terça-feira, fevereiro 14, 2012

Valentines =)


segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Transformações

Que estamos em um jogo sem regras definidas, isso já é um bocado claro. Aquela velha "qual o sentido da vida?" não tem sentido de perguntar, o que é uma cáustica ironia. Tem funcionado, para mim, pensar qual é o sentido que queremos dar para a nossa vida, especialmente quando isso envolve algum senso de coletivo e de compartilhamento. A gente não precisa estar atrás das mesmas coisas, mas se respeitar e se ajudar no caminho são ações que me parecem bem encaminhadas.

Neste momento estou irritado porque uma pessoa cuja prioridade deveria ser compartilhar momentos felizes comigo não só não me entende, como também não manifesta desejo de entender. Essa não é uma novidade na vida: as pessoas se agarram às maneiras como enxergam o mundo e não desejam sair desses lugares seguros. Sair deles as obrigaria a rearranjar tudo o que percebem e, inclusive, como percebem a si mesmas. Não é por nada que eu também estou resistindo a aceitar outras visões - que hoje considero inadequadas para mim.

Fico pensando em que tipo de ação pode motivar essa mudança. Se eu tiver que arriscar, arrisco que só mudamos quando em frente a algo que não conseguimos lidar ou compreender, algo que nos empurre para fora do nosso centro com tanta força que, ao voltar, nós já não paramos no mesmo lugar. Talvez isso aconteça na forma de uma flor que nos chame a atenção, de uma relação anônima numa praia noturna, ou durante a leitura de um livro de receitas. Não sei. Gostaria de ter em mãos a fórmula do "evento transformador".

Creio que tem a ver com prioridades. O que é mais importante, persistir vendo as coisas como eu vejo ou reavaliar meu ponto de vista? O que eu ganho em cada lugar, o que eu perco em cada lugar? Realmente acredito que nosso inconsciente deve processar essas questões o tempo inteiro e decidir o que e como a gente aprende e deixa de aprender. Claro, quando se trata de duas pessoas, as questões valem para ambas e, nesse caso, a possibilidade de que para as duas a mudança não seja a escolha só pode resultar em conflito.

O que a gente faz quando lida com esse tipo de conflito?
O que a gente faz quando vê o mundo de uma maneira tão radicalmente diferente do outro que nossa posição ofende e/ou é ofendida o tempo inteiro?

Eu acredito que vale a pena compartilhar o meu ponto de vista, pois vejo coisas realmente bonitas daqui de onde me posiciono no mundo. É parte das razões pelas quais quero ser professor, para poder compartilhar essas pequenas maravilhas que me fazem sorrir, para que cada pessoa consiga encontrar esses pequenos eventos que lhes fazem sorridentes.

Se a vida é uma viagem, a gente pode caminhar juntos ou nos distanciar (a minha imagem mental de como a vida poderia ser representada é um pouco mais complexa que isso, mas vamos fingir que é uma estrada, senão minha metáfora se perde). Eu estou disposto a sair um pouco do meu caminho, verdade, mas não espere que eu vá para o lado oposto do qual tenho trilhado.

sábado, fevereiro 11, 2012

Naruto


Eu cometi um erro: mesmo sabendo da minha incrível facilidade em me distrair e em procrastinar, eu resolvi ler o primeiro capítulo de Naruto. Vinha fugindo das aventuras do garoto brigão ninja há anos, mas acabei dando boas risadas em alguns momentos e me empolgando com histórias que vão crescendo em complexidade. Eu estava realmente com saudades de ler mangás. O lado ruim disso é que, como todo vício, largar agora está quase impossível e eu realmente preciso fazer outras coisas com as minhas horas. Ai, ai...


Momentos de aprendizagem

Estou ministrando um curso na educação a distância com uma amiga. Algum tempo atrás, estava ensinando inglês para duas amigas, pensando sobre a dificuldade dos concursos públicos federais para professor universitário e, particularmente, sobre modos de ser professor.

