Nós não vivemos sozinhos, portanto inventamos regras de convívio para nossa coexistência ser aceitável e funcional. Ontem conversando com uma amiga, fomos destacando em nosso diálogo as inúmeras influências que nos direcionam na vida, mas que não necessariamente correspondem aos nossos anseios. Ou seja: muitas vezes o que fazemos e, principalmente, o que deixamos de fazer é fruto não da nossa vontade pura e plena, mas do contato com outras pessoas e suas expectativas.
Eu nunca fui uma pessoa acostumada a confrontar os outros e hoje me arrependo um pouco dessa moleza que por tanto tempo definiu meu caráter. O pensamento de que 'está bom do jeito que está' ou 'ai, não quero incomodar' sempre esteve a serviço da manutenção da paz por onde circulei, mas também sempre prestou um desserviço no sentido de silenciar os meus próprios desejos.
Não vou prometer que daqui para a frente tudo será diferente. Não é tudo que tem que ser diferente. Sou eu mesmo, esse pequeno fragmento de universo que pensa que é uma raposa. Estou confiante de que se eu mudar, o mundo muda comigo.
sábado, agosto 17, 2013
sexta-feira, agosto 16, 2013
Você é a medida do que faz com o seu tempo
Ouvi dizer que nós somos a média das cinco pessoas com as quais passamos mais tempo. Concordei em parte, mas conversando com uma amiga cheguei à conclusão que na verdade somos a média do que fazemos com o nosso tempo. Se passamos a maior parte do nosso tempo fazendo algo que não acreditamos que é certo ou que deveríamos estar fazendo, isso diz muito sobre quem nós somos ou sobre o lugar que ocupamos no mundo.
Certo, nem todo mundo pode acordar um dia e decidir que não está perseguindo o seu sonho. O mundo infelizmente não é tão bonito. Contudo, ao longo das nossas vinte e quatro horas diárias tomamos uma série de decisões que vão construindo o nosso caráter e moldando os nossos hábitos. São essas decisões, pequeninas e insignificantes por si só, que se somarão no final do dia, da semana, do mês e do ano e construirão o tipo de pessoa que nós somos.
Exemplo prático na vida da raposa: se eu não escrevo, não sou escritor. Posso dizer que sei escrever e que sou a pessoa que entende tudo de tocar as pessoas com meus textos. Posso dizer o que eu quiser, não sou escritor enquanto não estiver escrevendo. No fundo, sempre me senti uma fraude quando falava que escrevia porque sabia que na verdade eu não estava escrevendo, mesmo acreditando que podia. Somente acreditar não é suficiente, a gente precisa agir. Essa é uma grande diferença entre pessoas que alcançam seus sonhos e as que não conseguem jamais. Não quer dizer que basta tentar, o sol infelizmente não nasce para todos. Contudo ele tem mais chances de nos iluminar se a gente vai pro meio da rua do que se ficamos trancados no porão de casa.
Falei essa semana sobre pedir permissão para sermos quem somos ou queremos ser. O "pedir permissão" tem um duplo valor. Por um lado ele é um atestado de fraqueza individual para dar força àquilo que acreditamos por conta própria, o que é ruim. Por outro lado, esse mesmo "pedir permissão" serve para que outras pessoas compartilhem do meu sonho, fiquem felizes pelas minhas conquistas e inclusive venham nos lembrar quem nós somos nos dias em que esquecemos. Ser é um trabalho diário, se a gente não segue sendo, esquece que foi.
Certo, nem todo mundo pode acordar um dia e decidir que não está perseguindo o seu sonho. O mundo infelizmente não é tão bonito. Contudo, ao longo das nossas vinte e quatro horas diárias tomamos uma série de decisões que vão construindo o nosso caráter e moldando os nossos hábitos. São essas decisões, pequeninas e insignificantes por si só, que se somarão no final do dia, da semana, do mês e do ano e construirão o tipo de pessoa que nós somos.
| Pessoas são estranhas: - Eu quero ser uma pintora, mas não quero praticar todos os dias. - Eu não quero ser uma advogada corporativa, mas invisto todos meus finais de semana nisso. |
Exemplo prático na vida da raposa: se eu não escrevo, não sou escritor. Posso dizer que sei escrever e que sou a pessoa que entende tudo de tocar as pessoas com meus textos. Posso dizer o que eu quiser, não sou escritor enquanto não estiver escrevendo. No fundo, sempre me senti uma fraude quando falava que escrevia porque sabia que na verdade eu não estava escrevendo, mesmo acreditando que podia. Somente acreditar não é suficiente, a gente precisa agir. Essa é uma grande diferença entre pessoas que alcançam seus sonhos e as que não conseguem jamais. Não quer dizer que basta tentar, o sol infelizmente não nasce para todos. Contudo ele tem mais chances de nos iluminar se a gente vai pro meio da rua do que se ficamos trancados no porão de casa.
