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domingo, novembro 03, 2013

Continuando o exercício

Hoje escrevi 628 palavras em 40 minutos de trabalho. Acho que talvez eu devesse utilizar a primeira pessoa para contar a minha história, não a terceira. O que seria decepcionante se eu já tivesse umas 50 mil palavras escritas, mas só tenho 14 mil. Estou trabalhando nesta história desde 10 de agosto, uns 85 dias atrás. É como se eu tivesse escrito 164,7 palavras por dia desde que comecei, o que é um ritmo patético.

O que farei?
Despretensiosamente – como se eu conseguisse –, vou continuar escrevendo até concluir a história que eu me propus a escrever. Depois vou reescrevê-la inteira na primeira pessoa acrescentando detalhes, descrições e novas ideias. Será difícil, pois continuarei com o exercício das 500 palavras por dia mesmo enquanto estiver editando. Meu objetivo é chegar em algum lugar próximo a 50 mil palavras, o que meu ritmo atual sugere que levará ainda 72 dias. 

Aí entra meu segundo objetivo, até então só guardado para mim mesmo: terminar esse romance até o fim do ano. Tenho 59 dias para isso, mais ou menos. Terei que dividir a carga de trabalho desses 13 dias que me faltam (6,5 mil palavras) entre os demais 59. Talvez 58, porque estou considerando o hoje e o hoje já acabou, literariamente falando.

E vamos que vamos.

sábado, novembro 02, 2013

Escrever, escrever, escrever 2

Desafio: escrever 500 palavras literárias por dia.

Como foi hoje: escrevi exatamente 500 e parei. Foi difícil, não estava inspirado. Tenho percebido problemas absurdos na minha história. Eu não descrevo nunca, isso é patético! Sou direto demais, preciso parar e contar melhor aos leitores o que está acontecendo.

Acho que é como a natação. Percebo minhas dificuldades, mas corrigi-las é muito mais difícil do que simplesmente saber que elas estão ali. Algumas vezes me pego pensando se eu realmente tenho condições de fazer isso. Ontem achei que estava sendo leviano ao me propor somente quinhentas palavras por dia. Hoje estou dando graças aos deuses que foi esse o compromisso.

Como meu objetivo é mudar um hábito, ou criar um, melhor mesmo que eu o faça aos poucos.
Amanhã é domingo, mais um dia que terei praticamente todo para mim. Desafio mesmo será segunda-feira, quando meu namorado estará de folga e passará o dia comigo.

sexta-feira, novembro 01, 2013

Escrever, escrever, escrever

Promessa: escrever no mínimo 500 palavras de material literário inédito por dia (se eu estivesse participando no nanowrimo, mês nacional de escrever romances, eu precisaria escrever 1667 por dia, mas não topei o desafio, preferi me aquecer primeiro... ano que vem eu tento).

Resultado de hoje: escrevi 568 palavras, bati a meta e parei. Estou seguindo o conselho que encontrei na internet de parar de escrever quando ainda há ideia e vontade de continuar a história. Assim a gente já começa no dia seguinte com gás para dar continuidade.

Qualidade geral: é, essa parte ficou a desejar. Acho que estou um pouco enferrujado, por estar escrevendo pouco, e por isso a cena que escrevi ficou bem fraca. Especialmente porque foi uma cena de sexo, a primeira transa de dois personagens (entre si, não são virgens). Fui muito pouco descritivo, uma tendência que tenho. Acho que tudo dará certo quando eu finalizar a primeira escrita e voltar revisando e acrescentando descrições e detalhamentos.Pelo menos é isso que eu espero, que eu seja capaz de melhorar esse texto.

A verdade é: eu quero escrever outras histórias, estou cansado de trabalhar em cima dessa. Contudo, não posso deixar que ela seja mais uma jogada na minha pasta de contos inacabados. É um romance, no mínimo uma novela (está mais para uma novela), e o primeiro que eu consegui pensar numa narrativa do início ao fim. Eu já sei como termina, embora outras coisas imprevistas estejam acontecendo no meio e eu esteja ficando um pouco feliz por isso, pois já choro de antecipação pelo final. Espero realmente que meus personagens consigam mudar os rumos que planejei para eles.

terça-feira, outubro 29, 2013

Minha meta para novembro

Por que é tão difícil manter um ritmo? Tenho escrito aqui para a Raposa diariamente, mas a qualidade dos textos caiu significativamente. Isso tem a ver com publicar direto. Ainda assim, não explica por que eu tenho tanta dificuldade em escrever literatura habitualmente. São tantas distrações.

Já que todo mundo está falando sobre o nanowrimo, projeto de escrita ao redor do mundo no qual os escritores se propõem a escrever um livro de 50 mil palavras em um mês, vou fazer algo semelhante a partir de 1º de novembro. Essas 50 mil palavras significam cerca de 1667 palavras por dia, mas não tenho fôlego para isso. O romance no qual tenho trabalhado está sofrendo com 12 mil e isso já há tempos.

