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terça-feira, junho 25, 2013
Aquela xícara de chá
Enquanto eu escrevo furiosamente – mas sem fúria nenhuma, apenas furor –, tu me observa ora de canto de olho, ora do canto da sala. Tu me sabe, entende que esses momentos não são de ninguém, não são de nós e certamente não são de mim mesmo. São do texto, das letras, da imaginação poética. Envolvido e encantado, demoro a perceber que tu já não está mais ali no canto a me esperar. Eu entendo, o amor às letras é tão antigo, tão de infância que não há como lutar contra ele, que está lá desde que me reconheci pela primeira vez. Algumas vezes adormecido, mas jamais esquecido. Como confrontar algo que é tão antigo quanto a minha identidade? Tu não é o primeiro a desistir, a ceder frente à impossibilidade de superar esse amor antigo. Daí que me assusto quando te noto ao meu lado. Não tinha fugido? Não, tinha ido fazer o que faz de melhor: com uma xícara de chá quentinho nas mãos, estava ali a cuidar de mim. Pelo jeito tu sabe bem escolher as tuas lutas e eu, os meus amores.
quarta-feira, junho 05, 2013
Pequeno projeto: cozinhar algo novo que fique gostoso
Conforme comecei a aprender a cozinhar, fui descobrindo que não estava apenas fazendo comida. O que eu fazia toda vez que acendia o fogo e borbulhava ingredientes não era cozinhar alimentos nem organizar refeições. Era feitiçaria, artesania, criação poética. Cada novo prato ou combinação abria um leque de possibilidades de atuação sobre a vida. Cozinhar é exatamente isso: atuar sobre a vida, sobre aquilo que nos mantém vivos.
Sempre admirei, quando criança, a maneira inventiva com que meu padrasto cozinhava. Percebia nele um grandioso prazer em transformar ingredientes soltos em prazer estésico, em sabor. Na época, para minha atual tristeza e, suponho, decepção passada dele, eu não me interessava em conhecer esses ofícios secretos que envolvem transformar o cru no cozido, no frito e no assado. Eu achava, e muitas vezes ainda me pego achando, que não precisava exercer nenhum poder sobre o mundo e que isso seria liberdade de verdade, viver sem me comprometer, sem colocar as mãos na massa (que metáfora apropriada!). Tolinho, eu.
Cozinhar algo novo que fique gostoso é parte do meu pequeno projeto para dias felizes porque é daquelas coisas que não envolvem apenas resolver problemas cotidianos: envolve encantar os paladares alheios, reunir pessoas queridas e dar sustento aos corpos. Envolve também ter algum controle ou influência sobre o que acontece na vida, ao invés de apenas deixar-se levar pelos rios do tempo.
Como todo conhecimento, o saber cozinhar também amplia a forma como vemos o mundo. Hoje percebo sabores que antes passavam em branco. Isso sem contar as amizades que se aprofundaram ao redor de mesas ou de fogões e os carinhos que se demonstram no cuidado quentinho de um prato gostoso. Cozinhar é algo sério e, principalmente, feliz. Cada minuto passado na frente do fogão me remete a todos os sabores que vivi, temperados com amores e cuidados de quem dedicou seu tempo a me permitir o paladar. Cozinhar não é perda de tempo: é investimento.
Sempre admirei, quando criança, a maneira inventiva com que meu padrasto cozinhava. Percebia nele um grandioso prazer em transformar ingredientes soltos em prazer estésico, em sabor. Na época, para minha atual tristeza e, suponho, decepção passada dele, eu não me interessava em conhecer esses ofícios secretos que envolvem transformar o cru no cozido, no frito e no assado. Eu achava, e muitas vezes ainda me pego achando, que não precisava exercer nenhum poder sobre o mundo e que isso seria liberdade de verdade, viver sem me comprometer, sem colocar as mãos na massa (que metáfora apropriada!). Tolinho, eu.
Cozinhar algo novo que fique gostoso é parte do meu pequeno projeto para dias felizes porque é daquelas coisas que não envolvem apenas resolver problemas cotidianos: envolve encantar os paladares alheios, reunir pessoas queridas e dar sustento aos corpos. Envolve também ter algum controle ou influência sobre o que acontece na vida, ao invés de apenas deixar-se levar pelos rios do tempo.