Falei essa semana sobre pedir permissão para sermos quem somos ou queremos ser. O "pedir permissão" tem um duplo valor. Por um lado ele é um atestado de fraqueza individual para dar força àquilo que acreditamos por conta própria, o que é ruim. Por outro lado, esse mesmo "pedir permissão" serve para que outras pessoas compartilhem do meu sonho, fiquem felizes pelas minhas conquistas e inclusive venham nos lembrar quem nós somos nos dias em que esquecemos. Ser é um trabalho diário, se a gente não segue sendo, esquece que foi.
quinta-feira, agosto 15, 2013
Jornalismo e gênero, ou Questionando os MEUS preconceitos
Hoje vi uma notícia sobre uma moça que se veste e se porta "de modo masculino" e fiquei... pensativo.
Aqui vão alguns critérios que listei em minha monografia de graduação:
Tempo do acontecimento: o jornalismo é sempre atual, então a notícia deve ser fresquinha, deve ser algo que está acontecendo ou que aconteceu no máximo ontem. Em tempos de internet, suspeito que o ontem já está sendo tarde demais.
Amplitude e clareza: quanto mais, melhor, quanto mais acessível ao leitor médio, melhor. Ou seja, o texto jornalístico frequentemente ensina o leitor, funcionando como um professor. Acho mais do que importante mencionar que esse professor é legitimado e o leitor médio não sente que tem motivos para desconfiar dele. Se saiu no jornal, deve ser verdade.
Significância: a notícia deve ser de interesse para o seu público, ou seja, deve afetar a vida dele de alguma forma. Essa é uma tecla que vou bater muito: dependendo do tratamento feito, uma notícia pode ser extremamente eficaz em combater preconceitos. Infelizmente não costuma ser.
Consonância: a notícia deve estar de acordo com os consensos, com o status quo. Isso aliás é bastante importante e acontece também na publicidade: lugar de revolução é fora da mídia, ao menos da mídia tradicional. Graças aos deuses que os espaços de visibilidade social estão se ampliando (embora não sem correr riscos, vide casos de propostas legislativas de regulação da internet).
Imprevisibilidade: ah, a cereja da notícia que me atraiu. O jornalismo ganha pontos de "jornal bacana" se a notícia for surpreendente. O que é tipicamente surpreendente? Pisar nas minorias ou nos "estranhos". Como a menina que é um gato.
Personalização: esse não é bem um critério do fato em si, mas a maneira como a matéria é escrita, ou seja, a partir da perspectiva de uma pessoa específica com a qual o leitor médio possa se identificar.
Normalmente são apontados mais alguns critérios de noticiabilidade, como a negatividade e o olhar para as elites, mas preferi destacar apenas esses porque me ajudam a pensar sobre a "notícia" da moça.
Claro, o fato de o jornal não fazer essa defesa não me exime da reflexão sobre meu desleixo intelectual. Simplesmente estou acostumado a ver sujeitos que não se encaixam nos bloquinhos tradicionais do binarismo serem retratados preconceituosamente na mídia, portanto assumi automaticamente que o mesmo estaria acontecendo na matéria. Isso é muito feio, gente. Ainda ontem estava na aula de Teoria da Imagem dizendo para os meus adoráveis estudantes que precisamos olhar não apenas para as imagens, mas principalmente para o momento em que nós olhamos as imagens. É nesse momento que os nossos preconceitos se ativam.
Defendo que toda visibilidade não negativa (ou seja, sem fazer piada em cima, sem pisar, sem dizer que não é legal ou que não é humano etc.) é mais do que necessária. Muitas vezes o nosso preconceito é fruto de não sermos capazes de conceber, ou seja, de vislumbrar determinada possibilidade ou situação. Eu não consegui, por exemplo, imaginar o R7 fazendo uma boa notícia envolvendo questões de gênero. OK, não é boa, faltou avançar muito para ser realmente bacana, mas já é um baita começo colocar as declarações da moça, que por sinal são bem pertinentes.
Lição do dia para mim mesmo: antes de se armar para a batalha, leia direito e pense sobre o que está prestes a criticar. Há muito a se enfrentar no mundo, sem dúvida, mas de vez em quando temos algumas surpresas positivas.
Os critérios para ser notícia
Os jornais publicam notícias que, acreditam, alcançarão os interesses de sua audiência. Para isso, se apoiam no que os teóricos chamam de critérios de noticiabilidade. Não é uma coisa que os jornalistas, na hora de decidir o que é ou não uma boa notícia, pegam uma listinha e vão marcando os itens. Essa lista é internalizada, a gente aprende na faculdade através dos professores, da prática cotidiana e, como qualquer leitor ou vivente, do contato diário com a mídia.Aqui vão alguns critérios que listei em minha monografia de graduação:
Tempo do acontecimento: o jornalismo é sempre atual, então a notícia deve ser fresquinha, deve ser algo que está acontecendo ou que aconteceu no máximo ontem. Em tempos de internet, suspeito que o ontem já está sendo tarde demais.
Amplitude e clareza: quanto mais, melhor, quanto mais acessível ao leitor médio, melhor. Ou seja, o texto jornalístico frequentemente ensina o leitor, funcionando como um professor. Acho mais do que importante mencionar que esse professor é legitimado e o leitor médio não sente que tem motivos para desconfiar dele. Se saiu no jornal, deve ser verdade.
Significância: a notícia deve ser de interesse para o seu público, ou seja, deve afetar a vida dele de alguma forma. Essa é uma tecla que vou bater muito: dependendo do tratamento feito, uma notícia pode ser extremamente eficaz em combater preconceitos. Infelizmente não costuma ser.