Escrever é como fazer exercício, então a partir de 1º de novembro começarei a preparação para o ano que vem. Minha meta serão 500 palavras diárias. Pouco, eu sei, mas a proposta ainda não é escrever rios, apenas ganhar fôlego e condicionamento para escrever todos os dias. Será que consigo?

Regra básica: blog não conta.
São 500 palavras de material literário, seja novo ou a continuação de algo em andamento.

Dificuldades que antevejo no caminho: é difícil pra caramba superar as distrações e alcançar esse tipo de meta. Bem, treinamentos são para isso...

terça-feira, outubro 22, 2013

Projeto 2014

Em 2014 a Raposa estará de casa nova. Mudar-me-ei para São Paulo em busca de cursos, eventos e pessoas envolvidas na área da literatura e da publicação. Da mesma forma que vim para Goiânia com um objetivo específico, fazer um mestrado (para me tornar educador), agora viajarei para São Paulo para melhorar minha escrita e torná-la minha ocupação profissional.

Essa não será, na prática, a única mudança em minha vida. No que diz respeito à Raposa Antropomórfica, tenho planos para interrompê-la. Por sete anos este foi o espaço no qual dedilhei sobre a vida, meus desejos e, principalmente, anseios. Contudo, o blog nunca foi desenhado para alcançar muitas pessoas, por mais que eu tenha buscado incluir uma página no Facebook e postagens "mais comerciais". Se eu quero tornar-me conhecido pelo que escrevo, porém, preciso de um planejamento estratégico mais organizado.


A Raposa Antropomórfica não vai desaparecer. Ela continuará aqui e talvez seja atualizada de tempos em tempos, ainda não decidi quanto a isso. Na verdade ela ganhará uma irmã num endereço que ainda não decidi. A proposta que começarei a desenvolver a partir de janeiro de 2014 envolve acompanhar a vida de um escritor em busca de espaço no mercado editorial. No meu caso, de uma raposa escritora. Ainda não consegui encontrar um nome adequado, mas o domínio será .com ou .blog.br, um dos dois.

Adoraria sugestões de lugares para um escritor visitar em São Paulo, coisas para fazer, livros para ler, blogs para acompanhar, nomes para a nova Raposa (especialmente isso!) [estou resistindo a não ter "raposa" no nome, mas é uma possibilidade], enfim, qualquer coisa que possa tornar 2014 um ano ainda melhor do que já desejo que ele seja.

quarta-feira, outubro 16, 2013

Os limites que nos colocamos

Eu faço natação há anos. Sempre foi um exercício que me enchia de motivação, que me cansava litros e que me deixava bem disposto por horas. De uns dias pra cá, porém, percebi que isso não estava acontecendo. Eu obviamente cheguei a um nível como nadador em que 45 minutos de natação já não me cansam mais.

Pausa para os risos.


A coisa mais fácil que existe é colocar a culpa pelas nossas facilidades ou dificuldades no resto do mundo. Hoje faltavam 10 minutos para encerrar a aula e a professora pediu que eu fizesse mais 18 piscinas (nesta academia, cada piscina são 25 metros). Como eu normalmente faço menos de uma piscina por minuto, precisaria acelerar um bocado. Fiz as seis primeiras até bem rápido, embora já na segunda eu estivesse completamente sem fôlego. Consegui apenas doze nos dez minutos. Nesse momento lembrei de algo que li sobre a natação enquanto exercício: quem faz a dificuldade somos nós. O exercício só será produtivo para mais do que recreação se desafiarmos nossos limites, se chegarmos àquele ponto no qual estamos confortáveis fazendo algo e forçarmos um pouquinho além.

Enquanto nadava com o máximo da velocidade que conseguia alcançar, percebi que nas últimas semanas tenho feito uma média de 40 piscinas por aula de 45 minutos. O problema não é o tempo ou o tipo de exercício. O problema é o limite que estabeleci para mim, um limite de velocidade e esforço que torna esses 45 minutos mais suportáveis e menos desafiadores. Fazendo 40 piscinas por aula posso chegar em casa depois, inflar o peito e dizer "eu faço natação três vezes por semana, estou me exercitando".

Quando a gente se contenta com a mediocridade e em ficar dentro da nossa zona de conforto, é muito fácil dizer qualquer coisa e acreditar nisso. Difícil é desafiar nossos próprios limites sem colocar a culpa fora de nós.

sexta-feira, outubro 11, 2013

O reino do dragão de ouro

Quando vou à biblioteca estadual, procuro livros baseado em nomes conhecidos, títulos chamativos ou capas lindas. De cara isso já me sussurra algo para meu futuro como escritor: enquanto eu não for mundialmente famoso, seria inteligente pensar melhor meus títulos e em quem se responsabilizará pelas capas dos meus livros.


Não sei quando nem onde ouvi falar em Isabel Allende, mas passei meses namorando seus livros em nossos breves encontros entre prateleiras. Sempre que ia à biblioteca, lembrava dela, mas acabava não cruzando com nenhum livro seu e deixava para depois. Meu método de seleção é pouco lógico, simplesmente vou caminhando pelos corredores e deixando que eles me mostrem o que quiserem. É uma disputa injusta para com os livros mal diagramados, verdade.

