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terça-feira, fevereiro 26, 2013

É mais cômodo ser quem eu já sou

Esse texto é melhor lido acompanhado da música a seguir.


Alguns acontecimentos separados me levaram à conclusão do título e ao desejo de não me conformar. O primeiro deles foi o exame de nível para o curso de francês no Centro de Línguas da UFG. Fui lá, me inscrevi para o nível dois e passei. Aliás, "passei", já que não fui exatamente bem na prova escrita e se minha avaliadora não fosse extremamente simpática e de bem com a vida, minha prova oral teria sido zerada. Enfim, passei e logo voltarei a estudar o francês.

"Não consigo te imaginar nessa situação", disse uma amiga. Faz sentido, eu quase nunca me permito viver momentos de risco. Se há possibilidade de falhar ou ir mal, eu não faço. De alguma forma, isso se amplia com relação a aprender coisas novas. "Não sou autodidata", eu digo, acho que mais pelo medo de não chegar ao nível de excelência que espero do que pela pressa de aprender rápido ou pelo esforço de me empenhar. Eu só fui fazer a prova de francês porque na minha memória as palavras e frases fluíam mais facilmente do que a realidade demonstrou.

Essa mesma amiga esteve por um tempo ensinando-me a cozinhar. Coisas simples, ação do fogo, água borbulhando, temperos se misturando. Coisas complexas, também. Para mim, o exercício de cozinhar está fundamentalmente conectado ao fazer compras, ter ingredientes e inventar combinações. Gosto de fazer as coisas ao contrário: primeiro compro algo, depois decido o que fazer com o que comprei. Isso dá origem às minhas "semanas da batata" ou ao "mês do pimentão" (ainda bem que existem pimentões de várias cores!). Como desculpa para não cozinhar, xingo a falta de qualidade do mercado mais próximo, acordo tarde demais  para a feira no sábado e reclamo que os mercados decentes ficam longe demais. Tudo bobagens e desculpas tolas, já que a maior parte disso é mais do que trabalhável com um pouco menos de preguiça.

Para completar, namoro a possibilidade de aprender a desenhar há anos. Fiz uma especialização em Expressão Gráfica, oras! Um curso no qual resisti por um semestre inteiro a sequer tentar desenhar, sempre procurando formas de esquivar da prática com o lápis. Terminado o curso, percebo que meu traço evoluiu absurdamente. Isso faz três ou quatro anos e quase nunca pratiquei desde então.

"Não exista. Viva!" - http://www.flickr.com/photos/julyrainbow/7113473857/

Tudo isso me leva a refletir sobre quão mais fácil é existir do que viver, simplesmente estar ali e de vez em quando fazer o que se tem vontade, isso se não for muita canseira. Fico aqui esperando que outras pessoas entrem na minha vida e me coloquem em movimento, que me ensinem, que me proporcionem aprendizagens.  O que eu quero para mim vai ficando em segundo plano. Terceiro. Quarto.

Por mais que me doa reafirmar, ainda estou longe de ser a pessoa que gostaria: alguém que vive. O pior de tudo é saber que essa mudança "tão simples" que almejo para mim não depende de mais ninguém. Eu devo me tornar a pessoa que imagino, viver a vida que desejo e parar de inventar desculpas pelo caminho.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Desencontros

Todo mundo sabe que a vida não tem regras. Ou melhor, tem, mas elas são complicadas e ninguém entende. Ou, quando entende, geralmente morre ou vira monge budista isolado do mundo. Uma das brincadeiras mais safadas da vida (ou do destino, sei lá) é colocar duas pessoas em descompasso num mesmo lugar e fazer com que elas se olhem, se suspirem e se abracem. Se queiram, inclusive. Acho que o meu amado Jorge Drexler consegue dizer isso melhor que eu, com a música Inoportuna.


