariam na minha frente.
Antes da primeira apresentação começar, a sala foi enchendo. Fiquei maravilhado com a qualidade do público, mestres e doutores e pós-doutores, todos do mais alto gabarito. Um deles, em particular, acordou dentro de mim esse monstrinho feito de medo e inconsistência de raciocínio. Fim das três apresentações, discussões, intervalo. Todo mundo saiu da sala. Dentro de meia hora seria a minha vez. Quando voltamos da interrupção menos da metade das pessoas retornou. Aqui uma crítica, embora eu enxergue o sentido: os três primeiros apresentantes eram professores gabaritados de altas instituições, enquanto os três restantes eram um mestrando e dois recém-mestres. Tudo bem, tudo bem, ainda não temos esse prestígio todo.
Durante metade da apresentação, tudo bem. Sala com algumas pessoas, mas ninguém para me deixar particularmente nervoso. Até que ele voltou, trazendo consigo não apenas a presença, mas também os medos e assuntos não resolvidos. Por horas durante o intervalo de quinze minutos imaginei conversas e respostas e perguntas e até mesmo tiradas altamente intelectuais que pudessem acontecer entre nós, mas o que transcorreu entre nós foi o silêncio. Levantei, apresentei o meu trabalho, e não sei se por cortesia ou desinteresse, meu monstrinho partiu logo após a minha fala.
Anos atrás, quando eu praticava aikido, uma arte marcial que prima pela harmonia e pela defesa, não pelo ataque, conheci um praticante faixa preta que era extremamente agressivo, ao menos para os meus padrões de raposa delicada. Eu não gostava dele, mas ao mesmo tempo nutria certa admiração. Eu tinha medo dele, na verdade. Encontrá-lo no tatame e treinar com ele eram suplícios para mim e, abruptamente, se tornaram motivos para desistir da arte marcial que eu já treinava havia três anos. Pensar nele por muito tempo significou despertar raivas e frustrações. Raiva de alguém que é completamente diferente do que eu gostaria que fosse, frustração por ter sido desafiado além dos meus limites e obrigado a enxergar esses contornos mais do que bem definidos. Hoje tenho certeza que o que me ofendeu e fez fugir não foi a agressão – controlada –, mas a percepção do meu próprio limite.
Tudo isso voltou ontem ao cruzar com alguém que teve o mesmo efeito de admiração e medo. Por bastante tempo troquei a admiração por raiva como justificativa ideológica para tocar a vida sem me aperceber dos limites que foram expostos feito ferida aberta. Tudo isso passava pela minha cabeça ontem depois das apresentações, depois dos encontros forçados, porém não dialogados. Não havia muito o que dizer além de oi e tudo bem, nem para mim nem para ele. Ou eles, pois se deixarmos esses medos e desconfortos se multiplicam fácil.
A vida, porém, essa velha ousada, não ia me deixar em paz. Cruzamo-nos no banheiro, só eu e ele, na porta, de modo que precisamos parar frente um ao outro. Foi o suficiente para uma pergunta e para a minha tão alardeada inteligência fugir correndo para algum lugar inalcançável. Respondi qualquer besteira que minutos depois não fazia sentido nem mesmo para mim. Fui embora com o peso de um encontro marcado pela minha inabilidade de resolver meus próprios medos.
Se aprendi alguma coisa ontem, foi que enterrar medos não os resolve. Eles continuam lá esperando uma fresta pela qual possam passar. E passam, ah como passam.
Aconteceu durante um evento do programa de pós-graduação em Arte e Cultura Visual. Eu havia submetido um trabalho para apresentação e, selecionado, deveria apresentá-lo ontem. Perfeito, eu já tinha a apresentação ajeitada desde minha última participação em evento acadêmico, ano passado (em minha defesa, o público era completamente diferente, então ninguém foi obrigado a me assistir falando as mesmas coisas duas vezes). Até aí tudo bem, separei minhas coisas, levei o arquivo da minha apresentação na pendrive e no e-mail, cheguei lá e sem dificuldades instalei o arquivo para quando chegasse a minha vez. Quatro pessoas apresentariam na minha frente.
Antes da primeira apresentação começar, a sala foi enchendo. Fiquei maravilhado com a qualidade do público, mestres e doutores e pós-doutores, todos do mais alto gabarito. Um deles, em particular, acordou dentro de mim esse monstrinho feito de medo e inconsistência de raciocínio. Fim das três apresentações, discussões, intervalo. Todo mundo saiu da sala. Dentro de meia hora seria a minha vez. Quando voltamos da interrupção menos da metade das pessoas retornou. Aqui uma crítica, embora eu enxergue o sentido: os três primeiros apresentantes eram professores gabaritados de altas instituições, enquanto os três restantes eram um mestrando e dois recém-mestres. Tudo bem, tudo bem, ainda não temos esse prestígio todo.