Como todo conhecimento, o saber cozinhar também amplia a forma como vemos o mundo. Hoje percebo sabores que antes passavam em branco. Isso sem contar as amizades que se aprofundaram ao redor de mesas ou de fogões e os carinhos que se demonstram no cuidado quentinho de um prato gostoso. Cozinhar é algo sério e, principalmente, feliz. Cada minuto passado na frente do fogão me remete a todos os sabores que vivi, temperados com amores e cuidados de quem dedicou seu tempo a me permitir o paladar. Cozinhar não é perda de tempo: é investimento.
terça-feira, março 26, 2013
Vamos conhecer algo diferente hoje?
Hoje decidi fazer um texto diferente. Estou empenhado em escrever diariamente, mas nem sempre o tempo facilita essa organização, portanto não cheguei à frente do computador com um tema em mente. A solução? Conversar com uma imagem. O método foi simples: joguei a palavra "imagem" no Google Imagens e selecionei a primeira que me chamou a atenção. Sim, há um certo componente de privilégio para as primeiras imagens, como sempre – vocês sabiam que a maioria das pessoas não procura além das primeiras ou segundas páginas de resultados em suas pesquisas, limitando consideravelmente as respostas que encontramos para nossas perguntas? –, mas hoje esse texto não vai se debruçar muito sobre privilégios e abusos.
Um tucano. Pesquisando no dicionário, descobri que há um grupo de índios que atende por essa denominação. Pesquisando no Youtube, descobri que tucanos não só são bichos muito esquisitos, mas também são fofos demais. Quase troco meu desejo de ter um cachorrinho (não, o de ter uma raposa continua firme e forte) pelo de ter um tucano. Será que eu posso ter um tucano?
Fiquei aqui quase dois minutos com cara de abobado. Conclusão: alguns dias a gente não está para escrever, apenas para ver e viver.
Um tucano. Pesquisando no dicionário, descobri que há um grupo de índios que atende por essa denominação. Pesquisando no Youtube, descobri que tucanos não só são bichos muito esquisitos, mas também são fofos demais. Quase troco meu desejo de ter um cachorrinho (não, o de ter uma raposa continua firme e forte) pelo de ter um tucano. Será que eu posso ter um tucano?
Fiquei aqui quase dois minutos com cara de abobado. Conclusão: alguns dias a gente não está para escrever, apenas para ver e viver.
sábado, fevereiro 23, 2013
Nudez em público
Hoje vi um vídeo (ou melhor, vi citarem um vídeo, não tive paciência de efetivamente ver o vídeo) sobre um casal transando no mar. Sabe aquela coisa de gravar os outros fazendo sexo, porque fazer sexo é sexy e chama a atenção? Isso me colocou pensando numa questão que sempre volta a aparecer: por que não podemos transar em público?
A coisa vai mais longe e levanta probleminhas anteriores: não podemos andar pelados na rua. Salvo engano, se eu sair caminhando com o pinto balançando a olhos nus, posso ser preso. Por quê? Já antevejo multidões se erguendo e gritando "porque é imoral!", mas essa é uma resposta fraca, pelo menos para quem está buscando motivações racionais (e laicas) para tal proibição.
O que há de tão perigoso em um corpo desnudo? É o tesão alheio que preocupa? Viver em sociedade significa abrir mão de uma série de liberdades, compreendo, mas por que a de tirar a roupa onde quiser é uma delas? Essas são questões que eu não sei ainda nem por onde começar a responder. Pensando rápido, posso pensar que é uma estratégia para conter os impulsos sexuais, talvez algo trazido pela moral cristã. Posso também estar sendo preconceituoso, já que sempre acho que toda repreensão moral vem da Bíblia.
Roupas fazem sentido num contexto gelado como a Europa. Nós fomos colonizados por europeus. Seres humanos atribuem valor simbólico às coisas que usam. Provavelmente a economia tem algo a dizer sobre isso, já que roupas mais caras e com tintas menos acessíveis provavelmente se tornaram representativas de maior riqueza e status social. A pergunta é: por que continuamos enxergando as roupas assim?
Ano passado eu já havia começado a pensar sobre isso, como meu post sobre Henry Scott Tuke revela e também meu artigo apresentado em um Congresso no Rio de Janeiro.
