sexta-feira, março 28, 2008

Jornalismo

Essa é do Alberto Dines: "jornalismo não é apenas serviço – se assim fosse as listas telefônicas seriam imbatíveis".

Eu pretendia falar sobre a prática jornalística e a vida profissional e as batatinhas, mas ah, esse dia de chuva está tão melancolicamente bonito que não me prestarei a perder tempo falando sobre trabalho.
Minhas idéias estão começando a ficar maiores do que eu. Creio que é uma questão de confiança a literariedade das minhas criações. Desde 2002, mais ou menos, que eu não crio nada escrito, exceto dois trabalhos (talvez três, se eu tiver esquecido algum). Um deles certamente foi meu melhor até hoje, outro é um que prefiro deixar guardado pela eternidade. A passagem pelo colégio no segundo grau me afetou bastante, por conta da minha postura distanciada da vida. Dizer que eu fui autista durante o ensino médio é um eufemismo, quase, para o modo como deixei as coisas passarem e me afetarem.
A chegada na faculdade foi ainda mais conturbada. Eu era o paradigma da ingenuidade infantil, a representação pura de uma pessoa ainda despreparada para viver no mundo real. Sem ter efetivamente crescido, eu estava no meio de pessoas em diferentes estágios de evolução. O que no colégio eu consegui, lidar com pessoas com atributos melhores que os meus nos pontos onde antes eu era "o cara", na faculdade provou-se muito mais complicado. Por quê? Simples: não era mais questão de não me destacar no colégio como aluno, mas de confrontar pessoas que também escreviam. Para piorar: escreviam com qualidade.
A confiança é uma cigarra que só canta quando está com calor. Meu texto é mais como um urso, que hibernou durante o inverno em que minha confiança desapareceu. Por mais paradoxal que seja dizer isso agora que chegou o outono no mundo real, no meu simbolismo o inverno finalmente está dando lugar para a primavera. É tempo de voltar.

Não é a primeira vez que eu digo isso.
É, porém, a primeira vez que eu digo isso com tanta certeza e confiança.

Enquanto isso, vou tentando segurar as idéias que insistem em povoar a minha mente. Graças aos deuses que elas estão tão insistentes!

Um comentário:

Kalar disse...
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