A aventura de O reino do dragão de ouro é a segunda parte de uma trilogia, mas a história foi bem amarrada e não senti falta da primeira. Lendo este livro, fiquei por dentro dos principais acontecimentos do anterior, mas não necessariamente sem as possíveis surpresas que encontraria lendo-o. Por falar em surpresas, o estilo da Isabel Allende é um convite à aventura. Não se trata de um texto poético ou reflexivo, mas sim de uma história gostosa de imaginar. Os personagens não são particularmente profundos, o que oferece certa consistência do início ao fim, especialmente depois que reconhecemos os padrões. Todos os desafios enfrentados são externos, ou seja, os conflitos não precisam ser resolvidos em termos de motivações e moral, mas sim de astúcia, magia e habilidade.

Mesmo sem haver terminado a leitura de Para ler como um escritor (ainda lerei, prometo), venho lendo meus livros com esse olhar. Procuro formas de descrever personagens, cenários, ações etc. Metáforas. Ideias para personagens. Com a Isabel Allende pude perceber exemplo de algo que já havia lido a respeito: em alguns diálogos há personagens que simplesmente não falariam certas coisas. Uma das protagonistas é brasileira e tem quase treze anos, mas discursa lindamente em inglês. Outro protagonista, com uns quinze ou dezesseis, é quase um doutor no jeito com que expõe suas ideias. Isso me incomodou. Não o bastante para que eu largasse o livro, mas o suficiente para fazer um rasgo no universo fantástico tecido pela autora.

Também observei, além dos diálogos, o modo como a autora prende nossa atenção enquanto descreve acontecimentos. É tudo ação. Mesmo quando as descrições estão sendo feitas, elas surgem em meio a movimento e mudança. Isso confere ritmo à narrativa. Ao final das 305 páginas do livro, senti como se não tivesse lido mais do que 120. A história fluiu e não mais do que duas ou três vezes eu considerei pular parágrafos. Excelente!

terça-feira, outubro 08, 2013

Alguns planos para o futuro

Eu tenho planos para uma grande mudança ano que vem, porém começo a sentir que eles não estão definidos o bastante. Tenho medo de me jogar na aventura e descobrir durante o caminho o que acontecerá. Iniciarei uma lista das coisas que busco para a minha vida.

Em primeiro lugar, quero conviver mais com escritores e artistas. Pessoas que vivem processos criativos artísticos podem compartilhar ideais e também servir de inspiração, seja pela inveja ou pelo companheirismo.

Quero continuar em contato com aprendizagens (livros, cursos) sobre escrever. É algo importante para mim e tenho visto o resultado de me aprimorar. A cada livro que devoro acabo aprendendo mais sobre estilo, técnica e também criatividade. Ler sobre as vivências de escritores também me dá uma certa noção acerca de como vivem pessoas que fazem ou fizeram da vida o que eu quero fazer da minha.

Preciso de pessoas críticas ao meu redor. Não pessoas que vão dizer coisas ruins para derrubar meu ânimo, até porque não me julgo forte o suficiente para resistir a esse tipo de pressão por agora. Quero pessoas que me ajudem a perceber minhas limitações e a lutar com elas, mas que não sejam condescendentes com meus defeitos ou equívocos.

Também necessito de gente que acredite em mim. Isso eu tenho, é verdade, mas não as encontro o suficiente. É algo a ser resolvido, já que uma boa dose de amizade e fé podem alimentar o espírito criativo mais do que imaginamos.

Desejo ser mais autêntico, egoísta, corajoso. Quero não ser tão influenciado pelas necessidades alheias. Eu tenho um propósito o qual não quero me desviar. Isso significará obrigatoriamente deixar algumas pessoas decepcionadas pelo caminho, mas me comprometo a tentar ser cada vez mais sincero, honesto e aberto. As pessoas saberão minhas intenções e seus limites, pois eu também saberei. Essa é a parte difícil.

Quero colocar em prática sistematicamente meu processo de criação. Não será fácil porque para isso precisarei liquidar todas as desculpas que normalmente me dou. Seria produtivo também desligar a internet.

Essas são as primeiras coisas que me vieram à cabeça. Ainda voltarei a essa lista várias vezes antes e depois de efetuar a mudança. Por agora eu só precisava organizar as primeiras reflexões. Obrigado pela atenção, se leu até aqui!

quinta-feira, setembro 26, 2013

Duas dicas para escrever bons textos

A arte de escrever bons textos muitas vezes parece um mistério. É estranho: falamos e escrevemos em língua portuguesa desde que somos crianças e mesmo assim enfrentamos uma dificuldade monstruosa para produzir bons escritos. Já que meu sonho é ser um escritor (que escreve bem e portanto é publicado, lido e, de preferência, apreciado), aprender a escrever é essencial. Por isso tenho lido muitos livros sobre a arte da literatura e encontrei duas ótimas dicas no livro Palavra por Palavra, da Anne Lamott.