Creio que ele é muito claro quando canta "tu, por exemplo, tão a tempo e tão inoportuna". Fico pensando na vida a dois, nos amores que acontecem ou deixam de acontecer em cada esquina, em cada sorriso. Recentemente cheguei à conclusão de que estou pronto, estou aberto a gostar de alguém novamente, isso depois de um período bem longo e tenso de reclusão e frieza no qual eu mais machuquei do que fiz bem. Contudo, não basta que eu esteja aberto, sou apenas um.

Essa é realmente uma grande maldade da vida: se só um ama, não há relação. Não se trata nem de uma maldade daquele que não ama: ora, quem sou eu para julgar o momento de cada um, as experiências que levam aquela pessoa a, naquele instante, não compartilhar dos sentimentos do outro? Aliás, nada na vida obriga ou sequer sugere que, porque somos amados, devemos amar de volta. Ainda assim, esse é o nosso sonho e é nisso que investimos nosso tempo e nossa emoção.

Daí tu encontra uma pessoa e ela está machucada. Ou tu encontra alguém perfeito pra ti, mas teu coração está tão chamuscado que não consegue perceber ou receber ou lidar com o carinho ali depositado. Tão a tempo, mas inoportuna. Desencontros não acontecem apenas com pessoas que se amariam se vivessem no mesmo espaço geográfico: pessoas que vivem em estados sentimentais distintos também podem se perder. Mais uma vez, acho que é Drexler que tem algo a dizer sobre isso.


Em Sanar, ele canta lindamente que "as lágrimas vão ao céu e voltam aos teus olhos desde o amor. O tempo se vai, se vai e não volta. E teu coração vai sarar". Essa canção eu já compartilhei com meus amigos em momentos de tristeza, bem como já ouvi quando meu coração parecia dilacerado. "Mesmo que pareça mentira, teu coração vai sarar". Talvez a verdade ainda mais cruel do que os desencontros da vida seja que "ninguém nasce sabendo que morrer também é lei da vida". Porém, Drexler avisa: "quando menos esperar, teu coração vai sarar, vai sarar, e vai voltar-se a quebrar". Esse é o movimento que a vida faz: ela nos põe pra cima, nos faz amar, nos põe pra baixo, nos dói. O que a gente faz? Persiste.

As coisas acabam. Muitas delas nem começam. É assim que a vida segue seu rumo e a gente vai aprendendo com cada dia. Se recusar a aprender ou a deixar partir aquilo que se foi é uma das piores escolhas que podemos tomar. Não é fácil, é dolorido, deixa um vazio, tudo isso é verdade. Preencher esse vazio com ressentimento ou memórias, porém, nos faz viver de passado e não nos alimenta de vida, pois vida não é aquilo que passou, é aquilo que respiramos, sentimos e fazemos a cada segundo.

Já que até aqui escrevi com o Drexler como pano de fundo, vou terminar também com uma canção dele. O tipo de música que eu só consigo ouvir e acreditar quando estou de bem comigo mesmo. Se o Drexler precisa apenas da "guitarra e você", eu sou feliz com minhas letras e meus amores. Eu achava que precisava de férias, mas na verdade o que eu precisava era outra coisa: estar bem comigo mesmo o suficiente para suspirar novamente por alguém.

Esse é o único tipo de amor em que eu acredito: aquele que, para existir, não exige ser amado de volta. Será um lindo encontro, se for. Por outro lado, se não for, será a vida fazendo aquilo que ela faz de melhor: sendo caótica.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Essa coisa de sonhar com o futuro

Atualmente dar aula tem sido a minha vida. Eu leciono cinco disciplinas e oriento dois TCCs. Há cinco anos, esse era o lugar em que eu queria estar. Já no fim da graduação, decidi-me por não ser jornalista atuante. Sem saber exatamente para onde ir e por conta de uma série de experiências pessoais – várias das quais estão relatadas aqui na Raposa Antropomórfica , decidi ser professor. Eu queria mudar pessoas. É, isso mesmo, eu acredito em ir lá e fazer a diferença na existência de uma criatura. Ou duas. De preferência todas, mas não sejamos gulosos. Planejei um caminho –  que era mais ou menos óbvio, especialização e mestrado – e cheguei ao meu lugar desejado.

