No início de junho fui à festa literária Escandaliza, da Editora Escândalo (dedicada a títulos com temática LGBT), para o lançamento do Loveless, meu primeiro filhote (em conjunto com vários outros autores que aos poucos têm se tornado parceiros de conversas e agonias e prazeres de escrita). Foi lá que eu conheci Alexandre Melo, autor do livro Maré Vazante e outras estórias, também pela Editora Escândalo.
Eu não pretendia comprar nenhum livro do catálogo da Editora Escândalo naquela noite. Não que nenhum me interessasse, até pelo contrário, mas a verdade é que aquela noite era minha, só minha (e também dos meus amigos e dos colegas escritores, mas ei, meu blog, meu egocentrismo). Em meio aos vinhos e conversas, eu estava tão extasiado que nem sabia pra onde olhar. Informação demais, tesão demais junto, muita coisa acontecendo. Então ouvi meus amigos conversando com um moço que usava uma camisa engraçada (de bichinhos ou martelinhos ou alguma outra coisa inha, mas que chamava a atenção) e alguém disse pra mim, entregando esse livro branco com capa de roupinhas dobradas:
– Abre em qualquer página e lê, tu vai gostar. – O "tu" é licença poética minha para transformar todos meus amigos e conhecidos em gaúchos.
Eu folheei e nem achei tudo isso. Pensei que seria um livro de aforismos ou algo do gênero, ou que a narrativa seria tão mágica que cada parágrafo me amarraria sem saída. Aí eu conheci o autor, moço simpático e fofo (porque na hora de discursar ele fez a declaração de amor mais love story que já vi pessoalmente e achei bem mágico, só não chorei porque esqueci como se faz isso, mas o namorado-marido-companheiro dele chorou e foi bem lindo mesmo).
Ele foi um dos avaliadores do concurso de seleção de contos para o Loveless, então havia lido todos os textos. Conversando com ele, ganhei o maior elogio que eu poderia ter recebido de um escritor. Ou pelo menos o que eu até hoje considero o melhor, algum dia pode aparecer algum que o supere, mas já ali fiquei todo coração batendo forte e rosto ruborizado. As palavras dele me tocaram a tal ponto que coloquei imediatamente uma ideia na cabeça: eu só posso aceitar esse elogio e ser feliz com ele se o cara for um escritor que eu goste. De pouco adiantaria um elogio de alguém que não sabe escrever. Tá, eu sei, arrogância absurda, mas foi o que eu pensei, só estou sendo sincero. É a minha licença poética pra ser cretino mentalmente.
Daí eu comprei o livro, uma semana passou e li o danado. Aliás, verbo errado. Devorei, comi, introjetei, sorvi, me embriaguei no livro do Alexandre. Fiquei ao mesmo tempo alegre por haver conhecido um bom escritor e recebido um elogio dele e admirado pelo longo caminho que tenho a percorrer escrevendo. Não sei se faz sentido falar em níveis, mas sinto que não estou no nível dele. O conto que dá nome ao livro é maravilhoso; o que abre a seleção de histórias é iniciado auspiciosamente com uma chave na fechadura; o último é tão de adeus que chega a nos dar tchau quando termina.
Não é um livro sobre gays. É um livro com gays sobre questões da vida. Acho que o único defeito, se é que é um defeito e não sua principal fonte de impacto, é ser tão pequeno, tão efêmero, tão passageiro. Vem, alfineta nossas emoções e vai embora. Leiam.
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segunda-feira, setembro 16, 2013
segunda-feira, setembro 02, 2013
Planos para o futuro
Setembro chegou e, com ele, a hora de fazer os planos para o meu futuro. Ainda não pretendo entrar em detalhes, embora meus amigos e namorado já estejam cientes e participantes do processo. São muitas coisas a acertar até o final do ano, o que certamente inaugura uma nova temporada na vida desta raposa. Por ora, deixo registrado minha intenção: ter escrito um livro de contos com temática LGBT antes do fim de 2013.
O plano inicial era ter um livro meu publicado, mas estou em dúvida se vou investir pessoalmente em editar/publicar ou se vou batalhar por uma editora. De toda forma, ainda estou a meio caminho no material, portanto nem vou gastar neurônios considerando como editar um livro que ainda não existe.
Um dos planos para 2014 é retomar a escrita de literatura fantástica. Esses são os dois universos com os quais me sinto mais a vontade para criar, por isso pretendo investir profundamente neles.