Consonância: a notícia deve estar de acordo com os consensos, com o status quo. Isso aliás é bastante importante e acontece também na publicidade: lugar de revolução é fora da mídia, ao menos da mídia tradicional. Graças aos deuses que os espaços de visibilidade social estão se ampliando (embora não sem correr riscos, vide casos de propostas legislativas de regulação da internet).
Imprevisibilidade: ah, a cereja da notícia que me atraiu. O jornalismo ganha pontos de "jornal bacana" se a notícia for surpreendente. O que é tipicamente surpreendente? Pisar nas minorias ou nos "estranhos". Como a menina que é um gato.
Personalização: esse não é bem um critério do fato em si, mas a maneira como a matéria é escrita, ou seja, a partir da perspectiva de uma pessoa específica com a qual o leitor médio possa se identificar.
Normalmente são apontados mais alguns critérios de noticiabilidade, como a negatividade e o olhar para as elites, mas preferi destacar apenas esses porque me ajudam a pensar sobre a "notícia" da moça.
Questionando (os meus) preconceitos
Eu estava pronto e armado para criticar a matéria do R7, que na minha cabeça estaria tripudiando sobre a garota que se veste "como homem" e toma hormônios para modificar o corpo. Quando escrevi "o que me incomoda nesta matéria" foi que me dei conta que eu não sabia o que me incomodava na matéria, então voltei a ela e reli completamente. Só uma coisa, a meu ver, é realmente digna de crítica: o fato da posição da matéria frente ao caso ser "imparcial", ou seja, fingir-se de objetiva ao invés de defender abertamente um ponto de vista.Claro, o fato de o jornal não fazer essa defesa não me exime da reflexão sobre meu desleixo intelectual. Simplesmente estou acostumado a ver sujeitos que não se encaixam nos bloquinhos tradicionais do binarismo serem retratados preconceituosamente na mídia, portanto assumi automaticamente que o mesmo estaria acontecendo na matéria. Isso é muito feio, gente. Ainda ontem estava na aula de Teoria da Imagem dizendo para os meus adoráveis estudantes que precisamos olhar não apenas para as imagens, mas principalmente para o momento em que nós olhamos as imagens. É nesse momento que os nossos preconceitos se ativam.
Defendo que toda visibilidade não negativa (ou seja, sem fazer piada em cima, sem pisar, sem dizer que não é legal ou que não é humano etc.) é mais do que necessária. Muitas vezes o nosso preconceito é fruto de não sermos capazes de conceber, ou seja, de vislumbrar determinada possibilidade ou situação. Eu não consegui, por exemplo, imaginar o R7 fazendo uma boa notícia envolvendo questões de gênero. OK, não é boa, faltou avançar muito para ser realmente bacana, mas já é um baita começo colocar as declarações da moça, que por sinal são bem pertinentes.
Lição do dia para mim mesmo: antes de se armar para a batalha, leia direito e pense sobre o que está prestes a criticar. Há muito a se enfrentar no mundo, sem dúvida, mas de vez em quando temos algumas surpresas positivas.
terça-feira, agosto 13, 2013
O que nós escritores temos a ver com os cinquenta tons de cinza
Como eu não li os livros, peço que alguém me corrija se eu estiver errado. Na história a protagonista conhece e se apaixona por um cara e passa a atender aos seus desejos e a se submeter às suas vontades, muitas vezes ignorando ou negando os próprios desejos e vontades em nome desse 'amor'. Vejo aí dois problemas: isso é machismo e isso não é o que eu entendo por amor. O gatilho para esse post foi uma notícia (aqui) e alguns comentários em um grupo do Facebook.
Certo, e qual é o discurso dominante neste livro? O do machismo, ou seja, da supremacia do homem sobre a mulher. De acordo com os discursos machistas, a mulher é um objeto para o homem. O problema é que nem todo machismo é óbvio e ululante. Vamos a exemplos mais cotidianos? Hoje vi uma foto no Facebook de mulheres tirando selfies, aquelas fotos de nós mesmos no espelho, e embaixo uma outra imagem mostrando um bando de louça suja. A narrativa é bem óbvia: "fica aí se mostrando e se fotografando ao invés de cumprir seus deveres". Novidade: lugar de mulher não é na cozinha, é onde quiser. Pergunta teste número 2: que tal a gente substituir as mulheres se fotografando por nerds jogadores de videogame ou por frequentadores de academia? É, não seria a mesma coisa. Por quê? Porque nossa sociedade sugere que é da mulher o dever de limpar a casa enquanto o macho providencia o sustento e, claro, manda em tudo.
Quando um livro é publicado e alcança o sucesso que Cinquenta tons de cinza alcançou, é importante refletirmos sobre o papel social que ele tem. Milhares de pessoas estão assimilando sua narrativa sem sequer considerar que ela pode ser espelho de um comportamento cruel. Esse comportamento, repetido na mídia à exaustão, assume o caráter de normalidade e passa a servir de exemplo sobre como as coisas são. Ou seja, não é a leitura do livro que vai te transformar em um machista. É o machismo já entranhado nas veias do leitor que vai encontrar conforto e se tornar ainda mais difícil de sair.
