terça-feira, fevereiro 26, 2013

É mais cômodo ser quem eu já sou

Esse texto é melhor lido acompanhado da música a seguir.


Alguns acontecimentos separados me levaram à conclusão do título e ao desejo de não me conformar. O primeiro deles foi o exame de nível para o curso de francês no Centro de Línguas da UFG. Fui lá, me inscrevi para o nível dois e passei. Aliás, "passei", já que não fui exatamente bem na prova escrita e se minha avaliadora não fosse extremamente simpática e de bem com a vida, minha prova oral teria sido zerada. Enfim, passei e logo voltarei a estudar o francês.

"Não consigo te imaginar nessa situação", disse uma amiga. Faz sentido, eu quase nunca me permito viver momentos de risco. Se há possibilidade de falhar ou ir mal, eu não faço. De alguma forma, isso se amplia com relação a aprender coisas novas. "Não sou autodidata", eu digo, acho que mais pelo medo de não chegar ao nível de excelência que espero do que pela pressa de aprender rápido ou pelo esforço de me empenhar. Eu só fui fazer a prova de francês porque na minha memória as palavras e frases fluíam mais facilmente do que a realidade demonstrou.

Essa mesma amiga esteve por um tempo ensinando-me a cozinhar. Coisas simples, ação do fogo, água borbulhando, temperos se misturando. Coisas complexas, também. Para mim, o exercício de cozinhar está fundamentalmente conectado ao fazer compras, ter ingredientes e inventar combinações. Gosto de fazer as coisas ao contrário: primeiro compro algo, depois decido o que fazer com o que comprei. Isso dá origem às minhas "semanas da batata" ou ao "mês do pimentão" (ainda bem que existem pimentões de várias cores!). Como desculpa para não cozinhar, xingo a falta de qualidade do mercado mais próximo, acordo tarde demais  para a feira no sábado e reclamo que os mercados decentes ficam longe demais. Tudo bobagens e desculpas tolas, já que a maior parte disso é mais do que trabalhável com um pouco menos de preguiça.

Para completar, namoro a possibilidade de aprender a desenhar há anos. Fiz uma especialização em Expressão Gráfica, oras! Um curso no qual resisti por um semestre inteiro a sequer tentar desenhar, sempre procurando formas de esquivar da prática com o lápis. Terminado o curso, percebo que meu traço evoluiu absurdamente. Isso faz três ou quatro anos e quase nunca pratiquei desde então.

"Não exista. Viva!" - http://www.flickr.com/photos/julyrainbow/7113473857/

Tudo isso me leva a refletir sobre quão mais fácil é existir do que viver, simplesmente estar ali e de vez em quando fazer o que se tem vontade, isso se não for muita canseira. Fico aqui esperando que outras pessoas entrem na minha vida e me coloquem em movimento, que me ensinem, que me proporcionem aprendizagens.  O que eu quero para mim vai ficando em segundo plano. Terceiro. Quarto.

Por mais que me doa reafirmar, ainda estou longe de ser a pessoa que gostaria: alguém que vive. O pior de tudo é saber que essa mudança "tão simples" que almejo para mim não depende de mais ninguém. Eu devo me tornar a pessoa que imagino, viver a vida que desejo e parar de inventar desculpas pelo caminho.

2 comentários:

Kássia Santos disse...

Só depende de cada um de nós, certo, raposa? Mas não acredito que deva subestimar a dificuldade em efetuar as mudanças que te levam a vida. Se fosse simples, bem simples, todos fariam, todos mudariam, todos acordariam e correriam atrás dos seus sonhos, das pessoas que almejam ser. Apesar de parecer (eu acho), não estou tentando justificar as desculpas que damos para não agir, mas talvez devamos começar com exercícios básicos, simples, facílimos, como simplesmente acordar mais cedo no sábado. No outro sábado, acordar e ir ao mercado. No outro, ter uma lista de compras em mãos. Entende onde quero chegar? Espero que sim. :)
P.S.: reproduzindo conselhos guardados na memória.
P.S.2: música boa.
P.S.3: a tag "mimimi" tem um nome que diz exatamente o que quer dizer. rs'

Tales Gubes disse...

Pequenas mudanças é um bom jeito de mudar. Tem um texto aqui na Raposa sobre como mudar os hábitos (pesquisa por "hábitos", vale a pena).

Não é simples, definitivamente, ainda mais considerando que passamos muito tempo simplesmente nos trancando, nos prendendo, procurando desculpas para não sermos quem queremos ser.

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