segunda-feira, novembro 26, 2012

Sessão de terapia

Decidi que quero fazer terapia.
Não foi uma decisão que veio do nada. Nunca é. Foi uma construção, uma soma de pequenas percepções e vivências que cresceram sobremaneira. Semana passada tive uma visita por alguns dias e pude confirmar que o mundo pode ser extremamente mágico. Pode, também, ser injusto. No mínimo inoportuno.

Tem muita coisa acontecendo e eu quero ajuda para pensar sobre isso. Acho que a Raposa não está mais conseguindo cumprir seu papel de me ajudar a me entender. Ironicamente, isso acontece porque parte das pessoas que fazem parte da minha existência me leem e, nesse processo, eu preciso me censurar. Não posso ser completamente eu, escrever tudo o que penso. Quantas vezes já não editei, censurei, reescrevi coisas apenas por saber que seria lido?

Será que, no fim das contas, não é isso também algo a ser superado?

quarta-feira, novembro 21, 2012

Sete anos, 433 páginas

Hoje decidi fazer um back up de toda a Raposa Antropomórfica. São sete anos de textos escritos sem regularidade. Ao todo, somaram 433 páginas coladas diretamente no Word. Terminei relendo a minha primeira postagem, na qual já ficava muito claro quem eu sou e quais são as minhas prioridades.

Ao longo de sete anos, muita coisa já mudou na minha vida. De um pequeno sonhador de Porto Alegre, estudante de graduação sem experiência profissional, agora caminho como um mestre em Goiânia, professor e microempreendedor cheio de planos e possibilidades. Em meio a essas mudanças, corações, amizades e relações de todo tipo.

"O que importa é a direção, não a velocidade".

quinta-feira, novembro 15, 2012

Um pouco de silêncio

Estou planejando uma necessária repaginação para a Raposa Antropomórfica. Já a mencionei anteriormente, mas agora estou mais disposto a colocá-la em prática. Alguns acontecimentos recentes me fizeram repensar a abertura que a Raposa tinha sobre a minha vida, em especial no que diz respeito a pessoas que são incapazes de viver suas próprias existências sem se prender na minha.

Então é isso, a ausência está temporariamente justificada. Quando eu conseguir dar vazão aos meus planos, a Raposa Antropomórfica estará de volta. Obrigadinho!

segunda-feira, novembro 05, 2012

segunda-feira, outubro 22, 2012

Desencontros

Todo mundo sabe que a vida não tem regras. Ou melhor, tem, mas elas são complicadas e ninguém entende. Ou, quando entende, geralmente morre ou vira monge budista isolado do mundo. Uma das brincadeiras mais safadas da vida (ou do destino, sei lá) é colocar duas pessoas em descompasso num mesmo lugar e fazer com que elas se olhem, se suspirem e se abracem. Se queiram, inclusive. Acho que o meu amado Jorge Drexler consegue dizer isso melhor que eu, com a música Inoportuna.


Creio que ele é muito claro quando canta "tu, por exemplo, tão a tempo e tão inoportuna". Fico pensando na vida a dois, nos amores que acontecem ou deixam de acontecer em cada esquina, em cada sorriso. Recentemente cheguei à conclusão de que estou pronto, estou aberto a gostar de alguém novamente, isso depois de um período bem longo e tenso de reclusão e frieza no qual eu mais machuquei do que fiz bem. Contudo, não basta que eu esteja aberto, sou apenas um.

Essa é realmente uma grande maldade da vida: se só um ama, não há relação. Não se trata nem de uma maldade daquele que não ama: ora, quem sou eu para julgar o momento de cada um, as experiências que levam aquela pessoa a, naquele instante, não compartilhar dos sentimentos do outro? Aliás, nada na vida obriga ou sequer sugere que, porque somos amados, devemos amar de volta. Ainda assim, esse é o nosso sonho e é nisso que investimos nosso tempo e nossa emoção.

Daí tu encontra uma pessoa e ela está machucada. Ou tu encontra alguém perfeito pra ti, mas teu coração está tão chamuscado que não consegue perceber ou receber ou lidar com o carinho ali depositado. Tão a tempo, mas inoportuna. Desencontros não acontecem apenas com pessoas que se amariam se vivessem no mesmo espaço geográfico: pessoas que vivem em estados sentimentais distintos também podem se perder. Mais uma vez, acho que é Drexler que tem algo a dizer sobre isso.