O resumo é: fazer com que uma pessoa abra mão da própria vida em nome de outra pessoa não é amor, é egoísmo.
Aí que está a questão: nós não devemos reproduzir esses problemas inconscientemente. Nosso trabalho é importante demais para que não estejamos conscientes do que fazemos e de quais discursos estamos reproduzindo. Como escrevi esses dias na Raposa do Face, peço apenas coerência: quer ser machista, sexista, homofóbico, racista, transfóbico etc? Beleza, mas assume. Isso se chama honestidade intelectual, algo que só é possível quando a gente sabe o que está fazendo.
Tu sabe o que está fazendo quando escreve?
Sabe quais discursos está reproduzindo através das tuas letras?
Se não, convém estudar mais.
Isso é machismo
Formas de arte são apenas histórias e entretenimento. Certo? Errado. A arte, como qualquer forma de discurso humano, carrega ideias que dão sustentação ao que acontece. Nós entendemos algo como coerente quando essas ideias estão afins com algo que nós acreditamos ou que reconhecemos que os outros acreditam. Pergunta teste número 1: esse livro pareceria coerente se fosse a história de um homem rico e bem sucedido que se submete a uma mulher e passa a abrir mão de sua própria vida em nome dela? Suponho que não (e tampouco ele carregaria uma mensagem melhor).Certo, e qual é o discurso dominante neste livro? O do machismo, ou seja, da supremacia do homem sobre a mulher. De acordo com os discursos machistas, a mulher é um objeto para o homem. O problema é que nem todo machismo é óbvio e ululante. Vamos a exemplos mais cotidianos? Hoje vi uma foto no Facebook de mulheres tirando selfies, aquelas fotos de nós mesmos no espelho, e embaixo uma outra imagem mostrando um bando de louça suja. A narrativa é bem óbvia: "fica aí se mostrando e se fotografando ao invés de cumprir seus deveres". Novidade: lugar de mulher não é na cozinha, é onde quiser. Pergunta teste número 2: que tal a gente substituir as mulheres se fotografando por nerds jogadores de videogame ou por frequentadores de academia? É, não seria a mesma coisa. Por quê? Porque nossa sociedade sugere que é da mulher o dever de limpar a casa enquanto o macho providencia o sustento e, claro, manda em tudo.
Quando um livro é publicado e alcança o sucesso que Cinquenta tons de cinza alcançou, é importante refletirmos sobre o papel social que ele tem. Milhares de pessoas estão assimilando sua narrativa sem sequer considerar que ela pode ser espelho de um comportamento cruel. Esse comportamento, repetido na mídia à exaustão, assume o caráter de normalidade e passa a servir de exemplo sobre como as coisas são. Ou seja, não é a leitura do livro que vai te transformar em um machista. É o machismo já entranhado nas veias do leitor que vai encontrar conforto e se tornar ainda mais difícil de sair.
Isso não é amor
Eu certamente não sou especialista em amor, mas o entendo como um sentimento que busca o bem do próximo. O bem do próximo, para mim, envolve não negar a subjetividade da pessoa e não criar uma grade em volta dela. Amor não é controle, não é exercício de poder sobre outra pessoa. Amar é cultivar, é gostar, é dar atenção e carinho, é proporcionar felicidade. Já escrevi algumas várias vezes sobre amor (aqui) e por isso vou manter o tópico curto.O resumo é: fazer com que uma pessoa abra mão da própria vida em nome de outra pessoa não é amor, é egoísmo.
O que nós escritores temos a ver com isso?
Certo, o mundo no qual vivemos está estragado e cheio de exemplos ruins. Danou, então, né? Quase. Nós escritores e artistas temos na mão um poder muito interessante, o de convidar pessoas às nossas narrativas e com elas oferecer outros mundos possíveis. Não estou dizendo que devemos escrever só histórias boazinhas de pessoas que encontram o 'amor verdadeiro' sem desafios nem preconceitos ou machismos. Salvo ficções científicas dedicadas à utopia, nossas histórias se passam em mundos maculados por esses problemas.Aí que está a questão: nós não devemos reproduzir esses problemas inconscientemente. Nosso trabalho é importante demais para que não estejamos conscientes do que fazemos e de quais discursos estamos reproduzindo. Como escrevi esses dias na Raposa do Face, peço apenas coerência: quer ser machista, sexista, homofóbico, racista, transfóbico etc? Beleza, mas assume. Isso se chama honestidade intelectual, algo que só é possível quando a gente sabe o que está fazendo.
Tu sabe o que está fazendo quando escreve?
Sabe quais discursos está reproduzindo através das tuas letras?
Se não, convém estudar mais.
segunda-feira, agosto 12, 2013
Procure pessoas como você
Quando fui ao lançamento do livro em que tenho um conto publicado, meu primeiro filhote (não, eu nunca vou parar de falar dele. Tá, mentira, um dia eu provavelmente falarei bem menos porque terei outros filhos favoritos, mas por enquanto ainda é o Loveless), duas coisas foram superimportantes. A primeira delas é óbvia: poxa, eu lancei um livro. Não eu sozinho, junto com outras pessoas, mas especialmente a partir do olhar e aval de uma editora, o que significa que alguém acreditou no meu trabalho artístico. Beleza. A segunda coisa e ainda mais importante é que eu conheci pessoas como eu, pessoas que não só escrevem, mas escrevem sobre os mesmos temas que eu. Pouco a pouco, conversa a conversa, estou conhecendo outras histórias de pessoas que vivem dramas muito parecidos com os meus (Será que o texto está bom? Conseguirei uma editora? Como escrever bem? Quem sou eu? Dá pra viver de literatura? Aaaaah?) e iniciando algumas amizades.