É nisso que eu penso quando vejo o pessoal que estuda comigo. Eles têm interesses, sonhos e vontades que estão com a mesma energia e determinação que eu tinha anos atrás. Eu acho isso admirável, essa fome de vida, essa vontade de fazer com que a vida aconteça. Se tem uma coisa que eu quero fazer, como professor, é o possível para que esses sonhos estejam sempre mais próximos. Tá, eu também quero ensinar a minha matéria, mas vamos fingir que eu não disse isso. A questão é: o que eu posso fazer pelos sonhos dos outros? Não sei. Por enquanto, acho que eu posso minimamente divulgar. Se tem algo que eu acredito sobre alcançar as coisas, é: as pessoas precisam saber de nós, ouvir falar que nós existimos, que nós queremos algo que elas podem nos oferecer. Essa é a minha (pequena e talvez só primeira) parte.




sexta-feira, setembro 21, 2012

Aaron - U turn



Essa música é do filme Não se preocupe, estou bem. Uma boa pedida para casais, pessoas levemente entristecidas ou em necessidade de soltar lágrimas. É o tipo de música e de filme que te lembram que, algumas vezes, tu está sozinho, mas que, mesmo sozinho, outras pessoas estão lá por ti.

sábado, agosto 11, 2012

O segundo sol - Cássia Eller



Hoje estou pensativo, e o CD da Cássia Eller só está ajudando. Ouvi essa música pela primeira vez em um passeio de carro com a minha família. Estávamos cruzando uma cidade que estou em dúvida se é Novo Hamburgo, Cachoeirinha ou São Leopoldo. Eu ainda achava até uma semana atrás que ela cantava "derrubando com as sondas de Antar", e não "com assombro exemplar". Antar, Antares, sabe?

Essa música sempre me remete a algumas lembranças de escola, particularmente por volta da sétima série. Eu era ainda BV. É, Boca Virgem, nunca tinha beijado ninguém e, como qualquer criança da minha idade, isso assumia proporções absurdas de pressão e desejo de deixar de ser. É como não saber falar de sexo após uma certa idade - dependendo do contexto, a partir dos treze ou catorze, se tu ainda não te gaba sobre haver transado, tu é virgem e todos vão rir -, o que eu certamente passei muito tempo sem saber. Aí ocorre que um dia eu tinha aula de Educação Física e o céu ficou verde. Sim, verde, pergunta para qualquer colega meu e eles vão afirmar com veemência que também lembram dessa mesma tarde. Eu acho tão espantoso que as pessoas ainda lembrem disso, mas pelo menos não foi uma alucinação apenas minha. Por volta do mesmo período havia uma previsão de Nostradamus de que o mundo acabaria. Acho que acabaria inclusive naquele dia. Ou seja: céu verde, mundo acabando.

Minha tarefa na Educação Física era, junto com as meninas e os garotos que não curtiam futebol, ficar dando voltas na quadra. Tudo bem, era até divertido aquele momento de caminhada conversante. O que não era divertido eram as perguntas do tipo "o que fazer se o mundo for mesmo acabar hoje?", que pululavam entre meus colegas. Eu não queria confessar o que estava na minha cabeça o tempo inteiro: beijar aquela colega que eu tanto gostava. Sim, aquela, pois nessa época era inconcebível para mim querer ou desejar um menino. (Bem, não tanto inconcebível quanto impossível de pensar. Eu sabia que tinha tesão, que queria, que isso me atraía e que eu até tentaria avançar sobre um ou outro moço, sempre sem sucesso, mas não conseguia manifestar isso linguisticamente nem mesmo para mim. Era esquisito, ainda preciso estudar mais sobre isso.)