A primeira delas é escrever aos poucos, bem como o título do livro sugere. Como assim? Frequentemente queremos escrever já com uma ideia imensa de qual será o enredo do romance, suas reviravoltas e também como ele marcará a cultura mundial depois de lançado. Nossa! Tudo bem ter essas ideias já em mente, mas quando sentamos para trabalhar elas se transformam num peso e numa responsabilidade tão enorme que a gente paralisa. Anne dá como exemplo o escalar de uma geleira: para chegar ao topo, não basta querer e compreender o tamanho da montanha, precisamos pensar a cada momento onde vão nossas mãos e pés e como lidaremos com as dores e frios. Se escalarmos pensando só no final da jornada, é grande a chance de nos perdermos frente à imensidão da tarefa.

No original o livro chama-se Bird by Bird, ou pássaro por pássaro. Esse título vem de um outro exemplo que ela dá. Seu irmão tinha 10 anos e deixara para a última hora um trabalho de biologia sobre pássaros. Na noite anterior ao dia da entrega, portanto, estava sentado na mesa da cozinha chorando rodeado de papéis e livros sobre pássaros. Era muita coisa para fazer e ele sabia disso, então quedou-se acabrunhado diante da enormidade da tarefa. O pai dos dois, um escritor, foi ao filho e disse: "calma, filho, escreva sobre um pássaro de cada vez, pássaro por pássaro". A tarefa hercúlea foi quebrada em pedaços menores, pedaços trabalháveis, tornando o todo mais digerível. Quando vamos almoçar, comemos garfada por garfada, certo? Escrever é a mesma coisa. Podemos até tentar engolir tudo ao mesmo tempo, mas as chances de engasgarmos e terminarmos com uma refeição nada agradável são imensas.

Portanto, que tal sentarmos para escrever com projetos menores? Algo como "hoje descreverei o olhar daquela moça" ou "contarei um pouco da história da cidade". Um parágrafo, uma ação, uma descrição por vez. Conseguiu? Pensa em escrever mais uma. Não conseguiu? Tudo bem, vamos continuar nessa parte ou deixá-la reservada para depois.

"Não tenha medo da perfeição, você nunca irá atingi-la".

A segunda dica é: escreva primeiros esboços ruins. Essa é uma ideia valiosa que eu frequentemente ignoro aqui na Raposa, embora siga quando escrevo literatura. O peso da perfeição é grande demais para que sejamos capazes de numa sentada já produzir uma grande obra poética, profunda e original. Temos a impressão de que os grandes mestres da literatura eram capazes de, logo após estalarem os dedos, digitarem furiosamente em suas máquinas de escrever ou rabiscarem feito médicos os papéis já com ideias magníficas e frases prontas para entrar para a história. Não, não e não!

Escrever é um processo árduo: selecionar as palavras que comporão o texto e aquelas que ficarão de fora, tudo isso exige trabalho. O compromisso com uma primeira versão já consistente e perfeitinha só serve para atrapalhar nosso ofício. Escreva livremente, ninguém precisará ler essa primeira versão. Ela será o teu segredinho, a semente plantada na tela ou no computador. Escreva tudo, escreva tanto quanto for necessário para que as ideias fluam. Depois deixe descansar e releia em busca do que, nesse primeiro jorro de palavras, poderá ser utilizado numa segunda versão. Frequentemente será o caso de jogar quase tudo fora e ficar apenas com uma frase, mas talvez seja uma excelente frase. Para chegar até ela, porém, foi necessário escrever um monte de bobagens antes e isso não é ruim. É parte do processo.

O perfeccionismo só serve para nos atrapalhar. A gente perde tanto tempo preocupado em nossas letras saírem perfeitas no papel que acabamos trancando o fluxo criativo, o que a longo prazo mata mais ideias do que se simplesmente derramássemos nossos pensamentos e reflexões em estado bruto. A autora do livro sugere que a primeira escrita é do semeador: as palavras são simplesmente jogadas no papel. A segunda escrita é do mecânico, que vai consertando tudo o que encontra pela frente para que o todo funcione como um conjunto. A terceira é a do dentista, que vai verificar se cada dente está no lugar, se precisa de reparo etc. Cada nova versão tem o seu momento e o seu propósito, tentar fazer tudo junto é um convite à confusão e ao texto ruim.


Compartilho essas duas dicas na esperança de que escritores como eu possam sofrer menos com esse processo maluco e mágico de tornar ideias em textos. Aos poucos e em várias versões a gente chega lá!

quarta-feira, setembro 25, 2013

Minha nova regra com livros

Li na biblioteca a sinopse de um livro que parecia maravilhoso. Talvez ele até seja, de fato. Não sei e não descobrirei tão cedo. Trouxe o danado para casa e li a primeira página. Depois a segunda, a terceira, a trigésima, a centésima e a última. Pronto, perdi a paciência.


Quase todo manual para escritores que eu encontro diz que o começo de uma história deve cativar o leitor. A primeira frase, parágrafo ou página. Nem sempre acontece. Para falar a verdade, não acontece com a maior parte dos textos clássicos que encontro por aí. Talvez isso aconteça porque na época em que viraram clássicos ainda não precisavam competir com tantos clássicos (faz sentido?).