No curso de extensão que estamos oferecendo, eu e minha amiga optamos por abrir momentos de debate a partir de imagens, textos, músicas etc. Não estamos dizendo "vejam, quando falamos de sexualidade, é isso e isso que queremos dizer". Os estudantes querem respostas claras e precisas acerca de como devem reagir a situações específicas. Alguns reagem frustrados com a nossa aparente falta de preocupação em oferecê-las. Em meio a tudo isso, fico me questionando se realmente é por aí, se funciona mesmo estar em voltar deles e ir comentando os seus comentários, cutucando as suas falas etc.

Pensei, por um momento, que estivesse simplesmente largando-os para nadar e saindo de perto. Não é verdade. Nós os jogamos no oceano, é verdade, mas estamos tentando apontar onde a água é mais rasa, onde as ondas batem forte, de que maneiras podem bater os braços. Essa coisa de ensinar é realmente mais complicada do que parece, daí bate um desejo forte de ser o cara que vai lá na frente e simplesmente sai falando sobre as coisas, mostrando imagens de impacto e compartilhando seus pontos de vista. É um tipo de atitude professoral típica, talvez por isso tão reconfortante, é algo que nós sabemos como funciona e que, de alguma maneira, enche cadernos de anotações.

Quando dei aula em julho, tentei o mesmo esquema de diálogo aberto a partir de certas fontes. No meio do curso, não aguentei e iniciei um fórum de "explicações", no qual abordava questões como "o que é gênero?" e "pornografia ou erotismo?". Nessa edição do curso, minha amiga segura minhas ansiedades e me impede de agir da mesma forma. Algumas pessoas estão participando ativamente do curso e discutindo, outras, talvez já cientes de que o curso não tem um formato que lhes apetece, não respondem mais nada.

Eu sei que, para mim, esse tipo de aula realmente funciona, me estimula a pensar, me leva mais a frente. Para a minha amiga, também. Contudo... será que não estamos cometendo aquele velho erro de ignorar que pessoas diferentes aprendem de maneiras diferentes? E se sim... como evitar?

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Por que eu não vou começar um novo blog sobre sexualidade

Há tempos venho pensando em criar um blog temático, voltado para um assunto específico e a partir do qual eu pudesse escrever e interagir com um público definido. Havia decidido que isso aconteceria na forma de um blog sobre sexualidades na educação, o qual eu alimentaria com comentários sobre cultura e artes relacionados a questões de corpos, gêneros, desejos, afetos etc. Aí parei e pensei: Tales, tu já está trabalhando como freelancer, escrevendo uma dissertação, envolvido em escrever pelo menos uma postagem por dia para a Raposa Antropomórfica, assistindo a três disciplinas no que deveriam ser tuas férias, escrevendo um texto em inglês com um professor estadunidense, procurando emprego no Brasil e tentando manter a sanidade na forma de amizades e amores; tu precisa mesmo de um blog novo?


Eu pretendia começar com uma postagem sobre o que é sexualidade. Falar do básico, que é algo construído socialmente, que depende dos valores culturais específicos de um tempo e espaço para que tenha sentido, que regula e é regulada nas nossas vidas diárias sem sequer percebermos. Discutiria brevemente a importância de pensar o corpo como campo de conflitos políticos, as emoções como sítio de controle social, os gêneros como a vitória da supremacia masculina sobre o enfraquecimento feminino e também o desejo sexual como sendo produto de como entendemos o sexo e os gêneros, muito mais do que algo que define uma identidade. Também teria que explicar como posicionar as identificações, o porquê de eu acreditar que elas são relacionais e não fixas e definitivas, entre outras questões que iriam surgindo.


Em algum momento eu defenderia a posição de que o amor deve ser colocado acima de outras questões, e isso provavelmente me levaria a duvidar da minha própria escolha de palavras, já que é muito fácil falar em amor ao próximo quando estou confortavelmente nos Estados Unidos, protegido do frio em uma casa aquecida, e milhares não têm condição de pagar em um mês muffin que eu comi no lanche da tarde. Aí entra outra coisa, algo que tenho repetido para mim mesmo com frequência: eu estou tentando alcançar uma posição de poder para que possa gerar mudanças na vida dos outros que, tenho esperança, repercutirão futuramente. É uma visão... mas demora tanto!