A coisa vai mais longe e levanta probleminhas anteriores: não podemos andar pelados na rua. Salvo engano, se eu sair caminhando com o pinto balançando a olhos nus, posso ser preso. Por quê? Já antevejo multidões se erguendo e gritando "porque é imoral!", mas essa é uma resposta fraca, pelo menos para quem está buscando motivações racionais (e laicas) para tal proibição.
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| Le Concert Champêtre – Giorgione |
O que há de tão perigoso em um corpo desnudo? É o tesão alheio que preocupa? Viver em sociedade significa abrir mão de uma série de liberdades, compreendo, mas por que a de tirar a roupa onde quiser é uma delas? Essas são questões que eu não sei ainda nem por onde começar a responder. Pensando rápido, posso pensar que é uma estratégia para conter os impulsos sexuais, talvez algo trazido pela moral cristã. Posso também estar sendo preconceituoso, já que sempre acho que toda repreensão moral vem da Bíblia.
Roupas fazem sentido num contexto gelado como a Europa. Nós fomos colonizados por europeus. Seres humanos atribuem valor simbólico às coisas que usam. Provavelmente a economia tem algo a dizer sobre isso, já que roupas mais caras e com tintas menos acessíveis provavelmente se tornaram representativas de maior riqueza e status social. A pergunta é: por que continuamos enxergando as roupas assim?
Ano passado eu já havia começado a pensar sobre isso, como meu post sobre Henry Scott Tuke revela e também meu artigo apresentado em um Congresso no Rio de Janeiro.
terça-feira, fevereiro 19, 2013
As vantagens de ser invisível - ou de ter uma boa amiga
Acabei de assistir As Vantagens de Ser Invisível. Uma das coisas mais preciosas que ele me trouxe: "a gente aceita o amor que acredita que merece". Eu consegui me identificar demais com o guri, demais mesmo.
Aí terminei o filme e me peguei pensando... Como ela consegue? Acho que não teve nada até hoje que ela não tenha acertado comigo, desde a ideia louca de me apresentar o filho da amiga de infância até o simples fato de fazer um curso de especialização e casualmente compartilhar noites felizes comigo.
Sério, muitíssimo obrigado por existir.
sábado, julho 07, 2012
Henry Scott Tuke
Enquanto navegava pela internet, cruzei com uma pintura que me chamou a atenção. De acordo com a página da Wikipédia, o artista britânico Henry Scott Tuke viveu entre 1858 e 1929. Seu "objeto" mais conhecido são pinturas de jovens rapazes nus. Esse é, aliás, o ponto que me interessa: a representação da nudez masculina jovem. Como primeiro passo para chegar até as questões que me interessam, considero importante observar e conhecer artistas e fotógrafos que trabalharam com esses corpos ao longo dos anos que (algumas vezes, por muito tempo) antecedem a internet. Eis algumas imagens das pinturas que me tocaram.
Há um vasto mundo a ser estudado sobre o tema que me interessa. O jeito, agora, é localizar programas de doutorado ao redor do mundo que aceitem trabalhar com essas visualidades nuas que, sem dúvida, são um bocado chocantes dentro de certos padrões de moralidade. A verdade é que fico me perguntando até que ponto eu consigo postar aquilo que estou estudando e manter meu blogue, uma vez que há uma prática recorrente de grandes empresas da internet fecharem ou barrarem postagens (ou blogues inteiros) de sujeitos nus. Ai, ai, parece que vou me enfiar em uma guerra nos próximos anos.
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| Sunbathers (não sei o ano) |
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| The bathers (também não sei o ano) |
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| Ruby, gold and malachite, 1902 |
Há um vasto mundo a ser estudado sobre o tema que me interessa. O jeito, agora, é localizar programas de doutorado ao redor do mundo que aceitem trabalhar com essas visualidades nuas que, sem dúvida, são um bocado chocantes dentro de certos padrões de moralidade. A verdade é que fico me perguntando até que ponto eu consigo postar aquilo que estou estudando e manter meu blogue, uma vez que há uma prática recorrente de grandes empresas da internet fecharem ou barrarem postagens (ou blogues inteiros) de sujeitos nus. Ai, ai, parece que vou me enfiar em uma guerra nos próximos anos.