Fiquei um bom tempo naquele dia ensaiando como me aproximaria da dita colega e lhe beijaria. Não seria possível falar, pedir, ela talvez quisesse outras pessoas. Ou quem sabe me amasse tanto quanto eu a ela, óh!. Sério, a Disney e a Sessão da Tarde contaminavam muito o meu entendimento do que era amor e como ele se processa. Não que eu saiba hoje, verdade seja dita. Cheguei à conclusão de que eu não sei me relacionar com pessoas. Não sei ser namorado, não sei ser amigo, só sei ser eu e estar aqui, o que muitas vezes não é suficiente. Há quem goste, verdade, mas eu sinto que deveria fazer um esforço, algo voltado para isso, mas simplesmente não acontece. Passa despercebido. Ou só percebo depois. É, eu sempre percebo depois. Em alguns casos, anos depois.

Pensei tudo isso enquanto esperava a água temperar. Sério, eu deveria pagar meu chuveiro como se fosse um analista.

quinta-feira, abril 26, 2012

Tres mil millones de latidos - Jorge Drexler



Estoy aquí de paso,
Yo soy un pasajero,
No quiero llevarme nada,
Ni usar el mundo de cenicero.
Estoy aquí sin nombre,
Y sin saber mi paradero.
Me han dado alojamiento en el más antigüo
De los viveros.
Si quisiera regresar,
Ya no sabría hacia dónde,
Pregunto al jardinero,
Y el jardinero no me responde.
Hay gente que es de un lugar,
No es mi caso.
Yo estoy aquí, de paso.
El mar moverá la luna,
O la luna a las mareas.
Se nace lo que se es
O se será aquello lo que se crea.
Yo estoy aqui perplejo,
No soy mas que todo oídos
Me quedo con mucha suerte
Tres mil millones de mis latidos
Si quisiera regresar
Ya no sabría hacia cuándo
El mismo jardinero debe estarselo preguntando.
Hay gente que es de un lugar
No es mi caso.
Yo estoy aquí
Yo estoy aquí, de paso.
Yo estoy aquí, de paso.

segunda-feira, abril 02, 2012

Cada lugar - Nenhum de Nós


Juro que estou tentando, falta só resolver uma pontinha que, infelizmente, está bem nas minhas mãos. A gente pode posar de maduro o quanto quiser, mas quando cruza com alguém na rua e o coração ainda bate mais forte mesmo depois de tanto tempo, bem, isso diz muito, né? Acho que isso explica muito das minhas escolhas por sujeitos e situações em que eu geralmente sou o mais maduro envolvido, ou no mínimo que eu estou no controle das regras.

Eu queria dizer que é culpa tua, que é tudo culpa tua, que eu fiz as escolhas que fiz porque estava triste. É verdade, eu estava, muitas vezes ainda me encontro e depois te encontro e descubro que minhas razões estão corretas. Ainda assim, eu que procurei um lado mais fácil, não tu. Tu fez o certo. Eu, pra variar, não.

Desculpa, mas preciso te enterrar.
Eu quero meu coração de volta.

domingo, abril 01, 2012

Swedish Hearts - The Acid House Kings


Ao longo dos anos eu me agarro em algumas músicas que, ao meu ver, explicam ou ilustram meu jeitinho de viver. Essa é uma das que eu mais retorno, pois sempre acabo me convencendo de que as suas palavras são pertinentes a como eu ajo e como eu penso.