Hoje na aula vimos algo sobre Keith Haring como parte de um projeto de enfrentamento da AIDS e de propostas para abordar temáticas relacionadas a sujeitos não conformados no curto quadrado da sexualidade normativa. Eu falaria disso, também, em um blog sobre sexualidades na educação. Escreveria demoradamente, repensaria palavras. Algo diferente do que faço aqui, onde simplesmente jogo o texto na forma de prosa e não preciso me preocupar.

Não preciso, ou não quero?


Em tempo, voltei a pensar em escrever literatura.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Vaka - Sigur Rós


Alguma coisa nessa música me dá vontade de chorar. É como se a canção conversasse comigo, mesmo que eu não entenda as palavras. É como se ela tivesse sido escrita pra mim. Bem, talvez ela tenha, nessa vida louca e envolvida em tramas e cruzamentos.

Parece que de um momento para o outro sou capaz de sentir todas as dores que já senti, todas juntas num mesmo instante. Não chega a ser um segundo, é um pequeno instante de contato. Dores que senti, que causei, que o mundo viveu. No instante seguinte, não tem mais dor, apenas vida. Eu estou vivo, é tão boa a sensação de saber disso.

Today a friend was invited to talk in one of the classes I'm attending to. He talked about passion, about doing what one believe is right, about following the heart. I made notes, because I am afraid I might forget those important things that make life so magical. He said something like "we never know when a constructive critique can change a life forever". I wrote a book, once, because of a person who believed in me. She is still part of me, and part of some people I know and like. But I never wrote again ever since the middle of university. Why? Lack of critique, perhaps?


I guess I want to cry listening to this song because it tells me how stupid I am for abandoning what I believe I can do best in life.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Rainbow fields - Baby Alpaca


O que alguém pode ensinar

Recentemente escrevi sobre quem pode ser professor. Como sempre, eu estava tentando pensar a respeito das limitações que frequentemente a sociedade nos impõe, qualificando e ordenando quem pode fazer o que. Acho importante deixar claro: essas separações têm um sentido e são muitas vezes úteis. Meu problema com elas começa quando as limitações são restritivas demais e ignoram a amplitude e complexidade dos aprendizados humanos.

Penso na dificuldade que terei para me tornar um professor de universidade federal. Minha graduação é em jornalismo, minha especialização em expressão gráfica, minha experiência profissional em processos editoriais (revisão e editoração) e meu mestrado em cultura visual, atravessando questões de sexualidade e educação em artes visuais. A maioria dos concursos para professor em universidades federais requisita que a titulação mais alta e a graduação sejam nas mesmas áreas ou, no máximo, em áreas afins. Por essa lógica, eu estou excluído de concursos na área da Educação e das Artes, dois campos nos quais tenho investido tempo e raciocínio para pensar e trabalhar. Eu pergunto: uma graduação em Educação garante que um sujeito será um "melhor professor" do que eu poderia ser? Ou, colocado de outra forma, eu sou um professor menos capacitado, ou menos competente, por haver trilhado um caminho diferente?

Em julho viajei para fazer um concurso. Eu estava em dúvida se deveria ou não, mas uma professora me fez uma pergunta que até hoje me acompanha: "tu tem algo que tu poderia compartilhar com graduandos?". A minha resposta foi hesitante, "acho que sim", então ela disse que isso era suficiente para eu ir e fazer a prova. A questão aqui não é a respeito de ser o melhor candidato possível, mas sim de dar o melhor de si para preencher as expectativas e, se possível, superá-las através de um trabalho no qual se acredite estar operando algum tipo de mudança na existência (sua e dos outros).

Digo isso com alguma frequência, mais para lembrar a mim mesmo do que para reforçar um ponto de vista, mas eu entrei no mestrado com um objetivo: aprender e me tornar um professor. Dois anos atrás, quando fiz a prova de seleção, eu acreditava que sendo professor eu teria condições de interferir na vida dos sujeitos e abrir portas para indivíduos que, como eu um dia, talvez não saibam que podem ou ainda não consigam abri-las.

É isso que acredito e defendo: ensinar deve ser sobre abrir portas, não sobre abrir apenas algumas portas se você tiver apenas determinadas chaves.

domingo, fevereiro 05, 2012

Como vampiros se esconderiam hoje em dia?