O plano inicial era ter um livro meu publicado, mas estou em dúvida se vou investir pessoalmente em editar/publicar ou se vou batalhar por uma editora. De toda forma, ainda estou a meio caminho no material, portanto nem vou gastar neurônios considerando como editar um livro que ainda não existe.
Um dos planos para 2014 é retomar a escrita de literatura fantástica. Esses são os dois universos com os quais me sinto mais a vontade para criar, por isso pretendo investir profundamente neles.
sábado, julho 06, 2013
Meu primeiro filhote
No fim de maio foi lançado o primeiro livro no qual tenho uma participação como autor. O Loveless traz, entre outras várias histórias, o conto O bufo, sobre um jovem e seus enfrentamentos quando precisa decidir se irá rever seus ex-colegas de colégio responsáveis por anos de tortura e bullying. Essa é uma história que traz muito de mim e que nasce de algumas experiências pelas quais passei. Contudo, ela não é exatamente meu primeiro filhote. Bem, é e não é.
Antes de escrever O bufo e tê-lo aceito para publicação no Loveless eu já escrevia há algum tempo. Lembro de uma festa de natal em que meu pai propagandeava a quem quisesse ouvir que seu filho havia escrito um livro. Eu estava no segundo ano do Ensino Médio e, de fato, havia escrito uma história. Uma professora leu A teoria dos anjos (professora essa que é mãe de um moço que veio a se tornar um dos meus grandes amigos atualmente) e disse que eu tinha um 'estilo machadiano'.
Levei o material a uma editora todo ávido por minha história ganhar páginas, mas era uma daquelas editoras que cobram para fazer qualquer material que lhes seja entregue, então não serviu exatamente para que eu tivesse uma noção da qualidade das minhas letras. Relendo 'meu primeiro livro' percebo que é um texto ingênuo, mas era uma semente que hoje já é um arbusto, quase uma árvore.
Agora outros filhotes começam a aparecer. Depois do Bufo, dentro de um ou dois meses terei O terceiro passo também publicado (mais notícias sobre isso quando eu tiver datas em mãos). Há um outro conto esperando ser apreciado e, se for aprovado, também ganhará forma e cor (chama O ponto do amor). Concluindo esse processo, terminei ontem de escrever a Terapia alternativa. Nesse fim de semana pretendo começar mais um conto, cujo nome provisório é A marcha da vadia, minha primeira história cuja protagonista é mulher.
Por que estou contando tudo isso? Simples: porque mais do que nunca acredito no potencial do meu sonho – ser um escritor (famoso) – se realizar. A minha parte do negócio eu comecei a fazer, estou escrevendo e buscando publicar. A outra parte é com vocês, meus queridos amigos de raposa.
Antes de escrever O bufo e tê-lo aceito para publicação no Loveless eu já escrevia há algum tempo. Lembro de uma festa de natal em que meu pai propagandeava a quem quisesse ouvir que seu filho havia escrito um livro. Eu estava no segundo ano do Ensino Médio e, de fato, havia escrito uma história. Uma professora leu A teoria dos anjos (professora essa que é mãe de um moço que veio a se tornar um dos meus grandes amigos atualmente) e disse que eu tinha um 'estilo machadiano'.
Levei o material a uma editora todo ávido por minha história ganhar páginas, mas era uma daquelas editoras que cobram para fazer qualquer material que lhes seja entregue, então não serviu exatamente para que eu tivesse uma noção da qualidade das minhas letras. Relendo 'meu primeiro livro' percebo que é um texto ingênuo, mas era uma semente que hoje já é um arbusto, quase uma árvore.
Agora outros filhotes começam a aparecer. Depois do Bufo, dentro de um ou dois meses terei O terceiro passo também publicado (mais notícias sobre isso quando eu tiver datas em mãos). Há um outro conto esperando ser apreciado e, se for aprovado, também ganhará forma e cor (chama O ponto do amor). Concluindo esse processo, terminei ontem de escrever a Terapia alternativa. Nesse fim de semana pretendo começar mais um conto, cujo nome provisório é A marcha da vadia, minha primeira história cuja protagonista é mulher.
Por que estou contando tudo isso? Simples: porque mais do que nunca acredito no potencial do meu sonho – ser um escritor (famoso) – se realizar. A minha parte do negócio eu comecei a fazer, estou escrevendo e buscando publicar. A outra parte é com vocês, meus queridos amigos de raposa.
quinta-feira, abril 04, 2013
Não fique só nas ideias
Neste semana, alguns alunos apresentaram um trabalho que inclui uma proposta de "semana da diversidade" a ser organizada e implementada em alguma escola. O esboço do projeto já inclui possíveis palestrantes e também uma página da internet. Claro, tem muito ainda a melhorar, mas como qualquer projeto que foi iniciado (ou seja, que saiu da exclusividade do plano das ideias), ele está ali e agora pode ser interferido por outras pessoas.