Em Sanar, ele canta lindamente que "as lágrimas vão ao céu e voltam aos teus olhos desde o amor. O tempo se vai, se vai e não volta. E teu coração vai sarar". Essa canção eu já compartilhei com meus amigos em momentos de tristeza, bem como já ouvi quando meu coração parecia dilacerado. "Mesmo que pareça mentira, teu coração vai sarar". Talvez a verdade ainda mais cruel do que os desencontros da vida seja que "ninguém nasce sabendo que morrer também é lei da vida". Porém, Drexler avisa: "quando menos esperar, teu coração vai sarar, vai sarar, e vai voltar-se a quebrar". Esse é o movimento que a vida faz: ela nos põe pra cima, nos faz amar, nos põe pra baixo, nos dói. O que a gente faz? Persiste.

As coisas acabam. Muitas delas nem começam. É assim que a vida segue seu rumo e a gente vai aprendendo com cada dia. Se recusar a aprender ou a deixar partir aquilo que se foi é uma das piores escolhas que podemos tomar. Não é fácil, é dolorido, deixa um vazio, tudo isso é verdade. Preencher esse vazio com ressentimento ou memórias, porém, nos faz viver de passado e não nos alimenta de vida, pois vida não é aquilo que passou, é aquilo que respiramos, sentimos e fazemos a cada segundo.

Já que até aqui escrevi com o Drexler como pano de fundo, vou terminar também com uma canção dele. O tipo de música que eu só consigo ouvir e acreditar quando estou de bem comigo mesmo. Se o Drexler precisa apenas da "guitarra e você", eu sou feliz com minhas letras e meus amores. Eu achava que precisava de férias, mas na verdade o que eu precisava era outra coisa: estar bem comigo mesmo o suficiente para suspirar novamente por alguém.

Esse é o único tipo de amor em que eu acredito: aquele que, para existir, não exige ser amado de volta. Será um lindo encontro, se for. Por outro lado, se não for, será a vida fazendo aquilo que ela faz de melhor: sendo caótica.

domingo, outubro 21, 2012

As temporalidades do coração

Tem algo de cruel no tempo. Ele está ali, passando para todos sem nunca descansar. Ainda assim, quando queremos que algo chegue, tomamos consciência de que o tempo existe e é bastante longo. Milhares de pensamentos cruzam a cabeça daquele que está ciente do tempo. E ele, em sua maldade intrínseca, apenas desacelera e continua a nos perturbar. O tempo, esse danado, não passa se queremos que ele se vá logo. Isso é especialmente verdade quando nós o temos de sobra, mas aqueles que amamos não. Podem ser amigos, amores, quem for: o tempo passa diferente para nós e para eles.

Cabeça vazia, oficina do diabo. Não é assim o ditado? Pois então, o sujeito fica em casa esperando, aguardando a ligação que nunca vem. Oh, ele não me ama! Oh, não vai rolar, meu deus, estou destinado ao inferno! Ou, quem sabe, a outra pessoa está ocupada? Quem sabe ela tem uma vida?

É isso, a gente fica num domingo pensando na vida, enquanto para outros sujeitos a vida está acontecendo. O que a gente faz? Ah, disso eu posso falar: a gente faz a vida acontecer aqui também. Amigos, trabalhos, leituras.

O que a gente faz? Vive.

O passado deixa marcas

Se tudo que aprendemos caminha conosco nas decisões futuras, então é mais que justo assumir que nossos saberes (e crenças) nos seguram, nos fazem resistir. Temos medo de repetir erros, pois sabemos que eles machucam. Aprendemos o que dói e nos fechamos em uma concha de proteção. Amar dói? Então não amemos. Funciona simples, mas nos priva de experiências que poderiam ser maravilhosas. Em algum momento, a gente precisa decidir se ama de novo ou se bloqueia mais um pouco.

Gostar de alguém é um risco. Não se trata apenas de a gente poder se machucar, mas também de podermos machucar outra pessoa, outro conjunto de subjetividades com o qual não sabemos como lidar. Eu sei que já machuquei algumas pessoas e que poderia ter feito diferente. Sei exatamente como deveria ter agido para que as coisas saíssem melhores do que saíram. Por que não o fiz? Não sei, eu simplesmente não consegui. Saber como agir e agir de acordo são duas coisas completamente diferentes.

Acho que um exemplo vem a calhar. Certa feita, no colégio, um amigo e um ex-amigo se desentenderam. Logo se agarraram e ficaram um ameaçando socar o outro. Eu vi, me aproximei e fiquei junto às pessoas que estavam olhando aquilo acontecer. Entreguei minha mochila para meu outro amigo, na típica postura de "vou fazer algo a respeito", mas aquilo era uma briga e eu não fazia ideia de como lidar com brigas, então travei. Eu não fiz nada. Meu amigo levou um soco do meu ex-amigo, que saiu correndo, e eu não fiz nada. Poderia ter impedido. Poderia. Não impedi.