sábado, março 10, 2012
Pornografia acadêmica
Meus interesses em sexualidade têm mudado de uma perspectiva teórica para um olhar e acompanhamento mais firmados nas experiências vividas. Seria, talvez, uma mudança da literatura para o jornalismo ou antropologia, em termos de narrativas. O resultado disso é que tenho pensado cada vez menos em desejos e cada vez mais em corpos e práticas. Com isso em mente, me deparei com o seguinte texto:
Por alguma razão, porém, a moral vigente é dúbia e conflitante. Por um lado, temos a sexualidade exacerbada da mídia e da facilidade de acesso que as tecnologias contemporâneas proporcionaram e a cada dia expandem. Por outro, temos o tabu que segue marcando os sujeitos e lhes impedindo uma exploração segura ou, quem sabe, sadia, de seus corpos e prazeres. Essas duas mentalidades e posturas coexistem: fingir que apenas uma opera em nossa sociedade é ingenuidade (por nossa sociedade, refiro-me aos lugares onde eu vivo, particularmente algumas cidades do Brasil cujos contextos são distintos entre si, mas as regras de comportamento afetivo-sexual não são completamente distintas).
Esse não é um tipo de conflito que eu considere positivo. Somos convidados a explorar os corpos exibidos midiaticamente, mas ao mesmo tempo somos recriminados por esses desejos. As regras funcionam de maneiras diferentes para sujeitos diferentes, talvez numa maldosa releitura dos "direitos iguais na medida de suas igualdades e desiguais nas desigualdades". As mulheres não podem ser sexuais. Os homens devem, mas somente se forem sexualmente ativos e provedores. A situação se complica quando envolvemos outras questões, como orientação sexual (a "cultura gay" é facilmente associável com libertinagem, o que não vem sem um estigma) ou corpos não normativos (meu exemplo típico é a obesidade, mas tenho certeza que cor de pele, altura, tamanho da genitália e tantos outros fatores têm papéis importantes nisso).
Fica, portanto, o questionamento: de que forma minhas explorações intelectuais interferem na minha vivência diária das sexualidades, das afetividades, das corporeidades? O contrário também é válido: como minhas experiências interferem, atravessam e informam as possibilidades de reflexão intelectual?
Para finalizar esse pequeno texto, apenas uma consideração sobre uma imagem de Priapus, deus grego da fertilidade, onde podemos notar um pênis bastante grande sendo pesado em uma balança. Hoje essa imagem talvez cause espanto e seja, inclusive, fruto de debates acalorados sobre pudores e morais. Em outros tempos, talvez tenha sido apenas uma pintura a ser apreciada e até mesmo reverenciada. É sempre bom termos em mente que a maneira como pensamos sobre o mundo é cultural e, portanto, deve ser sempre questionada.
Ultimately this is why I've gotten involved in porn: to fuck with shame, to assert muself as a sexual being, to contest the idea that I have to be either gay or straight, to interrogate and experiment with the pornographic productions of youth and race, and to pedagogically link my sexuality with my activism and personal politics. Albeit, much of this is done in problematic and unresolved ways, it is only through this highly personal engagement with and questioning of pornography that sexualized images, fantasies, and stereotypes can be challenged and reinterpreted (Zeb Tortorici, Queering pornography, no livro Queer youth cultures, p. 213-214).O que Zeb traz na forma de um comentário sobre sua descoberta do mundo da pornografia e de sua vergonha em lidar com a mirada dos outros sobre as suas explorações do desejo de enxergar o corpo dos outros como objeto é algo que eu consigo conectar com minha própria experiência. Embora eu nunca tenha participado de qualquer ação especificamente pornográfica, houve um momento da vida em que encontrei-me inclinado a desafiar minhas próprias noções do que acreditava ser correto ou não em termos de experiência sexual. Muito de como me comporto, do que sinto e do que desejo reflete a forma como fui e sou socialmente talhado. Creio que ter consciência disso é o mínimo que posso fazer enquanto um pesquisador de sexualidades.
Por alguma razão, porém, a moral vigente é dúbia e conflitante. Por um lado, temos a sexualidade exacerbada da mídia e da facilidade de acesso que as tecnologias contemporâneas proporcionaram e a cada dia expandem. Por outro, temos o tabu que segue marcando os sujeitos e lhes impedindo uma exploração segura ou, quem sabe, sadia, de seus corpos e prazeres. Essas duas mentalidades e posturas coexistem: fingir que apenas uma opera em nossa sociedade é ingenuidade (por nossa sociedade, refiro-me aos lugares onde eu vivo, particularmente algumas cidades do Brasil cujos contextos são distintos entre si, mas as regras de comportamento afetivo-sexual não são completamente distintas).