Ontem, na aula, pediram para que eu falasse sobre processo criativo. É um tema que eu gosto muito, mas que nunca parei para sistematizar uma foma de orientar um processo de aprendizagem. Eu acredito, no que tange à criatividade, que devemos antes de mais nada fazer o que quer que seja. A partir das primeiras tentativas, geralmente fadadas ao insucesso, chegaremos a ideias melhores e também a execuções mais competentes. As primeiras coisas que rabiscamos costumam ser as óbvias, as fáceis, as mais acessíveis no nosso cérebro. Criação não é inspiração, criação é ofício. Sem prática, sem evolução.
O livro O quarto ao lado foi uma grata surpresa que cruzou meu caminho. Como iniciei meu mestrado interessado em histórias em quadrinhos com personagens queer (para depois passar por um longo período de reconsideração do que eu entendo como "personagem queer"), acabei conhecendo pessoas com interesses semelhantes. Foi assim que o livro veio parar na minha mão: o moço responsável por ele (Marcelo Lima) entrou em contato e me enviou uma cópia para que eu pudesse conhecer o trabalho.
O livro traz quatro histórias, três delas em quadrinhos e uma em forma de conto, que abordam possibilidades de diversidade sexual. É um projeto inspirador acima de tudo pela sua construção e efetivação, provando que é possível dar visibilidade a vozes e histórias que muitas vezes tendem a ser ignoradas. São narrativas de encontros e desencontros que se misturam bem do jeito que a vida gosta de fazer: com um sabor de "não achei que pudesse, mas aconteceu".
Outro projeto que também tem me inspirado é a Elo Editorial, grupo de estudantes do curso de Produção Editorial da Universidade Federal de Santa Maria que se reuniu para começar a experimentar os modos de fazer livro. E fizeram. Já lançaram duas edições do livro Bang, que reúne prosas e poesias selecionadas a partir do material enviado por interessados. O resultado, entre textos e ilustrações, é bastante agradável.
O que falta para qualquer um desses três "eixos" crescer? Eu dar os passos necessários para isso, tirar as ideias da cabeça e dar forma real a elas. Recentemente tive uma grata surpresa: enviei um conto para um concurso e fui aprovado como um dos autores que serão lançados no livro da Editora Escândalo. O que isso significa? Que minha vida de escritor foi definitivamente retomada e que estou escrevendo 748473 textos por dia? Não. Significa que um grupo de pessoas que publica materiais na linha dos que eu escrevo gostou das minhas letras e resolveu publicar. Significa que o mimimi de "talvez eu não escreva tão bem pra publicar" não deveria mais ser sustentado como desculpa para me impedir de trilhar os caminhos que desejo.
Acima de qualquer coisa, significa que se eu não der um primeiro passo (e todo dia precisa de um novo primeiro passo), nada mais vai acontecer. Enquanto agir não for um hábito, eu serei a raposa que apenas gostaria de ser, mas não é.
Ontem, na aula, pediram para que eu falasse sobre processo criativo. É um tema que eu gosto muito, mas que nunca parei para sistematizar uma foma de orientar um processo de aprendizagem. Eu acredito, no que tange à criatividade, que devemos antes de mais nada fazer o que quer que seja. A partir das primeiras tentativas, geralmente fadadas ao insucesso, chegaremos a ideias melhores e também a execuções mais competentes. As primeiras coisas que rabiscamos costumam ser as óbvias, as fáceis, as mais acessíveis no nosso cérebro. Criação não é inspiração, criação é ofício. Sem prática, sem evolução.
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| http://oquartoaolado.com/ |
O livro traz quatro histórias, três delas em quadrinhos e uma em forma de conto, que abordam possibilidades de diversidade sexual. É um projeto inspirador acima de tudo pela sua construção e efetivação, provando que é possível dar visibilidade a vozes e histórias que muitas vezes tendem a ser ignoradas. São narrativas de encontros e desencontros que se misturam bem do jeito que a vida gosta de fazer: com um sabor de "não achei que pudesse, mas aconteceu".
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| https://www.facebook.com/eloeditorial |
E a raposa, publica quando?