Isso tudo se soma em uma grande descoberta: procurando pessoas como eu, descobri que tenho com quem compartilhar questões específicas que nem todo mundo entende. Isso ajuda. Muito. A internet é um grande mar de interesses diversos, a única coisa que nos separa de encontrar pessoas fabulosas e dispostas a compartilhar tempo com a gente é nosso próprio medinho (ou falta de conexão, mas né...) de encarar aquilo que colocamos como sendo nosso sonho, nosso objetivo.
Saia do casulo e procure pessoas que possam compartilhar o seu sonho. É ótimo!
Isso tudo se soma em uma grande descoberta: procurando pessoas como eu, descobri que tenho com quem compartilhar questões específicas que nem todo mundo entende. Isso ajuda. Muito. A internet é um grande mar de interesses diversos, a única coisa que nos separa de encontrar pessoas fabulosas e dispostas a compartilhar tempo com a gente é nosso próprio medinho (ou falta de conexão, mas né...) de encarar aquilo que colocamos como sendo nosso sonho, nosso objetivo.
Saia do casulo e procure pessoas que possam compartilhar o seu sonho. É ótimo!
domingo, agosto 11, 2013
Devo contratar um agente literário?
Hoje fui pesquisar sobre agentes literários e, mais uma vez, cheguei à conclusão de que quero que alguém me diga Tales, tu pode fazer isso. É como se eu precisasse de permissão alheia não apenas para tomar as minhas decisões, mas para viver com elas. Essa é a razão pela qual eu quis procurar um agente literário, para me livrar da responsabilidade de fazer um trabalho que inicialmente deve ser meu: o de buscar meu espaço entre quem publica.
A mesma coisa tem acontecido sobre eu me dedicar a escrever mais e talvez não fazer o doutorado ano que vem. Estou o tempo inteiro conversando com meus amigos e perguntando o que acham disso. Eu já sei o que eu acho e já estou mais ou menos decidido, então não são as opiniões que estão mudando alguma coisa no meu pensar. São as permissões. Eu estou pedindo permissão para ser quem eu sou e isso não é legal.
De toda forma, estou no meio desse processo louco de descobrir meu lado raposa escritora, o que é um sofrimento, mas também um prazer sem igual. Entre sexta e hoje concluí dois contos. O meu medo de escrever e de dar a cara a tapas está diminuindo à medida em que aumenta minha confiança nas letras.
Em resumo, respondo a pergunta do título: se tu já tem um caminho na literatura se formando, beleza, talvez seja bacana ter um profissional mediando o processo. Isso é o que eu aprendi na minha breve pesquisa. Do contrário, te concentra em aprimorar a tua técnica e a tua arte. Sem a produção não há resultado. Não há como eu alcançar o meu sonho de ser escritor famoso sem colocar em prática a obviedade de ser escritor.
A mesma coisa tem acontecido sobre eu me dedicar a escrever mais e talvez não fazer o doutorado ano que vem. Estou o tempo inteiro conversando com meus amigos e perguntando o que acham disso. Eu já sei o que eu acho e já estou mais ou menos decidido, então não são as opiniões que estão mudando alguma coisa no meu pensar. São as permissões. Eu estou pedindo permissão para ser quem eu sou e isso não é legal.
De toda forma, estou no meio desse processo louco de descobrir meu lado raposa escritora, o que é um sofrimento, mas também um prazer sem igual. Entre sexta e hoje concluí dois contos. O meu medo de escrever e de dar a cara a tapas está diminuindo à medida em que aumenta minha confiança nas letras.
Em resumo, respondo a pergunta do título: se tu já tem um caminho na literatura se formando, beleza, talvez seja bacana ter um profissional mediando o processo. Isso é o que eu aprendi na minha breve pesquisa. Do contrário, te concentra em aprimorar a tua técnica e a tua arte. Sem a produção não há resultado. Não há como eu alcançar o meu sonho de ser escritor famoso sem colocar em prática a obviedade de ser escritor.
sábado, agosto 10, 2013
Meus personagens me acompanham
Eu não sei se isso é certo ou aceitável no mundo literário, mas está acontecendo comigo. Aliás, sei muito pouco do universo das letras, já que minha formação não é artística e sim objetivista e jornalística. Ainda assim, tenho ousado escrever e literaturizar por aí com algum prazer. Desde que retomei a empreitada de ser escritor, alcancei a publicação de O bufo na coletânea Loveless, da Editora Escândalo, e nas próximas semanas terei O terceiro passo publicado na coletânea Contos de ocasião pela Editora Big Time. Seria lindo ter uma segunda publicação no meio, para que o terceiro passo fosse efetivamente o meu terceiro passo e até tentei, mas não aconteceu.
