domingo, março 24, 2013

O desinteresse dos outros não é problema meu

Meu fim de semana foi zen. Ontem e hoje passei aprendendo a aplicar Shiatsu. Tenho ainda muitas aulas antes de ser certificado, mas os primeiros passos foram dados. Retomar o contato com filosofias orientais (medicina chinesa, fitoterapia, shiatsu) também está fazendo com que eu volte a olhar o mundo com lentes diferentes das tipicamente ocidentais. Daí vem esse texto: eu não sou responsável pelo (des)interesse alheio.

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É difícil aceitar isso, porém não podemos esquecer que se tudo está em relação, então não apenas os professores devem fazer um movimento em direção aos alunos, mas os estudantes também precisam fazer um movimento na direção dos professores. Se essa interação não acontece, por que o aprendizado aconteceria?

Da mesma forma, se eu percebo desinteresse por parte das outras pessoas frente a algo que estou lhes oferecendo, tenho basicamente duas opções. Tenho agido muito com base na primeira: ficar irritado, chateado, preocupado, encucado etc. Quando percebo o desinteresse alheio, me mordo e caço modos de aprender como desfazê-lo. O desinteresse dos outros me incomoda. Isso me leva à segunda opção, que envolve me perguntar: por que o desinteresse dos outros me incomoda? Ele não é meu, é dos outros, então por que me afeta tanto?

Percebam que não estou falando em não me esforçar para ser uma pessoa melhor ou para construir experiências mais edificantes para mim e para os outros (no caso, meus alunos). Trata-se, na verdade, de assumir que não tenho controle sobre o que os outros sentem ou deixam de sentir mesmo nos momentos em que estão comigo. Eu não tenho esse poder. Eu posso tentar, e tento, mas isso não significa que posso mudar algo na disposição dos outros.


O que eu posso e me prometo daqui pra frente é perceber aquilo que me afeta e tentar entender o porquê. O que de mim está investido na expectativa de que meus alunos saiam extasiados da minha sala de aula? O quanto do meu ego está projetado sobre os outros, dependendo da validação dos outros? Quão injusto é colocar a responsabilidade pela minha felicidade sobre o ombro dos outros? Como bem sabia o Buda, a origem do sofrimento é o desejo. É hora de praticar um pouco de desapego.

4 comentários:

Pattr!cia disse...

Oi Tales, vi seu comentário no Blog da Iza e vim conhecê-lo.

Aceitar que o desinteresse do outro não era problema meu foi a coisa que mais sofri para aprender e ainda não aprendi... rs
Mas hoje analiso melhor as coisas. Consegui isso depois que me iniciei no Reiki.
Essas suas perguntas no final são cruciais... eu passei a adotar a seguinte postura: Vou cuidar dos interesses meus.
Me ajudou muito mudar esse foco.

Bêjo

Tales Gubes disse...

Sabe, Patrícia, isso é muito difícil para mim porque eu comecei a dar aulas com vistas a "mudar os outros". Pretensioso, eu sei, e talvez essa pretensão seja, na verdade o fruto do meu incômodo.

Acho que no fim das contas, para alcançar meu objetivo, precisarei tirá-lo da lista de objetivos. Parece um paradoxo, não? =)

Lucas disse...

Mesmo que "para alcançar meu objetivo, precisarei tirá-lo da lista de objetivos", eu acredito que minha pessoa parte deste mesmo princípio. Ás vezes pessoas me cobram mudanças, mas não me conformo em tentar mudar sem ver que o outro também esta se movendo para isso, e pode ficar tranquilo, por que não é só você que fica "frustrado" rs.

Tales Gubes disse...

Estou cada vez mais certo de que o melhor jeito de alcançar a mudança que busco é mudando a mim mesmo. Se eu for alguém que pode, de alguma forma, inspirar outra(s) pessoa(s), meu objetivo terá sido alcançado =)

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