Don't be fooled by looks,
I'm not that sweet
Behind manners and smiles,
intentions are all the worst kind

Don't be fooled by dreams,
I'm not that sweet
I got habits and needs,

Dont give me time
Love pass me by
The feeling I can't relate 'til I want to hate you

Don't mind if I be unkind
You should know by now
I want to be on my own

Every second around here
That's when you throw your life away
I'm not kidding when I say
You got to leave this someday 

Eu gosto de pensar em mim mesmo como malvadinho. Ajuda a justificar algumas escolhas. Eu também frequentemente me imagino um bom samaritano, aquele que sai do próprio caminho para ajudar. Eu não tenho que ser um ou outro, que a situação vai construir como as pessoas vão me ler e isso é a única coisa que há. Ainda assim, a vontade de ser um só é sempre tão forte nesse nosso mundinho que pede que não mudemos e que sejamos indivíduos, impossíveis de dividir. Como a gente faz pra decidir quem a gente é?

terça-feira, março 27, 2012

La vida es más compleja do que lo parece - Jorge Drexler


Jorge Drexler é meu ídolo musical, das pessoas que eu saio do meu caminho para contar, cantar ou mostrar a alguém. Suas letras já conversaram comigo em inúmeras vezes, seja pela ternura, seja pelo aviso de que nem sempre as coisas são como deveriam. A letra dessa canção me acompanha em 2012, lembrando-me de manter minha atual filosofia:

No quiero que lleves de mi
Nada que no te marque,
El tiempo dirá si al final
Nos valió lo dolido.

Será que terá valido? Ninguém tem a resposta de antemão, as escolhas que fazemos são sempre orientadas apenas pela nossa imaginação, pelos nossos sentimentos e pela nossa capacidade de raciocinar.

Mejor, o peor, cada cual
Seguirá su camino.
Cuánto te quise, quizás,
Seguirás sin saberlo.
Lo que dolería por siempre,
Ya se desvanece.

Assim, sem saber, a gente segue caminhando. Sei que muitos não me sabem, sei que não sei o que alguns gostariam que eu soubesse. Saber, aqui, pode ser sentir. Eu não esqueço, porém, e das dores que sinto, sinto até aquelas que deveria, mas nunca senti. Sentir, aqui, pode ser saber.

terça-feira, março 13, 2012

Take me to the riot - Stars


Existem algumas músicas com a estranha capacidade de animar meu coração. Bem, são músicas, não há nada de estranho nisso. Essa banda, Stars, tem um CD que consegue alterar todas as minhas emoções ao longo dos seus 40 minutos de canções. No caso dessa música em particular, a vontade de conhecer o mundo se amplia e o desejo de agir, de fazer, de não me deixar parar é o que domina. São sonhos de uma certa juventude, que talvez seja definida justamente por isso, por ainda não estar completamente amarrada nas obrigações sociais e, por isso, presa. O que significa ser jovem? Não sei, sempre penso que tem algo a ver com "não estar pronto", mas se pensarmos a vida como processo, só estamos prontos quando encerramos qualquer mudança. Isso tem nome: morte.

Chamem de síndrome de Peter Pan, se quiserem. Pelo menos nesse caso fico feliz que outra característica normalmente associada à juventude é não se importar.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Your protector - Fleet Foxes


Conheci a banda por causa do nome, confesso. Mais ou menos a mesma coisa que aconteceu com o Firefox, que comecei a usar com o melhor argumento já usado para me convencer a usar algo: "tem raposa no nome, Tales, é a tua cara". Essa música tem me inspirado nos últimos dias, dando um ar de épico para os meus dias. Nesse período de dúvidas e questionamentos, uma canção para embalar o coração é sempre bem-vinda.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Revisitando

Hoje estive vasculhando os arquivos da Raposa Antropomórfica, passando inclusive pela época em que havia "^^" no nome do blog. Caí em 2007, um período em que eu vivia diferentes desejos e que minhas possibilidades eram tão outras. Como é engraçado perceber que, cinco anos depois, sou já tão outro, mas ainda tão o mesmo.

As coisas que eu queria para mim, ah, muitas já foram realizadas. Moro sozinho, tenho trabalhos, faço mestrado. Ainda não tenho um carro, rádio ou gravador digital, é verdade, mas minhas necessidades mudaram. Será que precisarei de novo, será que quererei novamente ou ainda?