Então, para desespero da Virginia Woolf (como se ela se importasse), criei uma nova regra (sou cheio de regras, já perceberam?) para a leitura de livros: se eu não me encantar com as primeiras palavras... tá bom, com as primeiras frases e parágrafos, se eu não me encantar até a terceira página, não leio. Não leio e ainda reclamo depois, porque não sou obrigado a fingir que gostei ou que li. Se for clássico dos clássicos até tento mais um pouco.

Claro, vale uma ressalva.
Eu não estou dizendo "não leio pra sempre nunca nunca mais me fale desse livro". Estou dizendo meramente que neste momento da vida não lerei o dito cujo. Amanhã, quem sabe, tento de novo. Ano que vem. O tempo muda os livros porque transforma o leitor. Vai que a raposa leitora de amanhã curte mais o que está lendo? Enquanto isso não acontece, porém, a Virginia Woolf permanecerá na estante.

terça-feira, setembro 24, 2013

Como lidar com a insegurança

Tenho lido muitos livros para escritores e os dois mais recentes, Escrevendo com a alma e Becoming a writer, tocam em um ponto essencial: o sentimento de fraude que acompanha a pessoa que trabalha artisticamente com as palavras. A razão é simples: todo mundo usa a linguagem no dia a dia e já muita gente escreveu coisas magníficas. No fim do dia bate aquela insegurança: será que o que eu faço é bom o suficiente para valer a pena?

Tanto Natalie Goldberg quanto Dorothea Brande tratam nossas dúvidas e inseguranças observando que temos uma parcela da nossa mente dedicada a julgar e censurar aquilo que fazemos. Esse pedacinho de nós é responsável por nos frear, por ficar repetindo "não vai dar certo" bem no cantinho do nosso ouvido. Dependendo da nossa disposição, é capaz de acreditarmos nessa vozinha e desistirmos.


A insegurança é um hábito de imaginarmos um mundo ideal e só agirmos quando temos certeza de que os resultados alcançados serão exatamente aqueles esperados. Geramos tanta expectativa que nos paralisamos diante da primeira resistência oferecida pela realidade. Logo estamos pensando: se é tão difícil e não vai dar certo como eu imaginava, pra que tentar? A verdade é que não há uma boa resposta para essa pergunta, especialmente porque é uma péssima pergunta.

As coisas não precisam ser como nós imaginamos, não é assim que a realidade funciona. Elas só precisam ser como são, o resto é com a gente. A reflexão vem do budismo: nós sofremos porque criamos expectativa de que a vida seja diferente do que ela é. Ah, então tenho que aceitar que sou ruim e não escrever mesmo, né? Não. Esse é o segredo para lidarmos com a insegurança: precisamos mudar nosso hábito de criar expectativas. No meu caso, a prática vai melhorar o meu texto e eu continuarei escrevendo porque acredito que essa é uma arte que dá sentido para a minha existência.

Para acreditar nisso, tenho me forçado a duas coisas:
1. Agir. Não adianta nada eu querer o mundo e ficar em casa jogando, na rua bebendo ou no trabalho vendendo meu tempo. A vida só responde a ações, nunca a pensamentos. Minhas desculpas para quem acredita no "Segredo", mas não adianta só mentalizar coisas positivas. Se não agir, puf, não muda nada.
2. Mudar ideias. Toda vez que me pego pensando que meu texto é ruim ou que ninguém vai publicá-lo ou que eu deveria ter um trabalho convencional ou que ninguém lê mais ou qualquer outra coisa cuja função é simplesmente me colocar para baixo, eu paro e penso: de onde vem essa ideia e para o que ela serve? Quase sempre a resposta é: vem da minha insegurança, do meu eu que faz julgamentos e tem medo de errar, e serve apenas para deixá-lo confortável. Eu não quero que meu lado medroso fique confortável! Eu quero que meu lado raposa, esse lado criativo e emocional que todos nós temos, esteja solto e sadio para viver e experimentar o mundo. Quando essas ideias tentam invadir minha cabeça, então, eu olho para o papel colado na parede dizendo "Escreva!" e obedeço, porque sei que pensamentos são mais fracos que ações e que se algo vai me ajudar a alcançar o que desejo para a vida são minhas ações e não os meus pensamentos.

Eu não tenho uma fórmula mágica para acabar com a insegurança. O que tenho é meu próprio caminho na busca por ser menos refém do meu eu medroso e mais aliado do meu eu raposa.

segunda-feira, setembro 16, 2013

Maré vazante

No início de junho fui à festa literária Escandaliza, da Editora Escândalo (dedicada a títulos com temática LGBT), para o lançamento do Loveless, meu primeiro filhote (em conjunto com vários outros autores que aos poucos têm se tornado parceiros de conversas e agonias e prazeres de escrita). Foi lá que eu conheci Alexandre Melo, autor do livro Maré Vazante e outras estórias, também pela Editora Escândalo.


