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sábado, junho 02, 2012

E agora, mestre?

Mais um fim de temporada no seriado que é a minha vida. Desta vez, a grande etapa concluída foi o mestrado. Depois de dois anos e alguns meses lutando para viver em uma cidade distante de onde cresci, conquistei o título que me motivou a viajar. Não foi uma aventura fácil, isso com certeza. Desde que parti de Porto Alegre, distanciei-me de alguns amigos e, curiosamente, tornei-me mais próximo de outros. O mesmo aconteceu em Goiânia, onde deixei de ser uma pessoa distante e abri-me para entrar em contato com outras pessoas.

E o homossexual, usa que banheiro?

Marcando esse momento, a pergunta "e agora?" tem aparecido mais do que qualquer outra. Mais até do que "qual a sensação de ser mestre?". Responder a essa é até fácil: sensação de dever cumprido, de missão completada com êxito. O que falta, agora, é refletir sobre a experiência e encontrar um novo rumo, uma nova busca. O meu barquinho deve partir para novos portos, novas ilhas, novas peripécias.

E agora? Não sei. Sinto-me como Érica, minha personagem favorita de seriados, no fim do episódio piloto de Being Érica, em que ela diz estar perdida, sem saber para onde ir e que, pela primeira vez, isso é uma coisa boa. Talvez não seja a minha primeira vez, mas certamente não tive muitas, até hoje, em que estar perdido fosse tão gostoso. Eu enxergo alguns caminhos e isso já me descansa, ao menos um pouco, os pensamentos conturbados. Férias intelectuais? Projeto de doutorado? Viagem pelo mundo mochilando? Não sei, não sei.

Por enquanto, tenho apenas uma aventura já definida e bem próxima: São Paulo.

terça-feira, março 20, 2012

Fazer as malas

Hoje vou ao meu escritório aqui na OSU para buscar todas as coisas que me acompanharam lá durante esses três meses. Tem um mapa-múndi, folhas diversas e até um livro. Tudo pedindo pra vir comigo para o Brasil. Essa é a parte fácil de fazer as malas: colocar nelas o que eu posso carregar comigo e que, portanto, não deixará de fazer parte da minha vida.

Por outro lado, conheci algumas pessoas que eu gostaria muito que fizessem parte o elenco fixo da minha vida e não só de uma temporada. Eu já deveria estar acostumado, quem sabe até já esteja. É difícil estabelecer uma diferença sadia entre compreender e aceitar que a mudança é uma constante da vida, por um lado, e se fechar para sentimentos e instabilidades que a vida oferece, por outro. Ninguém quer sofrer, mas quando perdemos coisas e pessoas que ganharam valor sempre fica aquela dorzinha residual, algumas vezes maior do que conseguimos lidar.

Eu estou triste por saber que não compartilhei tudo o que podia e não aprendi tudo o que havia para aprender. Pode ser um convite para voltar. Pode ser uma memória não finalizada. Seja o que for, os ventos estão mudando e meu barco volta para o porto goiano por mais alguns meses. É o fim de mais uma temporada chegando e convidando à transformação.

No meio disso tudo, sei que cresci. Quando saí de Porto Alegre para viver em Goiânia pela primeira vez eu era arisco, ainda amarrado a amores passados e por isso mesmo incapaz de estabelecer novas relações. Hoje sei que, se eu não estiver aberto para cultivar emoções, meus jardins não florescerão. Não deixo de sentir falta dos amigos que vou deixando pelo caminho, dos brotos que poderiam crescer tanto!

Talvez essa seja a maravilha das sementes que eu tento plantar: elas não são minhas, elas são do mundo. Nossos ramos crescem, se entrelaçam, se separam e se afastam para quem sabe nunca mais se cruzar, porém muitas vezes voltam a se amarrar e a se sustentar uns nos outros. É o que eu desejo: sempre aumentar o jardim com flores e frutos cada vez mais coloridos e saborosos.

terça-feira, março 06, 2012

The shared room


If something, this trip to New York made me realize how thankful I must be not only that the world exists, but also that I had (and still have) the beautiful chance to meet amazing people. My travel was possible not only by the help of academic life, from CAPES and UFG to OSU, but also by the hand offered by individuals. In this particular case, I really need to thank Morgan by the invitation to share a room with her during this week. More than just help me save money, this offer proved once more that it is OK to trust and help people. 


I look forward for the chance to pay this back, not necessarily to her, and certainly not just as a means to feel free from any kind of debt. This amazing gesture suggests to me the kind of open person I want to be. She had absolutely no reason to go out of her way and deprive herself from privacy by inviting me to share her room and bed. But she did and that added to my faith in life =)


Thank you, Morgan!

Museum of sex





A entrada parece uma sex shop, ao ponto de me deixar constrangido para entrar. Fiquei pensando, depois, sobre a bobagem que é eu ter ficado com vergonha, especialmente vi pessoas rindo frente à exposição inicial sobre sexo, no primeiro andar. Basicamente, filmes, alguns pornográficos, alguns eróticos, alguns bastante populares (como se fossem categorias excludentes...) eram exibidos ao lado de placas que contextualizavam ideias sobre homossexualidade, sexo oral, penetração anal, entre tantos outros, e suas explorações no cinema.