Enquanto O terceiro passo foi um reajuste de um texto antigo, escrito em 2008, O bufo foi uma escrita original preparada especificamente para o concurso do qual participei. Há um abismo entre os meus textos até 2008 e 2009 e agora, 2013, quando voltei a escrever. Um abismo que não tem boas justificativas, pois foi um período em que a minha capacidade criativa esteve forçosamente adormecida sob a pressão do medo de me expor ao mundo.
Eis que depois de O bufo encontrei pessoas dizendo repetidamente que a história deveria ter uma continuação, que os personagens não estavam ainda finalizados, que suas peripécias ainda deveriam conduzir a outros lugares. A princípio fiquei ofendido, pois achei que o meu conto não fosse suficiente em si mesmo para narrar uma boa história. Hoje já penso diferente: meus personagens cativaram os leitores ao ponto de quererem mais deles, de se preocuparem com suas aflições e de se encantarem com suas conquistas. Marcelo e Eduardo são dois personagens que, por essa incompletude do conto, resolveram seguir-me sussurrando suas experiências.
É daí que nasceu a Terapia alternativa, história que dá seguimento quase imediatamente aos eventos narrados nO bufo. Assim como a história anterior, ela também está fechada, porém aberta. Ela certamente pede por uma continuação e deve ganhá-la em breve, mas conclui a narrativa que planejei. Não é isso que define um conto, uma "narrativa breve e concisa, contendo um só conflito, uma única ação (com espaço ger. limitado a um ambiente), unidade de tempo, e número restrito de personagens"?
É também dO bufo que nasce O sexo é certo (título provisório), desta vez deixando um pouco Marcelo de lado e se focando em Eduardo, o amigo irreverente e promíscuo. Enquanto escrevia fui obrigado a reformular a história inúmeras vezes, percebendo que Dudu não era quem eu queria que ele fosse, mas como a sua própria personalidade sugere, ele era quem queria ser. Coloquei o ponto final e estou satisfeito com as criaturas que têm surgido a partir de meus dedos. Preciso agora encontrar casas de papel para abrigá-los e mostrá-los ao mundo, um processo infinitamente mais incômodo do que o de escrever, mas que faz parte.
Há ainda outros filhotes esperando para serem escritos, como A marcha da vadia, que também ocorrerá no mesmo universo, porém a partir de uma frase da Terapia Alternativa. Assim brincando de spin-offs vou escrevendo e dando seguimento a esse mundinho que é parte de mim e que, aos poucos, espero que seja parte também dos leitores.
Enquanto O terceiro passo foi um reajuste de um texto antigo, escrito em 2008, O bufo foi uma escrita original preparada especificamente para o concurso do qual participei. Há um abismo entre os meus textos até 2008 e 2009 e agora, 2013, quando voltei a escrever. Um abismo que não tem boas justificativas, pois foi um período em que a minha capacidade criativa esteve forçosamente adormecida sob a pressão do medo de me expor ao mundo.
Eis que depois de O bufo encontrei pessoas dizendo repetidamente que a história deveria ter uma continuação, que os personagens não estavam ainda finalizados, que suas peripécias ainda deveriam conduzir a outros lugares. A princípio fiquei ofendido, pois achei que o meu conto não fosse suficiente em si mesmo para narrar uma boa história. Hoje já penso diferente: meus personagens cativaram os leitores ao ponto de quererem mais deles, de se preocuparem com suas aflições e de se encantarem com suas conquistas. Marcelo e Eduardo são dois personagens que, por essa incompletude do conto, resolveram seguir-me sussurrando suas experiências.
É daí que nasceu a Terapia alternativa, história que dá seguimento quase imediatamente aos eventos narrados nO bufo. Assim como a história anterior, ela também está fechada, porém aberta. Ela certamente pede por uma continuação e deve ganhá-la em breve, mas conclui a narrativa que planejei. Não é isso que define um conto, uma "narrativa breve e concisa, contendo um só conflito, uma única ação (com espaço ger. limitado a um ambiente), unidade de tempo, e número restrito de personagens"?
É também dO bufo que nasce O sexo é certo (título provisório), desta vez deixando um pouco Marcelo de lado e se focando em Eduardo, o amigo irreverente e promíscuo. Enquanto escrevia fui obrigado a reformular a história inúmeras vezes, percebendo que Dudu não era quem eu queria que ele fosse, mas como a sua própria personalidade sugere, ele era quem queria ser. Coloquei o ponto final e estou satisfeito com as criaturas que têm surgido a partir de meus dedos. Preciso agora encontrar casas de papel para abrigá-los e mostrá-los ao mundo, um processo infinitamente mais incômodo do que o de escrever, mas que faz parte.
Há ainda outros filhotes esperando para serem escritos, como A marcha da vadia, que também ocorrerá no mesmo universo, porém a partir de uma frase da Terapia Alternativa. Assim brincando de spin-offs vou escrevendo e dando seguimento a esse mundinho que é parte de mim e que, aos poucos, espero que seja parte também dos leitores.
sexta-feira, agosto 09, 2013
Um escritor precisa de um escritório?
Escritório: "compartimento ou cômodo de um imóvel destinado à leitura e ao ato de escrever; gabinete".