Eu não pretendia comprar nenhum livro do catálogo da Editora Escândalo naquela noite. Não que nenhum me interessasse, até pelo contrário, mas a verdade é que aquela noite era minha, só minha (e também dos meus amigos e dos colegas escritores, mas ei, meu blog, meu egocentrismo). Em meio aos vinhos e conversas, eu estava tão extasiado que nem sabia pra onde olhar. Informação demais, tesão demais junto, muita coisa acontecendo. Então ouvi meus amigos conversando com um moço que usava uma camisa engraçada (de bichinhos ou martelinhos ou alguma outra coisa inha, mas que chamava a atenção) e alguém disse pra mim, entregando esse livro branco com capa de roupinhas dobradas:

– Abre em qualquer página e lê, tu vai gostar. – O "tu" é licença poética minha para transformar todos meus amigos e conhecidos em gaúchos.

Eu folheei e nem achei tudo isso. Pensei que seria um livro de aforismos ou algo do gênero, ou que a narrativa seria tão mágica que cada parágrafo me amarraria sem saída. Aí eu conheci o autor, moço simpático e fofo (porque na hora de discursar ele fez a declaração de amor mais love story que já vi pessoalmente e achei bem mágico, só não chorei porque esqueci como se faz isso, mas o namorado-marido-companheiro dele chorou e foi bem lindo mesmo).

Ele foi um dos avaliadores do concurso de seleção de contos para o Loveless, então havia lido todos os textos. Conversando com ele, ganhei o maior elogio que eu poderia ter recebido de um escritor. Ou pelo menos o que eu até hoje considero o melhor, algum dia pode aparecer algum que o supere, mas já ali fiquei todo coração batendo forte e rosto ruborizado. As palavras dele me tocaram a tal ponto que coloquei imediatamente uma ideia na cabeça: eu só posso aceitar esse elogio e ser feliz com ele se o cara for um escritor que eu goste. De pouco adiantaria um elogio de alguém que não sabe escrever. Tá, eu sei, arrogância absurda, mas foi o que eu pensei, só estou sendo sincero. É a minha licença poética pra ser cretino mentalmente.

Daí eu comprei o livro, uma semana passou e li o danado. Aliás, verbo errado. Devorei, comi, introjetei, sorvi, me embriaguei no livro do Alexandre. Fiquei ao mesmo tempo alegre por haver conhecido um bom escritor e recebido um elogio dele e admirado pelo longo caminho que tenho a percorrer escrevendo. Não sei se faz sentido falar em níveis, mas sinto que não estou no nível dele. O conto que dá nome ao livro é maravilhoso; o que abre a seleção de histórias é iniciado auspiciosamente com uma chave na fechadura; o último é tão de adeus que chega a nos dar tchau quando termina.

Não é um livro sobre gays. É um livro com gays sobre questões da vida. Acho que o único defeito, se é que é um defeito e não sua principal fonte de impacto, é ser tão pequeno, tão efêmero, tão passageiro. Vem, alfineta nossas emoções e vai embora. Leiam.

A importância do leitor

Meu namorado lê os meus contos na medida em que eles vão ficando prontos. Não mostro nada a meio caminho, só finalizado, e assim vou obtendo um retorno sobre minhas ideias e a maneira como elas estão colocadas na narrativa. Todo mundo deveria ter um leitor que goste de comentar os textos. O olhar dele é o de outra pessoa, ou seja, distante do universo imaginário de onde tiro ideias e explicações para as minhas histórias.

Não, ele não faz análises complexas relativas à estrutura geral da trama ou algo assim. Ele apenas me diz o que gostou, o que não gostou, o que funcionou para ele ou deixou de funcionar. É nesse processo que vou percebendo como ele é afetado pelas minhas letras. Foi como sábado enquanto vi as pessoas lendo meu conto, suas reações me informaram sobre caminhos que valem a pena perseguir com a minha escrita.

Ontem passei o dia frustrado por não conseguir escrever o que eu queria. Acabei voltando a um texto velho que não havia terminado. Ainda não terminei, aliás. Penso que tenho sido muito didático na minha escrita. Será um reflexo de haver feito um mestrado e uma dissertação?

sábado, setembro 14, 2013

Dans la maison

Dans la maison (Dentro da casa) é um filme que eu passarei a indicar para escritores. Conta sobre a relação entre um professor de literatura desacreditado com a vida (que volta das férias justificando seu pessimismo através da leitura de Schopenhauer) e um estudante de dezesseis anos que o surpreende com um texto encantador. O paralelo que o próprio filme constrói com As mil e uma noites é inevitável.


Enquanto Claude, o protagonista menino, adentra na casa que dá nome ao filme, ele elabora sua escrita com o auxílio apaixonado do professor, que acaba envolvido além dos limites éticos tipicamente estabelecidos entre alunos e seus mestres. Em certo ponto, nos colocamos a pensar se não verdade não estaria o professor apaixonado.

Conheci o filme porque foi indicado em um blog que lista filmes com temática LGBT. Isso talvez já dê a resposta ao parágrafo anterior, mas deixarei que o filme responda por mim às questões que levantei. Como o professor ensina, um bom final é aquele que surpreende sobremaneira, mas que nos deixa pensando que não haveria outro término possível para a história. Eis algo que o filme alcançou.

