quinta-feira, fevereiro 07, 2013

A primeira camisinha

Dizem que o primeiro sutiã a gente nunca esquece. Eu não sei, ainda não vesti o meu primeiro, mas tenho certeza que, na sociedade em que a gente vive, vesti-lo provavelmente seria uma situação marcante e inesquecível.


Enquanto eu lia o livro Cem homens em um ano, da Nádia Lapa (sobre o qual escreverei em algum momento futuro, espero que até o fim de semana), um dos relatos que ela faz me chamou a atenção justamente por tratar de um fulano que parava na farmácia para comprar camisinhas e, cheio de pudores, sempre comprava também sabonete líquido como "desculpa" para ter ido à farmácia. Como se transar fosse algo que precisasse de permissão ou, pior, de ser desculpado pela sociedade.

Eu escrevi essa semana sobre o fato de que professores também têm vida sexual. Fiz isso não para dizer "vejam, eu transo" ou "notem, mesmo sendo um professor homem, eu posso namorar outro cara". É muito mais do que isso. Eu escrevi para mostrar, para tornar visível algo que a gente normalmente esquece. Ontem meu coordenador me chamou de vulgar, em tom de brincadeira, por falar abertamente de sexo, pau, bunda e boceta na sala de aula. Mesmo brincando, porém, ser vulgar por falar de sexo demonstra o quanto nós precisamos deixar de nos esconder e de fingir que não transamos ou que não queremos transar.

Essa minha postura é muito diferente da que eu tinha há alguns anos. Lembro-me perfeitamente não do primeiro sutiã, mas da primeira camisinha que comprei. Eu teria um encontro naquela noite (com aquele que viria a ser o meu primeiro namorado, mas não sabíamos disso ainda) e entrei na farmácia meio confiante, meio amedrontado. Fui lá, todo pimpão, crente de que minha noite terminaria em sexo (não terminou). Olhei as embalagens de camisinha, tentando entender as diferenças de cores e nomes e marcas, até que senti o olhar de uma atendente e ouvi as piores palavras que poderiam aparecer naquele momento: "posso ajudar?". Resultado? Peguei o primeiro pacote que estava ao alcance das mãos (daquelas com bolinhas pra estimular o parceiro, sabe?), agradeci e fui imediatamente ao caixa. Não comprei nenhum sabonete liquido (ainda não sabia desses truques!), mas se tivesse algo à venda que reduzisse vermelhidão de vergonha, eu teria levado na hora.

Um comentário:

Raposa na Cozinha disse...

Maninho, visualiza... um certo dia, já com 3 anos de casado, eu e o Lobo fomos com o Texuguinho no super comprar coisas pra fazer um doce e resolvemos comprar também uma garrafa de vinho, pois eu ia fazer uma macarronada especial naquela noite. Na boca do caixa, ao ver as camisinhas, lembrei o marido de que estávamos com poucas, e ele pegou um pacote. A guria do caixa olhou as camisinhas, o leite condensado, a bandeja de morangos, a garrafa de vinho... e o bebê de dois anos dentro do carrinho. A cara dela foi impagável.
Comprar camisinha é sempre uma experiência meio esquisita. Mas o melhor é pegar elas no posto de saúde. Sempre tem uma enfermeira desbocada pra te olhar e dizer "Então, hoje tem, né?", ou "Mandou as crianças pra casa da vó, né?".

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