Esse não é um tipo de conflito que eu considere positivo. Somos convidados a explorar os corpos exibidos midiaticamente, mas ao mesmo tempo somos recriminados por esses desejos. As regras funcionam de maneiras diferentes para sujeitos diferentes, talvez numa maldosa releitura dos "direitos iguais na medida de suas igualdades e desiguais nas desigualdades". As mulheres não podem ser sexuais. Os homens devem, mas somente se forem sexualmente ativos e provedores. A situação se complica quando envolvemos outras questões, como orientação sexual (a "cultura gay" é facilmente associável com libertinagem, o que não vem sem um estigma) ou corpos não normativos (meu exemplo típico é a obesidade, mas tenho certeza que cor de pele, altura, tamanho da genitália e tantos outros fatores têm papéis importantes nisso).
Fica, portanto, o questionamento: de que forma minhas explorações intelectuais interferem na minha vivência diária das sexualidades, das afetividades, das corporeidades? O contrário também é válido: como minhas experiências interferem, atravessam e informam as possibilidades de reflexão intelectual?
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| Priapus weighing his phallus, 1st century |
Para finalizar esse pequeno texto, apenas uma consideração sobre uma imagem de Priapus, deus grego da fertilidade, onde podemos notar um pênis bastante grande sendo pesado em uma balança. Hoje essa imagem talvez cause espanto e seja, inclusive, fruto de debates acalorados sobre pudores e morais. Em outros tempos, talvez tenha sido apenas uma pintura a ser apreciada e até mesmo reverenciada. É sempre bom termos em mente que a maneira como pensamos sobre o mundo é cultural e, portanto, deve ser sempre questionada.
quinta-feira, março 08, 2012
Estranged sex - Sandra Torralba
Vale muito a clicada nesse link, mas é importante notar que alguns lugares talvez sejam entendidos como impróprios para a visualização das imagens que ele contém. Por quê? Porque são imagens de sexo e de corpos nus. Mais do que isso, são imagens que colocam em questão algumas das nossas noções acerca do que é sexualidade e de como nos relacionamos com ela(s).
A minha favorita é a da masturbação com a empregada no quarto. Ah, como o mundo seria melhor se "a mãe que encontra o filho se masturbando e isso é uma vergonha para sempre" não fosse uma esquete em filmes de comédia e, por tabela, na vida. Tenho lutado com a noção de tabu e de moralidade, principalmente a partir do momento em que eles começam a interferir nas possibilidades de realização erótica dos sujeitos. O que Sandra Torralba faz, ao meu ver, é justamente nos apresentar algumas dessas questões e dizer "ei, veja que absurdo".
Algumas de suas fotografias estão expostas no Museu do Sexo, em New York. Eu mais que recomendo.
A minha favorita é a da masturbação com a empregada no quarto. Ah, como o mundo seria melhor se "a mãe que encontra o filho se masturbando e isso é uma vergonha para sempre" não fosse uma esquete em filmes de comédia e, por tabela, na vida. Tenho lutado com a noção de tabu e de moralidade, principalmente a partir do momento em que eles começam a interferir nas possibilidades de realização erótica dos sujeitos. O que Sandra Torralba faz, ao meu ver, é justamente nos apresentar algumas dessas questões e dizer "ei, veja que absurdo".
Algumas de suas fotografias estão expostas no Museu do Sexo, em New York. Eu mais que recomendo.
terça-feira, março 06, 2012
Museum of sex
A entrada parece uma sex shop, ao ponto de me deixar constrangido para entrar. Fiquei pensando, depois, sobre a bobagem que é eu ter ficado com vergonha, especialmente vi pessoas rindo frente à exposição inicial sobre sexo, no primeiro andar. Basicamente, filmes, alguns pornográficos, alguns eróticos, alguns bastante populares (como se fossem categorias excludentes...) eram exibidos ao lado de placas que contextualizavam ideias sobre homossexualidade, sexo oral, penetração anal, entre tantos outros, e suas explorações no cinema.
Meu eu Pesquisador se reanimou ao encontrar um espaço em que a sexualidade não apenas é estudada, mas explorada e demonstrada sem pudores. Minha viagem a New York foi maravilhosa, mas não teria sido completa sem a deliciosa visita ao Museu do Sexo!
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