Um escritor tímido

Hoje fui a uma feira de troca-troca feminista com meu livro na bolsa e muita timidez na hora de mostrá-lo ao mundo. "Ah, você é tímido, tem que mostrar o livro", dizem-me como se palavras pudessem mudar minha disposição frente ao mundo. Sério, obrigado pela preocupação e pelo impulso, ajuda mesmo, mas não muda nada, amanhã deixo o livro guardado de novo.

Ser tímido é uma droga, é como ter medo do mundo.
Por meio das letras eu sou raposa, livre para viver e dizer o que penso e desejo.

Anotações para o futuro: que fique no passado o meu medo de ser.

sexta-feira, setembro 13, 2013

Forma x Conteúdo (ou: dia de faxina)

Minha casa está um chiqueiro. Tenho medo de passar a vassoura e o pó me engolir. Hoje é o dia em que vou limpá-la, finalmente. Sempre que faço isso, escrevo um texto sobre como o estado de nossa vida é refletido no estado de nossa casa: se o lugar está desarrumado, se não temos tempo ou o costume para ajeitar as coisas, então provavelmente também estamos com os pensamentos desajeitados, sem tempo ou prática de ordená-los.


Hoje, porém, quero avançar para uma outra metáfora.
Recentemente li um comentário no Facebook sobre escritores que apresentam ótimos enredos para suas histórias, mas pecam no uso da linguagem, no estilo, na gramática. Estudando escritores e livros para escritores, cheguei à conclusão de que preciso aprimorar o conteúdo das minhas histórias, mas principalmente a forma delas. Meu texto ainda é muito 'blogueiro', muito informal e direto. Eu não mostro as coisas, eu as conto (o que pode ser um equívoco literário, pois fazendo isso eu atalho a imaginação do leitor).

Talvez minha casa e minha vida sejam um exemplo disso. Há dentro dela um conteúdo interessante, eu, mas é um conteúdo meio sem graça de ler e conhecer, pois não oferece muitos destaques, muitas características empolgantes para agarrar o 'leitor' e levá-lo até o fim da história. Sempre tive para mim que sou uma pessoa sem graça à primeira impressão (meu medo é também o ser à segunda, terceira...), a pessoa precisa apostar em mim para efetivamente encontrar algum prazer (afetivo, literário etc.).

Junto com isso, a forma não é lá muito privilegiada. Eu não me cuido muito fisicamente, ando com o cabelo de qualquer jeito, a barba por fazer, as roupas simplesmente jogadas pelo corpo. Minha casa espelha o resto: ela é boa para o que serve, mas não dou a ela um tratamento muito cativante. Arrumá-la significa sempre me empenhar para melhorá-la, assim como sentar para revisar e reescrever meus textos implica em estar procurando poetizar minhas histórias.

quinta-feira, setembro 12, 2013

Decisões importantes

As pessoas mais próximas a esta raposa já sabem: estou preparando uma mudança grande na vida. É uma ação que poderá afetar, em algum nível, todo mundo que me conhece. Para chegar a ela, estou considerando algumas etapas complicadas. Uma delas envolve libertar-me da quantidade de roupas que tenho em excesso. Outra, mais difícil para mim, inclui ter menos livros.

Ter menos. Essa é a proposta. Eu não preciso ter tudo o que tenho e o tempo transformou essas posses em entulhos, obstáculos para minha livre circulação.


Hoje sonhei que compartilhava com uma professora meu sonho de escrever. Ela me perguntou sobre o doutorado, se me inscreveria para fazê-lo aqui e agora, mas respondi que não, que meus planos me direcionavam para outro lado. Então ela comentou algo que me acordou pensativo: "O importante em escrever não é o escrever em si, isso tu pega o hábito e a técnica e vai trabalhando em torno. O importante é mostrar ao mundo.".

Eu concordo com ela. Preciso mostrar ao mundo o que escrevo e é isso que farei. Se 2013 está sendo um ano feliz de mudanças sutis e grandes projetos, 2014 será o ano de entrar em ação e mergulhar fundo no meu maior sonho. Para fazer isso, preciso romper as correntes que se foram criando com o tempo. Para fazer isso, preciso retomar minha liberdade, pois não conseguirei me doar ao sonho se estiver envolvido nas brumas da realidade.

Será que vai funcionar?

quinta-feira, agosto 29, 2013

Tempos difíceis para os sonhadores

No filme O fabuloso destino de Amélie Poulain há um momento em que falam que atualmente são tempos difíceis para os sonhadores.


Ando assim meio pensativo, parte dolorido, parte sonhador.
Por enquanto, aproveito que posso e sonho. Espero, se possível, compartilhar esses pedacinhos de imaginação com outras pessoas. Afetá-las. Não consigo evitar: quero que minha vida seja feita de mudar a dos outros.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Oficina de escritores

Comecei a ler Oficina de escritores, de Stephen Koch, e desde a primeira página estou experimentando a estranha vontade de ler devagar para que ele nunca acabe. Um livro, ao contrário de muitas outras coisas na vida, sempre estabelece desde o início da relação quando chegará ao fim. Pode acabar antes, mas nunca depois da última página. Há a releitura, alguém dirá, mas reler é reviver a memória, retornar a um amor que deu certo, mas sei foi.