Durante metade da apresentação, tudo bem. Sala com algumas pessoas, mas ninguém para me deixar particularmente nervoso. Até que ele voltou, trazendo consigo não apenas a presença, mas também os medos e assuntos não resolvidos. Por horas durante o intervalo de quinze minutos imaginei conversas e respostas e perguntas e até mesmo tiradas altamente intelectuais que pudessem acontecer entre nós, mas o que transcorreu entre nós foi o silêncio. Levantei, apresentei o meu trabalho, e não sei se por cortesia ou desinteresse, meu monstrinho partiu logo após a minha fala.
Anos atrás, quando eu praticava aikido, uma arte marcial que prima pela harmonia e pela defesa, não pelo ataque, conheci um praticante faixa preta que era extremamente agressivo, ao menos para os meus padrões de raposa delicada. Eu não gostava dele, mas ao mesmo tempo nutria certa admiração. Eu tinha medo dele, na verdade. Encontrá-lo no tatame e treinar com ele eram suplícios para mim e, abruptamente, se tornaram motivos para desistir da arte marcial que eu já treinava havia três anos. Pensar nele por muito tempo significou despertar raivas e frustrações. Raiva de alguém que é completamente diferente do que eu gostaria que fosse, frustração por ter sido desafiado além dos meus limites e obrigado a enxergar esses contornos mais do que bem definidos. Hoje tenho certeza que o que me ofendeu e fez fugir não foi a agressão – controlada –, mas a percepção do meu próprio limite.
Tudo isso voltou ontem ao cruzar com alguém que teve o mesmo efeito de admiração e medo. Por bastante tempo troquei a admiração por raiva como justificativa ideológica para tocar a vida sem me aperceber dos limites que foram expostos feito ferida aberta. Tudo isso passava pela minha cabeça ontem depois das apresentações, depois dos encontros forçados, porém não dialogados. Não havia muito o que dizer além de oi e tudo bem, nem para mim nem para ele. Ou eles, pois se deixarmos esses medos e desconfortos se multiplicam fácil.
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| Você não pode se livrar de seus medos, mas pode aprender a viver com eles. - Mais chá? |
A vida, porém, essa velha ousada, não ia me deixar em paz. Cruzamo-nos no banheiro, só eu e ele, na porta, de modo que precisamos parar frente um ao outro. Foi o suficiente para uma pergunta e para a minha tão alardeada inteligência fugir correndo para algum lugar inalcançável. Respondi qualquer besteira que minutos depois não fazia sentido nem mesmo para mim. Fui embora com o peso de um encontro marcado pela minha inabilidade de resolver meus próprios medos.
Se aprendi alguma coisa ontem, foi que enterrar medos não os resolve. Eles continuam lá esperando uma fresta pela qual possam passar. E passam, ah como passam.
terça-feira, fevereiro 26, 2013
É mais cômodo ser quem eu já sou
Esse texto é melhor lido acompanhado da música a seguir.
Alguns acontecimentos separados me levaram à conclusão do título e ao desejo de não me conformar. O primeiro deles foi o exame de nível para o curso de francês no Centro de Línguas da UFG. Fui lá, me inscrevi para o nível dois e passei. Aliás, "passei", já que não fui exatamente bem na prova escrita e se minha avaliadora não fosse extremamente simpática e de bem com a vida, minha prova oral teria sido zerada. Enfim, passei e logo voltarei a estudar o francês.
"Não consigo te imaginar nessa situação", disse uma amiga. Faz sentido, eu quase nunca me permito viver momentos de risco. Se há possibilidade de falhar ou ir mal, eu não faço. De alguma forma, isso se amplia com relação a aprender coisas novas. "Não sou autodidata", eu digo, acho que mais pelo medo de não chegar ao nível de excelência que espero do que pela pressa de aprender rápido ou pelo esforço de me empenhar. Eu só fui fazer a prova de francês porque na minha memória as palavras e frases fluíam mais facilmente do que a realidade demonstrou.
Essa mesma amiga esteve por um tempo ensinando-me a cozinhar. Coisas simples, ação do fogo, água borbulhando, temperos se misturando. Coisas complexas, também. Para mim, o exercício de cozinhar está fundamentalmente conectado ao fazer compras, ter ingredientes e inventar combinações. Gosto de fazer as coisas ao contrário: primeiro compro algo, depois decido o que fazer com o que comprei. Isso dá origem às minhas "semanas da batata" ou ao "mês do pimentão" (ainda bem que existem pimentões de várias cores!). Como desculpa para não cozinhar, xingo a falta de qualidade do mercado mais próximo, acordo tarde demais para a feira no sábado e reclamo que os mercados decentes ficam longe demais. Tudo bobagens e desculpas tolas, já que a maior parte disso é mais do que trabalhável com um pouco menos de preguiça.