Exemplo bobo? Talvez. Ele resume uma característica minha muito clara: nem sempre eu consigo fazer o que sei que deveria fazer. Isso acontece principalmente quando os sentimentos de outras pessoas estão em jogo. Eu não sei lidar com outras pessoas. Sei lidar comigo, sei o que me aflige, de onde vem, para onde vai. Não sei o que fazer quando é a vida de outro sujeito que está dependendo das minhas escolhas. O que machuca mais, ficar ou partir? Partir, então vou ficar mais. E fico, e quando vejo o partir é tão necessário que o ficar transformou-se em mais dor que o partir.

Aí a gente conhece novas pessoas e a sombra das escolhas do passado estão ali. Do meu passado. Do passado das outras pessoas. Ninguém chega numa nova relação limpo de influências. Quando damos "oi" a alguém, estamos carregando tudo aquilo que vivemos antes e esperando que a resposta não seja a mesma que encaixe naquelas experiências negativas que vivemos. Da mesma forma, se forem iguais demais às que deram certo, talvez seja um mal sinal, pois serão comparadas eternamente.

O que fazer, então? Como não se consumir no passado e esquecer que o presente está sempre batendo na nossa porta? Não sei. Queria saber, juro. Posso dar umas dicas de auto-ajuda, posso mesmo, mas eu não gosto de rabiscar aqui na Raposa sobre coisas que eu não consigo colocar em prática. O jeito é, tanto quanto possível, tentar fazer com que o passado não nos consuma, não nos impeça de viver coisas novas, de experimentar sabores diferentes. Vamos tentando...

sábado, outubro 20, 2012

Alguns silêncios

Como saber o que outra pessoa está pensando?

Faxina

Se tudo está conectado, então limpar a casa faz sentido como um exercício de limpar a alma. Ou o corpo. Cortar o cabelo, varrer o chão, passar pano e tirar as teias dos cantos. Tudo isso enfeia a gente por ficar ali muito tempo guardado, muito tempo sem cuidado. O que nos deixa bonitos não é a falta desses elementos, mas o cuidado para que eles não estejam ali. O cuidar de si.

E ser humilde o suficiente para, sentindo-se bonito, não pisar nos outros.

=)

quinta-feira, outubro 18, 2012

Como lidar com nossos limites

O meu sonho mais antigo é o de ser um escritor famoso. Meu problema é que eu vivo numa era em que ninguém lê. Mentira. O meu problema é que eu uso isso como desculpa para não estimular minha escrita e não colocar minha cara a tapa, não arriscar, não tentar fazer as coisas de um modo diferente, não ir atrás de pessoas que leiam.

Acho que essa limitação autoimposta nasce na escola. É, é, nesse modelo estúpido de escola em que um cara aparece lá como o maioral e um bando de gente é ensinada que (1) não sabe as coisas que precisa saber para ser gente e que (2) só há uma resposta certa pras questões da vida. O TED tem uma palestra maravilhosa sobre como a escola mata a criatividade, vale a pena olhar, tem legendas em português.

O que acontece quando compramos essa ideia da resposta certa? Acreditamos que se nós não somos tão bons em matemática quanto outros colegas, então nós não somos bons em matemática. Diferença sutil, mas que na prática funciona como uma parede de cimento para o nosso cérebro. Ontem trabalhei na aula com a criação de cartões de visitas. Entre reclamações e sofrimentos, o pessoal fez. Eu não estava exigindo nenhuma maravilha do design, apenas itens pensados e esboçados para fazer sentido.

Mais de uma pessoa veio a mim dizendo "eu não sou criativo" e "eu não sei desenhar". Essas frases só fazem sentido se a gente acredita que há apenas um jeito de saber. Eu já falei sobre conhecimento, ignorância e aprendizagem algumas vezes aqui no blog. Em resumo, o que acredito é que não há apenas um jeito de saber escrever, desenhar ou criar. Existem infinitos. Alguns interessam mais ao mercado que outros? Sim, mas só porque ainda não se criou demanda para esses outros. Ai, mas é difícil mudar o sistema! Sim de novo, mas desde quando algo ser difícil virou motivo para que não tentemos?

x x x x

Dito isso, decidi retomar meu projeto de uma postagem por dia. Há tempos que eu venho e tento de novo, vamos ver se desta vez eu consigo.
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