Meu eu Pesquisador se reanimou ao encontrar um espaço em que a sexualidade não apenas é estudada, mas explorada e demonstrada sem pudores. Minha viagem a New York foi maravilhosa, mas não teria sido completa sem a deliciosa visita ao Museu do Sexo!

New York (12)

Visões do alto de The Empire State. Penso que um dia de sol deve propiciar vistas ainda mais bonitas, mas já fiquei bastante satisfeito com o que tive oportunidade de ver.







segunda-feira, março 05, 2012

New York (11)

The Holy Family with the Infant Saint John the Baptist
Caravaggio, Oil in canvas.

Agora eu pergunto: sou o único que vê malícia nessa pintura, ou um menino não está bolinando o outro?

New York (10)


Como tudo que diz respeito à cultura visual, imagens são lidas, interpretadas e reconstruídas por aqueles que as vêem. Esqueçamos os espectadores passivos, isso é coisa do passado.

New York (9)


Acho poético, mesmo que triste, que a Liberdade seja tão pequena quanto sua Estátua. Não tive a chance de chegar perto dela, ou melhor, preferi aproveitar as horas que ocuparia no barco para visitar o Metropolitan e, por isso, acabei não me aproximando da digníssima Estátua da Liberdade. Fica na lista das coisas que farei quando eu voltar.

New York (8)

Quando a gente fala em emergência da Cultura Visual, a coisa fica um pouco mais complicada e intensa se, ao olharmos para o lado, tudo o que vemos são cores e luzes.









New York (7)


Ando apaixonado por esculturas e pinturas modernistas, de preferência as cheias de cores. Será que se eu tivesse sido exposto a essas produções antes eu as perceberia como hoje? Será que meu encantamento vem de já ter estudado o tanto que estudei?

New York (6)




O Central Park não me causou a melhor das impressões, mas o coitado sofreu com chuva e inverno. Ainda assim, consegui criar algumas imagens para recordar desses contrastes bonitos (e alguns nem tanto) que existem por aí.

New York (5)


Minha visita foi basicamente turística. Comprei um city pass e, com ele, tinha descontos para visitar diversos pontos turísticos. O que eu não sabia é que os ingressos para museus são doações e, portanto, nós escolhemos exatamente quanto estamos dispostos a pagar. Os vinte e poucos dólares que eles cobram é apenas uma sugestão. Fiquei com raivinha quando soube, mas acredito ter sido um dinheiro bem investido.

Estava procurando na minha máquina alguma foto que eu tenha tirado de obras de arte, mas foram poucas, bem poucas. Que pena, queria discutir as diferenças entre ver pinturas pessoalmente (e sentir a textura das pinceladas) e ter em mãos apenas reproduções, mas isso ficará para uma outra ocasião!

New York (4)


O Guggenheim é, dos museus que visitei em NY, o meu favorito. Não sei se porque é pequeno e, portanto, digerível em um dia, ou se porque foi o primeiro que visitei. Achei a arquitetura do museu tão parecida com a da Fundação Iberê Camargo, até fui pesquisar se não foram feitos ambos os prédios pelo mesmo arquiteto, Álvaro Siza, mas não, e aparentemente a construção em Porto Alegre é menos instável e dependente de reformas constantes que sua prima (?) em New York.

A visita ao Guggenheim me trouxe uma surpresa curiosa. Após subir as escadas do metrô, fui perguntar onde poderia encontrar o Central Park (meu ponto de referência para o museu) a uma mulher que estava em frente a uma banca de rua. Ao meu lado, uma outra mulher parou, presumivelmente esperando para também pedir informações. A moça da banca não apenas me explicou, como também perguntou onde eu estava indo e, ao saber, indicou o modo de chegar ao Guggenheim e ao Metropolitan. Ocorre que a outra mulher estava justamente querendo saber essa segunda direção.

Então fomos juntos conversando por três longas quadras, enquanto nosso caminho era ainda o mesmo. Em uma questão de minutos, descobri uma francesa que canta em bares e que vai a NY uma vez a cada um ou dois meses como parte de sua vida artística. Conversamos sobre arte, sobre museus, sobre a vida. Penso que também falamos de morar com outras pessoas, mas provavelmente estou já misturando as experiências que tive. Sensação gostosa de que a vida vibra!

New York (3)


Do lado do hotel, para o caso da minha fé estar abalada. Bem, para o caso da minha fé estar abalada e haver se transformado em outro tipo de fé...

New York (2)


Mais de uma vez achei estar sonhando. As cores, as pessoas, os idiomas falados com pressa por turistas, nativos, vendedores, mendigos e todos demais passantes... tudo isso se soma numa bolha cosmopolita de sensações e descobertas que não se encerram em uma simples descrição. Evidentemente, esse também é um baita centro do capitalismo e, portanto, tem muito a ser questionado e, muitas vezes, repudiado.

New York (1)


Esta foi a primeira foto que tirei em New York e foi desse jeito que eu soube que estava na Grande Maçã. Eu tinha recém saído do metrô e estava tentando ainda encontrar meus caminhos em Manhattan, mas não pude resistir e corri para tirar a máquina fotográfica do bolso e registrar a limosine. Acho que tenho tanto a dizer sobre essa cidade que não terei textos ou fotos suficientes para explicar. O que tenho certeza é que tenho tanto mais a descobrir do que tive a viver nos rápidos e corridos cinco dias em que fiquei lá.
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