Eu passei da fase 'quero ser' para a 'sou' um escritor. Ter o primeiro conto publicado não é o que causou esse efeito, mas veio junto. Ser alguma coisa é muito mais um estado de espírito e de crença do que qualquer outra coisa. Sou escritor porque as letras que costuro fazem a minha vida. Então por que eu continuo procrastinando?
De vez em quando me pego pensando que num ambiente melhor eu escreveria de forma mais contínua. Uma sala toda dedicada à escrita e livre das tentações do mundo, um espaço recheado de boas energias num campo lotado de árvores, ou quem sabe uma praia. É possível que seja verdade, que lugares assim tão especiais realmente influenciem o ato de produzir. As distrações, bem sabemos, são cruéis.
Só que tem algo que a gente esquece o tempo inteiro. Bem, eu pelo menos vivo me enredando nesse mesmo probleminha: o tesão de escrever é meu, não do resto do mundo. De levantar, sentar na cadeira e passar horas digitando, rabiscando, pensando em desenvolvimentos para histórias. Nada nem ninguém pode me obrigar a dar continuidade para o meu sonho senão eu mesmo. Ainda assim, arranjo desculpas infinitas para não ir pra frente.
Quando dei o primeiro passo mais firme em direção a 'ser escritor', achei que o serviço estava feito e que dali em diante tudo seria tranquilo. Não, não mesmo! Eu tenho o irritante hábito de jogar contra meus próprios interesses e sonhos. Um hábito assim tão enraizado não desaparece só porque a gente publicou um ou outro texto, ou só porque novamente as pessoas nos reconhecem como escritores. Um hábito assim não morre jamais. A única coisa que podemos fazer é substituí-lo por outro que nos faça feliz.
Eu passei da fase 'quero ser' para a 'sou' um escritor. Ter o primeiro conto publicado não é o que causou esse efeito, mas veio junto. Ser alguma coisa é muito mais um estado de espírito e de crença do que qualquer outra coisa. Sou escritor porque as letras que costuro fazem a minha vida. Então por que eu continuo procrastinando?
De vez em quando me pego pensando que num ambiente melhor eu escreveria de forma mais contínua. Uma sala toda dedicada à escrita e livre das tentações do mundo, um espaço recheado de boas energias num campo lotado de árvores, ou quem sabe uma praia. É possível que seja verdade, que lugares assim tão especiais realmente influenciem o ato de produzir. As distrações, bem sabemos, são cruéis.
Só que tem algo que a gente esquece o tempo inteiro. Bem, eu pelo menos vivo me enredando nesse mesmo probleminha: o tesão de escrever é meu, não do resto do mundo. De levantar, sentar na cadeira e passar horas digitando, rabiscando, pensando em desenvolvimentos para histórias. Nada nem ninguém pode me obrigar a dar continuidade para o meu sonho senão eu mesmo. Ainda assim, arranjo desculpas infinitas para não ir pra frente.
Quando dei o primeiro passo mais firme em direção a 'ser escritor', achei que o serviço estava feito e que dali em diante tudo seria tranquilo. Não, não mesmo! Eu tenho o irritante hábito de jogar contra meus próprios interesses e sonhos. Um hábito assim tão enraizado não desaparece só porque a gente publicou um ou outro texto, ou só porque novamente as pessoas nos reconhecem como escritores. Um hábito assim não morre jamais. A única coisa que podemos fazer é substituí-lo por outro que nos faça feliz.
quinta-feira, agosto 08, 2013
Das coisas que eu quero
Mandei hoje para uma amiga essa mensagem em resposta a uma em que ela perguntava qual é o meu sonho de vida, o que eu quero para o meu futuro, o que eu amo fazer. Nossos e-mails frequentemente são sessões de terapia.
Duas coisas são as que mais me enchem de prazer, a ordem de qual vem primeira se alterna com o tempo: escrever e conversar sobre a vida (com ou das pessoas com as quais converso). Eu sou apaixonado por histórias, narrativas e o modo como elas são criadas, desenvolvidas e percebidas. Sempre que eu penso "o que eu gostaria de estar fazendo", a resposta passa por "escrever", mas eu fico com um baita medo de ser uma fraude, de não ser alguém que consegue escrever direito, sabe? É a mesma coisa que eu sinto na sala de aula: um profundo medo de que um dia alguém chegará até em mim e descobrirá que na verdade eu não sei nada daquilo, que eu estou lá apenas por um golpe de sorte do destino.
Eu não faço questão de mais dinheiro. Ele só me é necessário para manter a vida acontecendo (comida, moradia, deslocamento, essas coisas básicas) e eventualmente sustentar alguns luxos, como viagens e uma ou outra coisa mais cara (como uma noite de sushis, por exemplo). O que eu ganho mensalmente hoje é o suficiente para atender a todas essas necessidades atuais, mas conforme eu for ficando mais velho talvez surjam outras ainda imprevistas. Nada que escape profundamente do orçamento, creio.
Eu adoro dar aula por basicamente um motivo: isso me coloca em contato com pessoas que estão interessadas em, de alguma forma, se desenvolver, crescer, conversar, aprender. São coisas que muitas vezes eu acredito que consigo ajudar. Eu adoro ter retorno sobre os meus textos também pela mesma razão: mais de uma vez alguém já veio me dizer que minhas palavras no blog produziram reflexões fortes, que mexeram fundo em algo que a pessoa estava pensando para si.