Os leitores costumeiros sabem que eu tenho um interesse por publicação que aparece em inúmeras vias. Como pesquisa de doutorado, jovens que se publicam nus na internet. Como profissional, os processos de escrita, revisão e diagramação de livros e periódicos. Como artista/escritor, a parte de escrever e efetivamente publicar ou ser publicado.O que falta para qualquer um desses três "eixos" crescer? Eu dar os passos necessários para isso, tirar as ideias da cabeça e dar forma real a elas. Recentemente tive uma grata surpresa: enviei um conto para um concurso e fui aprovado como um dos autores que serão lançados no livro da Editora Escândalo. O que isso significa? Que minha vida de escritor foi definitivamente retomada e que estou escrevendo 748473 textos por dia? Não. Significa que um grupo de pessoas que publica materiais na linha dos que eu escrevo gostou das minhas letras e resolveu publicar. Significa que o mimimi de "talvez eu não escreva tão bem pra publicar" não deveria mais ser sustentado como desculpa para me impedir de trilhar os caminhos que desejo.
Acima de qualquer coisa, significa que se eu não der um primeiro passo (e todo dia precisa de um novo primeiro passo), nada mais vai acontecer. Enquanto agir não for um hábito, eu serei a raposa que apenas gostaria de ser, mas não é.
domingo, março 10, 2013
A diferença entre uma ideia e um plano de negócios
Eu quero abrir uma editora. Estou com essa ideia na cabeça há alguns dias e até bem empolgado com ela. Só que ela é apenas uma ideia, não uma proposta de negócio. Por quê?
Antes de mais nada, um plano de negócios envolve questões financeiras. Eu vou dizer "ah, eu sei mais ou menos quanto custa para fazer um livro e imprimi-lo. Consigo até estimar os custos de distribuição, mesmo sendo essa a minha área fraca no processo editorial". O problema é que isso não é o suficiente. Eu não preciso saber apenas quanto custa um processo, necessito também estipular de onde tirarei os fundos necessários para cobrir esses gastos e no mínimo calcular quanto tempo precisarei lidar com uma atividade profissional que não me dê lucro. No caso de editoras, a perspectiva não é das mais positivas.
Uma ideia é toda linda e muda o mundo. Um plano de negócios tem um público alvo bem definido. Não é ser medroso, mas consciente. Não é todo mundo que lê e da pequena quantidade de leitores que o mundo anda oferecendo aos editores, querer uma fatia grande demais do bolo pode ser gulodice. Especializar-se, por outro lado, e depois ir expandindo conforme a possibilidade, pode significar não apenas a permanência no mercado: pode significar a sobrevivência. Segundo um estudo do Sebrae em 2003, 31% das empresas fracassam no primeiro ano de operação e 60% não chegam aos cinco anos de vida.
Uma ideia, portanto, não basta. Ela é necessária para fornecer um norte, mas deve vir acompanhada de outras preocupações. Certamente outras questões diferenciam ideias e planos de negócios. Continuo conversando e pensando sobre a minha editora. Será que um empreendimento está nascendo?
Antes de mais nada, um plano de negócios envolve questões financeiras. Eu vou dizer "ah, eu sei mais ou menos quanto custa para fazer um livro e imprimi-lo. Consigo até estimar os custos de distribuição, mesmo sendo essa a minha área fraca no processo editorial". O problema é que isso não é o suficiente. Eu não preciso saber apenas quanto custa um processo, necessito também estipular de onde tirarei os fundos necessários para cobrir esses gastos e no mínimo calcular quanto tempo precisarei lidar com uma atividade profissional que não me dê lucro. No caso de editoras, a perspectiva não é das mais positivas.
Uma ideia é toda linda e muda o mundo. Um plano de negócios tem um público alvo bem definido. Não é ser medroso, mas consciente. Não é todo mundo que lê e da pequena quantidade de leitores que o mundo anda oferecendo aos editores, querer uma fatia grande demais do bolo pode ser gulodice. Especializar-se, por outro lado, e depois ir expandindo conforme a possibilidade, pode significar não apenas a permanência no mercado: pode significar a sobrevivência. Segundo um estudo do Sebrae em 2003, 31% das empresas fracassam no primeiro ano de operação e 60% não chegam aos cinco anos de vida.
Uma ideia, portanto, não basta. Ela é necessária para fornecer um norte, mas deve vir acompanhada de outras preocupações. Certamente outras questões diferenciam ideias e planos de negócios. Continuo conversando e pensando sobre a minha editora. Será que um empreendimento está nascendo?
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