Mostrando postagens com marcador Sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sonho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, setembro 12, 2013

Decisões importantes

As pessoas mais próximas a esta raposa já sabem: estou preparando uma mudança grande na vida. É uma ação que poderá afetar, em algum nível, todo mundo que me conhece. Para chegar a ela, estou considerando algumas etapas complicadas. Uma delas envolve libertar-me da quantidade de roupas que tenho em excesso. Outra, mais difícil para mim, inclui ter menos livros.

Ter menos. Essa é a proposta. Eu não preciso ter tudo o que tenho e o tempo transformou essas posses em entulhos, obstáculos para minha livre circulação.


Hoje sonhei que compartilhava com uma professora meu sonho de escrever. Ela me perguntou sobre o doutorado, se me inscreveria para fazê-lo aqui e agora, mas respondi que não, que meus planos me direcionavam para outro lado. Então ela comentou algo que me acordou pensativo: "O importante em escrever não é o escrever em si, isso tu pega o hábito e a técnica e vai trabalhando em torno. O importante é mostrar ao mundo.".

Eu concordo com ela. Preciso mostrar ao mundo o que escrevo e é isso que farei. Se 2013 está sendo um ano feliz de mudanças sutis e grandes projetos, 2014 será o ano de entrar em ação e mergulhar fundo no meu maior sonho. Para fazer isso, preciso romper as correntes que se foram criando com o tempo. Para fazer isso, preciso retomar minha liberdade, pois não conseguirei me doar ao sonho se estiver envolvido nas brumas da realidade.

Será que vai funcionar?

domingo, setembro 08, 2013

Um livro gostoso


Eu estava com os editores da Escândalo (Giselle e Roberto) numa mesa grande dentro de um restaurante ou um salão de festas. Tínhamos pratos à nossa frente e conversávamos sobre a arte de escrever. Coisa simples, autor conversando com autores editores. Logo chegaram alguns amigos que ainda não conheciam o Loveless, então entreguei-lhes um exemplar (de onde tirei? Não sei, era sonho, pô!) para que olhassem. Eram uns quatro, ao todo.

Olho para Giselle e Roberto, troco qualquer palavra e me volto aos amigos a fim de informá-los do preço. Eis que vejo-os com o livro aberto e percebo diversas folhas já arrancadas. Em seus pratos, uma macarronada toda colorida de temperos e sabores. Um deles ainda teve a audácia de comentar entre uma garfada e outra: "nossa, seu conto é muito gostoso". Alguns livros só podem ser devorados uma vez...

quinta-feira, abril 04, 2013

Não fique só nas ideias

Neste semana, alguns alunos apresentaram um trabalho que inclui uma proposta de "semana da diversidade" a ser organizada e implementada em alguma escola. O esboço do projeto já inclui possíveis palestrantes e também uma página da internet. Claro, tem muito ainda a melhorar, mas como qualquer projeto que foi iniciado (ou seja, que saiu da exclusividade do plano das ideias), ele está ali e agora pode ser interferido por outras pessoas.

Ontem, na aula, pediram para que eu falasse sobre processo criativo. É um tema que eu gosto muito, mas que nunca parei para sistematizar uma foma de orientar um processo de aprendizagem. Eu acredito, no que tange à criatividade, que devemos antes de mais nada fazer o que quer que seja. A partir das primeiras tentativas, geralmente fadadas ao insucesso, chegaremos a ideias melhores e também a execuções mais competentes. As primeiras coisas que rabiscamos costumam ser as óbvias, as fáceis, as mais acessíveis no nosso cérebro. Criação não é inspiração, criação é ofício. Sem prática, sem evolução.

quadrinhos gay
http://oquartoaolado.com/
O livro O quarto ao lado foi uma grata surpresa que cruzou meu caminho. Como iniciei meu mestrado interessado em histórias em quadrinhos com personagens queer (para depois passar por um longo período de reconsideração do que eu entendo como "personagem queer"), acabei conhecendo pessoas com interesses semelhantes. Foi assim que o livro veio parar na minha mão: o moço responsável por ele (Marcelo Lima) entrou em contato e me enviou uma cópia para que eu pudesse conhecer o trabalho.

