sábado, setembro 28, 2013

Sobre ter coragem

Ontem fui jantar com uma amiga que deseja ser ilustradora de livros infantis, mas ela jamais me mostrou um desenho seu. Nós temos isso em comum, de certa forma: por muitos anos guardei apenas para mim meus escritos, com medo de que não fossem bons o bastante para agradarem a opinião alheia.


De onde vem essa coragem de enfrentar o mundo que algumas pessoas parecem manifestar tão naturalmente? Outra amiga é um verdadeiro modelo de pró-atividade, vai e faz o que quer e experimenta o que aparecer enquanto busca seus interesses. Eu tenho inveja dela. Será possível que coragem não seja uma qualidade disponível a todos nós? Ou se todo mundo pode ser corajoso, como se aprende isso? (nunca me ensinaram na escola)

Vejo pessoas tatuadas, por exemplo, e sempre fico refletindo sobre as escolhas que as motivaram a marcar a pele. Eu, todo cheio de dúvidas, não sei se algum dia estarei convicto o suficiente de algo para imprimir em minha pele tantas certezas. Tenho medo de mudar de ideia e ter que conviver com o que fiz, enquanto algumas pessoas estão certas do que querem ou de quem são desde tão cedo, desde tão pequenas. A coragem é uma disposição para agir hoje e no futuro. Hoje porque sem ação a vida não acontece, e no futuro porque tudo gera consequências de algum tipo.

Esse convite à ação eu encontro no zen-budismo, que nos sugere não pensar demais nem passado (afinal, já sei foi) nem no futuro (que vai chegar de qualquer forma), mas se concentrar em viver o presente. Ainda ontem, na janta com minha amiga, talvez tenha surgido uma pista sobre como nós podemos perceber a vida e, assim, ir juntando um pouco de coragem. Quando reclamei que nunca havia recebido um desenho seu, ela me disse "ah, mas eu não sei se tu vai gostar!". Respondi: "eu estou pedindo para ver os teus desenhos, não para gostar deles". Ao que parece, pensamento em excesso é inimigo da coragem de agir.

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