Ao longo do livro (estou na página 110 de 270), o autor vai não tanto ensinando o que fazer ou como fazer, mas inspirando o que e como construir na arte da ficção. Recentemente abandonei frustrado a construção de um romance que esteve na minha cabeça há anos. Agora sinto-me confiante para dar uma chance maior a essa semente, de modo que ela continue crescendo. Desistir simplesmente porque não alcancei a melhor maneira de expressar minhas ideias na primeira tentativa é infantil, mas uma lição valiosíssima para alguém como eu, todo cheio de medos.

É tão bom ler um livro que foi escrito diretamente para mim. Os conselhos de Koch são para esse meu momento: escritor iniciante. Fere o orgulho admitir que meu texto ainda é muito frágil e que sei quase nada sobre a construção de narrativas. Por outro lado, estou feliz de cruzar com eles agora. Num passado talvez eu não tivesse compreendido suas propostas... provavelmente diria que ele fala besteiras ou obviedades. Não é incrível como as coisas só fazem sentido no momento exato de sentir, nunca antes e certamente não tão exato depois?

domingo, agosto 18, 2013

Falsas promessas

A principal vantagem de se manter um blog por muitos anos (no caso da Raposa, já são sete) é a possibilidade de reler textos do passado e descobrir quem nós éramos a partir do que escrevíamos. Isso facilita muito meu trabalho de saber quem eu sou, ou pelo menos quem eu nunca deixei de ser (não sei se é a mesma coisa). Um trechinho de 2008:
Já não terei mais desculpas para não escrever, e com isso também não terei desculpas para não viver. Com a graduação concluída, talvez eu consiga até mesmo lançar um livro antes do fim de 2009.
Isso em agosto de 2008. Tenho certeza que se eu buscar ainda antes também encontrarei referências sobre minha vontade de continuar escrevendo, de publicar livros. Sonho de infância: ser um escritor famoso. Falei sobre isso em 2012, 2006 e com certeza em todos os anos. Há mais um texto de 2008:
Ao longo do ensino médio e, depois, da faculdade, eu percebi que ser o melhor é difícil; só é fácil se destacar entre pessoas que não se destacam. [...] 
Esse é de fevereiro de 2008, na postagem número 200 da Raposa Antropomórfica. Os próximos trechos são da mesma postagem, estou relendo aqui e vendo muitas coisas que continuam. Alguns discursos simplesmente não mudam, a gente os redescobre de tempos em tempos, mas se não fazemos nada para mudar, eles vão reaparecer vestidos de novidade no futuro.
(uma pausa... sempre que eu escrevo aqui na Raposa Antropomórfica eu tenho vontade de chorar... é estranho, como se eu estivesse abrindo algumas janelas para quartos realmente escuros... que venha o sol)
Eu não sinto mais essa vontade de chorar. Escrever sobre mim já não é mais uma dor constante. Falar e pensar sobre quem eu sou já não me machuca, pois agora tenho uma noção um pouco mais ajeitada sobre quem sou e o que estou fazendo neste mundo. Ainda não sou todo raposa como gostaria, mas estou muito mais próximo disso do que em 2008. Aí vem a bomba:
Outro ponto, last but not least, é o meu retorno às letras. Como é engraçado que no segundo grau meus colegas – os que eu conversava com, pelo menos – sabiam que eu era, ou queria ser, um escritor, e hoje ninguém mais sabe. Alguns sabem, mas que provas eles têm, se eu estou com minha imaginação encerrada apenas à minha cabeça? Devo expandir esses limites, ou do contrário minhas histórias serão nada mais que sonhos particulares. Isso não quero. Anseio pelo retorno à literatura.
Parar de escrever foi muito dolorido para mim, apesar de ter acontecido lentamente. Não sei bem como aconteceu, foi um misto de desilusão e de "meu texto não é bom o bastante". Minha última tentativa de escrita não foi exatamente uma criação literária; está muito mais para uma liberação de idéias sem muito refino.
Eu lembro dessa dor sempre que conto a alguém sobre minha veia de escritor. Com o auxílio da Raposa Antropomórfica, percebo que muitas das minhas promessas ao longo desses anos foram engodos, gritos de guerra que entoei para distrair a mim mesmo. Isso acontece porque não são as promessas que são importantes, mas as ações que tomamos para cumpri-las.

Prometer que seremos melhores não tem valor algum. Pode até convencer a um ou a outro, pode até convencer a nós mesmos. Não convence a realidade. Para alguém acostumado às palavras, eu deveria já estar acostumado também com seus limites.

Quero realmente acreditar que agora será diferente, que agora estou agindo. Dentro de alguns anos, relendo esse texto, saberei se eu estava certo ou se foram novamente apenas palavras.
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