Aí eu penso sobre as pessoas que estão na vida, que permanecem nela. Algumas conversas e confissões curiosas de tempos que passaram, mas coisas que seguem ainda hoje batendo junto comigo.

Para embalar essa postagem, meu cantor favorito: Jorge Drexler!


segunda-feira, janeiro 30, 2012

All those beautiful boys


Sinto meus dias como se estivessem sendo embalados por essa música, mas no lugar do lobisomem, coloquem uma raposa, por favor. Acho que estou voltando às músicas tristes para embalarem meus dias, mesmo que esses estejam repletos de felicidade mais do que de sentimentos doídos. Acho que aqui eu menti, embora não de propósito... para alguém que se importa, é realmente possível ser feliz sem a dor de saber que tantos outros não são?


Aí a Cocorosie canta com Antony Hegarty. A letra é arrastada, cortante, real. All those beautiful boys, pimps and queens and criminal queers. Eles estão por aí, invisíveis. His greated love was executed. Sei que cada drama pesa diferente conforme o lugar onde pousa, a pessoa que lida, o momento da vida e tal. Ainda assim, não deixo de me sentir um pouco mal dos dias em que fico tristonho e percebo que estou sendo, na melhor das hipóteses, um menino mimado.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Aquarela



Essa música tocava no recreio de um colégio pelo qual eu passava todos os dias.
De alguma forma, minhas manhãs ficavam mais coloridas.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Trilha sonora da segunda temporada goiana

None of dem – Robyn
Jeu du foulard – Coralie Clement
The state I am in – Belle & Sebastian
For today I’m a boy – Antony and the Johnsons
First day of my life – Bright Eyes
I miss you love – Damien Rice
Palavras – Cássia Eller
Telegrama – Nando Reis
Hermanda Duda – Jorge Drexler
Sanar – Jorge Drexler
Fools by your side – Hal
Personal – Stars
Refugee – Oivavoi
Yesterday’s mistakes – Oivavoi
Roads – Portishead
On the radio – Regina Spektor
Sleepy Tigers – Her Space Holiday
The world will deem us dangerous – Her Space Holiday
Take me to the riot – Stars
On my own again – Kleerup (Feat.Lykke Li)
All is love – Karen O the kids
Objects of my affection – Peter Bjorn and John
Nessa temporada mudei o jogo novamente. Voltei de Porto Alegre acreditando não precisar de ninguém, que poderia viver sozinho e me virar sem amigos. Em pouco tempo descobri que estava enganado e que queria mais do que isso, mas sem saber como. Errei, acertei, apaixonei (e quem dirá se a paixão é um erro ou um acerto?). Foi tudo muito rápido, muito intenso. Conheci, beijei, gostei e então senti a ausência. Acreditei que um mês pudesse ser para sempre e aprendi algo com a dor de notar que não. Alegro-me de que meus erros não sejam os mesmos de outrora.
No ponto mais baixo da tristeza, vi-me tentando inclusive o que contrariava minhas crenças mais profundas. Desatei os nós dessa profundidade e, no processo, reencontrei uma felicidade que estava desacostumado a vestir. E agora preparo-me para virar o ano com tudo no lugar, coração feliz e alma entristecida, ambos reconciliados nessa ilusão que chamo de eu. Imagino que canções embalarão minhas aventuras nos anos vindouros...

terça-feira, julho 06, 2010

Trilhas sonoras [3] - season goiania

O tempo é uma mentira, uma um plano dos homens para dar valor aos acontecimentos. De que outra forma posso entender quatro meses que foram tão valiosos quanto vinte anos inteiros, e antes desses outros três que valeriam vidas? Antes eram as dúvidas que imperavam, agora apenas uma certeza se fixa: eu posso ser instável, paradoxal, duvidoso e duvidável. Eu posso ser, e eu sou, feliz. Goiânia tem se mostrado uma cidade de transformações, de vivências apaixonantes e de pessoas cativantes. Se substitui Porto Alegre? Não, não pensemos assim. Entendamos que a vida não é agora nem nunca será a mesma, seja aqui, lá, seja onde for. O tom dessa temporada é o de mudança, sem dúvida alguma!