O livro traz quatro histórias, três delas em quadrinhos e uma em forma de conto, que abordam possibilidades de diversidade sexual. É um projeto inspirador acima de tudo pela sua construção e efetivação, provando que é possível dar visibilidade a vozes e histórias que muitas vezes tendem a ser ignoradas. São narrativas de encontros e desencontros que se misturam bem do jeito que a vida gosta de fazer: com um sabor de "não achei que pudesse, mas aconteceu".

produção editorial
https://www.facebook.com/eloeditorial
Outro projeto que também tem me inspirado é a Elo Editorial, grupo de estudantes do curso de Produção Editorial da Universidade Federal de Santa Maria que se reuniu para começar a experimentar os modos de fazer livro. E fizeram. Já lançaram duas edições do livro Bang, que reúne prosas e poesias selecionadas a partir do material enviado por interessados. O resultado, entre textos e ilustrações, é bastante agradável.

E a raposa, publica quando?

Os leitores costumeiros sabem que eu tenho um interesse por publicação que aparece em inúmeras vias. Como pesquisa de doutorado, jovens que se publicam nus na internet. Como profissional, os processos de escrita, revisão e diagramação de livros e periódicos. Como artista/escritor, a parte de escrever e efetivamente publicar ou ser publicado.

O que falta para qualquer um desses três "eixos" crescer? Eu dar os passos necessários para isso, tirar as ideias da cabeça e dar forma real a elas. Recentemente tive uma grata surpresa: enviei um conto para um concurso e fui aprovado como um dos autores que serão lançados no livro da Editora Escândalo. O que isso significa? Que minha vida de escritor foi definitivamente retomada e que estou escrevendo 748473 textos por dia? Não. Significa que um grupo de pessoas que publica materiais na linha dos que eu escrevo gostou das minhas letras e resolveu publicar. Significa que o mimimi de "talvez eu não escreva tão bem pra publicar" não deveria mais ser sustentado como desculpa para me impedir de trilhar os caminhos que desejo.

Acima de qualquer coisa, significa que se eu não der um primeiro passo (e todo dia precisa de um novo primeiro passo), nada mais vai acontecer. Enquanto agir não for um hábito, eu serei a raposa que apenas gostaria de ser, mas não é.

sábado, setembro 22, 2012

Ataca no gol?

Essa é daquelas que eu sempre tive medo, mas não vivia há décadas. Bem, há uma década. E meia. No meu sonho desta noite, era um dia de jogo de futebol, Brasil x Argentina, algo corriqueiro e desinteressante para mim, não fosse o fato de que vieram me perguntar se eu atacava no gol. Eu. Futebol. Seleção brasileira. Aí fui lá e fiquei no gol. Defendi várias, mas sempre espalmando as boladas e devolvendo-as - inadvertidamente - para os jogadores argentinos. Era um massacre emocionante, cada defesa corrida e suada e com pulos imensos, mas sempre cometendo um erro e a bola não indo longe o bastante, não indo para o lado certo e assim por diante. Por fim, acabei levando um gol e me dirigindo ao rapaz que havia me indicado para jogar. Afirmei fortemente - e foi quando começou a chover, se é que isso importa - que eu precisava treinar mais, estava decidido a não viver aquele fracasso de novo. De pronto, acordei.


Eu não quero psicologizar nada, mas não deixo de remeter isso à quinta série, quando fui pela primeira vez perguntado "ataca no gol?" e acabei aceitando, mais por não saber o que iria acontecer do que por sim, ser um bom goleiro. Em questão de dez minutos, todos meus colegas do colégio entenderam que eu não era uma pessoa para jogar futebol. Em questão de dez minutos, levei uns cinco ou seis gols e acho que não defendi nada. Assim começou minha rica relação com o futebol: sempre que tinha jogo, no time em que eu estivesse, eu era o goleiro. Aos poucos, fui melhorando. Nunca fui bom, aquele que as pessoas pensavam "nossa, vamos jogar, mas o Tales fica no gol". Contudo, eu fui deixando de ser tão ruim, de ser simplesmente uma pessoa que fugia da bola.

Essa, contudo, não é uma história de superação pessoal.
É, na verdade, uma história de alguém que morre de medo de falhar e que hoje em dia prefere não entrar na frente de uma goleira se não acreditar que tem condição de defender alguns, senão todos, chutes. Agora sim psicologizando, isso é algo que quero mudar em mim, esse medo de tentar. Aos poucos, vou criando coragens e desafiando esses meus medos, mas nem sempre funciona. Fico feliz que no meu sonho desta noite eu tenha decidido treinar e me esforçar, ao invés de dar de ombros e aceitar que não sei jogar. Já fiz tanto na vida real que até o meu inconsciente já está de saco cheio.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...