Isso é muito certo pra mim: eu quero escrever cada vez mais.
O meu medo maior é que o mundo acadêmico roube isso de mim caso eu invista no doutorado.
Duas coisas são as que mais me enchem de prazer, a ordem de qual vem primeira se alterna com o tempo: escrever e conversar sobre a vida (com ou das pessoas com as quais converso). Eu sou apaixonado por histórias, narrativas e o modo como elas são criadas, desenvolvidas e percebidas. Sempre que eu penso "o que eu gostaria de estar fazendo", a resposta passa por "escrever", mas eu fico com um baita medo de ser uma fraude, de não ser alguém que consegue escrever direito, sabe? É a mesma coisa que eu sinto na sala de aula: um profundo medo de que um dia alguém chegará até em mim e descobrirá que na verdade eu não sei nada daquilo, que eu estou lá apenas por um golpe de sorte do destino.
Eu não faço questão de mais dinheiro. Ele só me é necessário para manter a vida acontecendo (comida, moradia, deslocamento, essas coisas básicas) e eventualmente sustentar alguns luxos, como viagens e uma ou outra coisa mais cara (como uma noite de sushis, por exemplo). O que eu ganho mensalmente hoje é o suficiente para atender a todas essas necessidades atuais, mas conforme eu for ficando mais velho talvez surjam outras ainda imprevistas. Nada que escape profundamente do orçamento, creio.
Eu adoro dar aula por basicamente um motivo: isso me coloca em contato com pessoas que estão interessadas em, de alguma forma, se desenvolver, crescer, conversar, aprender. São coisas que muitas vezes eu acredito que consigo ajudar. Eu adoro ter retorno sobre os meus textos também pela mesma razão: mais de uma vez alguém já veio me dizer que minhas palavras no blog produziram reflexões fortes, que mexeram fundo em algo que a pessoa estava pensando para si.
Isso é muito certo pra mim: eu quero escrever cada vez mais.
O meu medo maior é que o mundo acadêmico roube isso de mim caso eu invista no doutorado.
sábado, agosto 03, 2013
Escrever ou assistir seriados?
Escrever dá tesão, é verdade, mas também cansa, exige tutano, incomoda quando tranco numa vírgula, numa palavra, às vezes num parágrafo.
Assistir seriados é sempre divertido, baixo os capítulos e vejo vários de uma só vez, é uma diversão intensa e quase sempre bem construída com histórias fantásticas e personagens cativantes. Melhores que os meus na maior parte das vezes.
Escrever exige tempo, compromisso, silêncio. Um dia briguei (por escrito) com uma pessoa porque achava que escrever não precisava ser ação particular, escondida do mundo. Hoje entendo que escrever acontece na solidão mesmo que compartilhemos depois o seu produto.
Assistir seriados pode ser em dupla, em trio, em grupo grande, mas também pode ser sozinho se tu e somente tu gosta daquela história. Assistir seriados te dá uma noção de quanto tempo irá investir naquilo, de cada minuto ou segundo emprestado, mesmo que nunca devolvido, à indústria do entretenimento. O que há de errado em se entreter?
Escrever não tem hora para acabar, termina quando a história diz que sim. Escrever dá vontade de controlar tudo, de mandar no texto e fazê-lo se curvar, mas as palavras são tantas e tão mais que eu; quando tento enjaulá-las quem acaba preso sou eu. Escrever às vezes acaba antes do que o esperado, pois algumas histórias têm hora bem específica para acabar e acabam sem perdão.
Assistir seriados cansa porque não fazemos nada.
Escrever cansa porque fazemos tudo.
Assistir seriados funciona como um vício, assisto a um e quero assistir a outro logo depois.
Escrever também.
Ainda bem.
Assistir seriados é sempre divertido, baixo os capítulos e vejo vários de uma só vez, é uma diversão intensa e quase sempre bem construída com histórias fantásticas e personagens cativantes. Melhores que os meus na maior parte das vezes.
Escrever exige tempo, compromisso, silêncio. Um dia briguei (por escrito) com uma pessoa porque achava que escrever não precisava ser ação particular, escondida do mundo. Hoje entendo que escrever acontece na solidão mesmo que compartilhemos depois o seu produto.
Assistir seriados pode ser em dupla, em trio, em grupo grande, mas também pode ser sozinho se tu e somente tu gosta daquela história. Assistir seriados te dá uma noção de quanto tempo irá investir naquilo, de cada minuto ou segundo emprestado, mesmo que nunca devolvido, à indústria do entretenimento. O que há de errado em se entreter?
Escrever não tem hora para acabar, termina quando a história diz que sim. Escrever dá vontade de controlar tudo, de mandar no texto e fazê-lo se curvar, mas as palavras são tantas e tão mais que eu; quando tento enjaulá-las quem acaba preso sou eu. Escrever às vezes acaba antes do que o esperado, pois algumas histórias têm hora bem específica para acabar e acabam sem perdão.
Assistir seriados cansa porque não fazemos nada.
Escrever cansa porque fazemos tudo.
Assistir seriados funciona como um vício, assisto a um e quero assistir a outro logo depois.
Escrever também.
Ainda bem.
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