Kesha – Tik Tok
Acid House Kings – Swedish hearts
Cobra Starship – Good girls go bad
Glee Cast – Don’t stop believing
Kleerup – On my own again
La Roux – In for the kill
Lady Gaga – Telephone
Lady Gaga – Alejandro
Lisa Loeb – I do
Lisa Loeb – Stay (I missed you)
Mägo de Oz – El que quiera entender que entienda
Meter Bjorn and John – Young folks
Taylor Swift – You belong with me
The Postal Service – Such great highs
The Postal Service – Nothing better
The Postal Service – Clark Gable
The Ting Tings – Great DJ
The Ting Tings – Shut up and let me go
Jorge Drexler – Todo se transforma
Jorge Drexler – Se va, se va, se fue
Jorge Drexler – Polvo de Estrellas
Jorge Drexler – Fusión
Adele – Hometown glory
Regina Spektor – Us
Aaron – U-turn (Lili)
Tiago Pethit – Não se vá
Tiago Pethit – Fuga n.1
Tiago Pethit – Outra canção tristonha
Brian McFadden – Irish son
Brian McFadden – He’s no hero
Gilberto Gil e Marisa Monte – Life gods
=D

Trilhas sonoras [2] - months of valediction

Algo entre a intensidade de meados de novembro até 15 de dezembro de 2009, e especialmente o período que daí decorreu. Se antes a temática era predominantemente triste pela incerteza de ter um lugar no mundo que me pudesse fazer feliz, nesse período de 14 de novembro a 28 de fevereiro o tom foi outro: eu tenho um lugar, mas estou a deixá-lo para trás em busca de um futuro. É possível amar alguém que se conheceu em um fim de semana, é possível se entregar para uma pessoa cujo carinho se manifestou em um sofá, é possível sorrir, mas também chorar.

Radiohead – Nude
Gossip – Heavy Cross
Lady Gaga – Pokerface
The Black Eyed Peas – I gotta feeling
Beirut – Elephant gun
Beyoncé – Single ladies
Carla Bruni – Quelqu’un m’a dit
Cat Power – Fool
Crystal Castles – Alice practice
Death Cab for Cutie – Soul meets body
Gossip – Standing in the way of control
Grizzly Bear – Knife
Grizzly Bear – Little Brother
Jorge Drexler – Guitarra y vos
José González – Heartbeats
Lenka – Trouble is a friend
Lily Allen - Smile
Little Boots - Symmetry
Little Boots – Remedy
Low – Point of disgust
Mägo de Oz – Hasta que el cuerpo aguante
Scorpions and Berliner Philharmoniker – Wind of change
Brian Jonestown Massacre – You look great when I’m fucked up
Broken Family Band – It’s all over
Mike Bailey – Wild world
Yeah Yeah Yeahs – Date with the night
Animal Collective – Fickle Cycle
^^

Trilhas sonoras [1] - best hits 2006-2009

Eu pensei: pra que me limitar ao formato de CD, quando estamos na mágica da internet?

Essa primeira coletânea responde às canções que me motivaram no vasto período de 2006, quando comecei a existir, até por volta de novembro de 2009. O ponto de início é claro: início do ano, primeiros meses, aquela coisa de voltar das férias e tentar se encontrar, seguida do meu namoro e seus dois anos e meio. Podemos muito bem demarcar o fim dessa etapa com o término do relacionamento.