Para completar, namoro a possibilidade de aprender a desenhar há anos. Fiz uma especialização em Expressão Gráfica, oras! Um curso no qual resisti por um semestre inteiro a sequer tentar desenhar, sempre procurando formas de esquivar da prática com o lápis. Terminado o curso, percebo que meu traço evoluiu absurdamente. Isso faz três ou quatro anos e quase nunca pratiquei desde então.
Tudo isso me leva a refletir sobre quão mais fácil é existir do que viver, simplesmente estar ali e de vez em quando fazer o que se tem vontade, isso se não for muita canseira. Fico aqui esperando que outras pessoas entrem na minha vida e me coloquem em movimento, que me ensinem, que me proporcionem aprendizagens. O que eu quero para mim vai ficando em segundo plano. Terceiro. Quarto.
Por mais que me doa reafirmar, ainda estou longe de ser a pessoa que gostaria: alguém que vive. O pior de tudo é saber que essa mudança "tão simples" que almejo para mim não depende de mais ninguém. Eu devo me tornar a pessoa que imagino, viver a vida que desejo e parar de inventar desculpas pelo caminho.
Alguns acontecimentos separados me levaram à conclusão do título e ao desejo de não me conformar. O primeiro deles foi o exame de nível para o curso de francês no Centro de Línguas da UFG. Fui lá, me inscrevi para o nível dois e passei. Aliás, "passei", já que não fui exatamente bem na prova escrita e se minha avaliadora não fosse extremamente simpática e de bem com a vida, minha prova oral teria sido zerada. Enfim, passei e logo voltarei a estudar o francês.
"Não consigo te imaginar nessa situação", disse uma amiga. Faz sentido, eu quase nunca me permito viver momentos de risco. Se há possibilidade de falhar ou ir mal, eu não faço. De alguma forma, isso se amplia com relação a aprender coisas novas. "Não sou autodidata", eu digo, acho que mais pelo medo de não chegar ao nível de excelência que espero do que pela pressa de aprender rápido ou pelo esforço de me empenhar. Eu só fui fazer a prova de francês porque na minha memória as palavras e frases fluíam mais facilmente do que a realidade demonstrou.
Essa mesma amiga esteve por um tempo ensinando-me a cozinhar. Coisas simples, ação do fogo, água borbulhando, temperos se misturando. Coisas complexas, também. Para mim, o exercício de cozinhar está fundamentalmente conectado ao fazer compras, ter ingredientes e inventar combinações. Gosto de fazer as coisas ao contrário: primeiro compro algo, depois decido o que fazer com o que comprei. Isso dá origem às minhas "semanas da batata" ou ao "mês do pimentão" (ainda bem que existem pimentões de várias cores!). Como desculpa para não cozinhar, xingo a falta de qualidade do mercado mais próximo, acordo tarde demais para a feira no sábado e reclamo que os mercados decentes ficam longe demais. Tudo bobagens e desculpas tolas, já que a maior parte disso é mais do que trabalhável com um pouco menos de preguiça.
Para completar, namoro a possibilidade de aprender a desenhar há anos. Fiz uma especialização em Expressão Gráfica, oras! Um curso no qual resisti por um semestre inteiro a sequer tentar desenhar, sempre procurando formas de esquivar da prática com o lápis. Terminado o curso, percebo que meu traço evoluiu absurdamente. Isso faz três ou quatro anos e quase nunca pratiquei desde então.
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| "Não exista. Viva!" - http://www.flickr.com/photos/julyrainbow/7113473857/ |
Tudo isso me leva a refletir sobre quão mais fácil é existir do que viver, simplesmente estar ali e de vez em quando fazer o que se tem vontade, isso se não for muita canseira. Fico aqui esperando que outras pessoas entrem na minha vida e me coloquem em movimento, que me ensinem, que me proporcionem aprendizagens. O que eu quero para mim vai ficando em segundo plano. Terceiro. Quarto.
Por mais que me doa reafirmar, ainda estou longe de ser a pessoa que gostaria: alguém que vive. O pior de tudo é saber que essa mudança "tão simples" que almejo para mim não depende de mais ninguém. Eu devo me tornar a pessoa que imagino, viver a vida que desejo e parar de inventar desculpas pelo caminho.
domingo, fevereiro 24, 2013
Um leve desânimo
Hoje é domingo e parece que vai chover. Lá fora está frio, aqui dentro está quente. Dias assim são estranhos. Quero sentir o geladinho, mas não quero sair de casa. Acho que colocarei uma cadeira na sacada.
Se ao menos eu tivesse uma cadeira.
Se ao menos eu tivesse uma cadeira.
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