Estou há dias com essa questão me buzinando no cérebro. Se temos internet e a possibilidade de postar instantaneamente de um telefone imagens e vídeos praticamente de qualquer lugar, como poderiam vampiros - que notadamente vivem entre nós nas histórias e filmes que vemos por aí - sobreviver em segredo? Penso em três possibilidades:

1. Eles dominam a tecnologia atual, garantindo que nenhuma informação particularmente relevante seja divulgada. Isso pode estar por trás de grandes derrubadas de sites, como o Megaupload, e também servir de motivação para queimas de arquivo, bloqueio de contas etc. É uma hipótese.

2. Temos tantos filmes e seriados sobre vampiros que se víssemos um na rua provavelmente pensaríamos que é divulgação para mais uma produção holywoodiana. Algo meio in your face disguise, ou seja, se esconder a olhos vistos. Não sei se funcionaria tão bem.

3. Eles estão onde os 20% da população mundial que tem acesso à internet não está. Se pararmos para pensar, ainda sobram muitos espaços para que eles possam estar escondidos e se alimentando de seres humanos.

Se é para acreditar em uma delas, eu fico com a terceira. Nesse caso, podemos ficar felizes (exceto, talvez, por sujeitos ecologicamente conscientes) que esses nossos predadores estão sendo levados à extinção. Se já não foram extintos.

Em tempo... eu adoraria ver um capítulo de Criminal Minds em que o assassino fosse um vampiro. Ou um lobisomem. Ou um fantasma. Seria uma forma interessante de brincar com as realidades, não?

sábado, fevereiro 04, 2012

Being Tales, 2

A gente chega ao mundo pelado, só sabendo o que se sabe por ser bicho. Chora, olha, grita, agarrar o seio da mãe. Ninguém nasce jogando xadrez, calculando a hipotenusa ou discutindo filosofia pós-estruturalista, nem conhecendo as coisas que realmente importam. Ou que a gente acha que importam. Elas mudam tanto que talvez até o fato de mudarem mude e elas amanhã ainda sejam as mesmas.

Eu não lembro direito como eram as coisas em família. Quando penso em colégio, já recordo que a minha já havia deixado de ser, propriamente, família. Não de verdade, eu sei, mas de uma forma diferente da que eu desejaria. Sei que minha mãe desejaria diferente, também, como tantas vezes conversamos. Somos amigos, eu e ela, daquele tipo de amizade que vem e fica. Com o passar do tempo fui entendendo algumas das escolhas que ela fez. Não concordo com várias delas, mas umas faço iguais, outras se não fossem feitas não me teria colocado no mundo. Sou fruto de um acidente, o segundo filho não planejado. Cinco anos depois do meu irmão, eu fui o sinal de que era o momento de fechar a fábrica. Cirurgicamente.

A escola foi um período confuso. Antes do Ensino Médio eu tinha pessoas que me defendiam, que me resguardavam de um mundo cruel que queria rir de mim. Não só queria, conseguia. Gargalhava, por vezes. Ainda assim, aqui e ali fui aprendendo alguma coisa, mais de ouvir falar do que de realmente saber fazer. Quando minha colega me perguntou, na sétima série, se eu já podia ter filhos, eu sabia qual era a resposta correta, mas não saberia de fato como. Ela bem sabia, tanto que teve o dela alguns meses depois.

Sempre tenho a sensação de que as coisas estão mudando justo quando estava chegando na melhor parte. Pensei isso quando mudei de colégio, de universidade, de moradia. Talvez eu estivesse certo em todas essas vezes. Eu não estava preparado pra enfrentar o Ensino Médio onde escolhi, mas passei por ele e, como troféu, o currículo e o ingresso na universidade federal.


Li hoje de noite dois relatos de vidas confusas, encerramentos abruptos e dificuldades de se entender caminhos que por vezes não levam a nada além de outras estradas. Estou ainda afetado pelas leituras, então creio que posso ser desculpado pelo texto confuso de hoje. Estou meio assim, muito aqui, mas também muito lá no que já fui um dia. Vontade forte de voltar e consertar ou, no mínimo, fazer as pazes com o que vivi.
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