Vast – Flames
The sound of animals fighting – The heretic
Acid House Kings – Do what you wanna do
Ana Carolina – Eu e você
Antony and the Johnsons – Cripple and the starfish
Antony and the Johnsons – I fell in love with a dead boy
The Turtles – Happy together
Carla Bruni – Raphaël
Cogumelo Plutão – Esperando na janela
Coldplay – Clocks
Coldplay – A rush of blood to the head
Air – Sexy boy
Full frontal – You think you’re a man
Coralie Clémant – Bon jour pour mourir
Guilherme Beiró – Dias perdidos (rascunho geral)
Elf Power – high atop the silver branches
Fruits Basket – For fruits basket
Gravitation – Super drive
HAL – Worry about the wind
Kare Kano – Tenshi no Yubikiri
Kings of Leon – I want you
Lily Allen – Not fair
Maria Mena – Power trip ballad
MGMT – Kids
MGMT – The Youth
Mika – Relax
Mika – Happy ending
Mum – Green grass of a tunnel
REM – Shiny happy people
REM – Everybody hurts
Shakira – She wolf
Sigur Ròs – Vidrar vel til Loftárasa
Sigur Ròs – Glósóli
Snow Patrol – Open your eyes
Kerosin – Catch me
Hidden Cameras – We oh we
The Cranberries – Linger
The Cranberries – Animal instinct
The Cranberries – Kiss me
The New Pornographers – Challengers
The New Pornographers – Unguided
The New Pornographers – Go Places
The Rubettes – Sugar baby love
The Turtles – Let me be
Titãs – Provas de amor
Vampire Weekend – Cape Kod Kwassa Kwassa
Vampire Weekend – M79
Yann Tiersen – Monochrome

sábado, março 31, 2007

Momento musical

Eu nunca fui muito fã de blogs e flogs com letras de música, mas essa em particular foi muito importante pra mim um tempo atrás e esses dias eu a recuperei, tanto nas memórias quanto fisicamente (na forma de som). Apresento aos que não conhecem, Cogumelo Plutão cantando Esperando na Janela:

Quando me perdi, você apareceu
me fazendo rir do que aconteceu
e de medo olhei tudo ao meu redor
só assim enxerguei que agora estou melhor

você é a escada da minha subida
você é o amor da minha vida
é o meu abrir de olhos no amanhecer
verdade que me leva a viver
você é a espera na janela
a ave que vem de longe tão bela
a esperança que arde em calor
você é a tradução do que é o amor

e a dor saiu
foi vc quem me curou
quando o mal partiu vi que algo em mim mudou
no momento em que quis ficar junto de ti
e agora sou feliz pois lhe tenho bem aqui
você é a escada da minha subida
você é o amor da minha vida
é o meu abrir de olhos no amanhecer
verdade que me leva a viver
você é a espera na janela
a ave que vem de longe tão bela
a esperança que arde em calor
você é a tradução do que é o amor


E outra música que acho muito linda, apesar de não tê-la como tãããão importante pra mim, É preciso saber viver, dos Titãs:

quem espera que a vida seja feita de ilusão
pode até ficar maluco ou morrer na solidão
é preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer
é preciso saber viver

toda pedra no caminho você pode retirar
uma flor que tem espinho você pode se arranhar
se o bem e o mal existem você pode escolher
é preciso saber viver

é preciso saber viver
é preciso saber viveré preciso saber viver
saber viver


Mais uma, agora que estou inspirado. Monochrome, do Yann Tiersen. Essa é totalmente fodástica, linda, maravilhosa, apaixonante e um retrato da vida como ela de vez em quando é:

Anyway, I can try

Anything it's the same circle
That leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.

I am pilling up some unread books under my bed
And I really think I'll never read again.

No concentration,
Just a white disorder
Everywhere around me,
You know I'm so tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

Sometimes I search an event
Or something to remind,
But I've really got nothing in mind.

Sometimes I open the windows
And listen people walking in the down streets.
There is a life out there.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.

Anyway, I can try
Anything it's the same circle
That leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me

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