terça-feira, fevereiro 12, 2013

Eu não sou gay

Esses dias disse que eu era gay e um amigo já apontou o dedo "arrá, desistiu de te indefinir!". Não. Esses dias também falei, em outro espaço, que era bi. Debatendo com alunas, mencionei a possibilidade de, num contexto específico, haver sido heterossexual. Para todos, encerro com a mesma resposta: sou raposa.

"Eu não sou gay, hetero, bi ou lésbica. Eu amo, simplesmente".

Ser é sempre algo muito complicado. Não é tanto uma questão de não ter coragem de assumir, de não estar confortável com ser A ou B. O problema, aos meus olhos, é ser obrigado a conformar (ou mesmo lidar, já que não preciso levar em conta a opinião alheia na maior parte das questões da minha vida) com uma série de expectativas que já vêm prontas no kit "isso é ser gay", "isso é ser bi". Ontem ouvi alguém falar que ser gay tem algo a ver com ser afeminado (como se "ser feminino" ou "ser masculino" fossem definições muito claras...).

O que eu defendo é a possibilidade de sermos sem caixinhas, sem o imediato entendimento e julgamento daquilo que estamos vivendo. Eu repudio o famoso "nossa, tu é isso, então como tu não gosta de tal coisa"? Gostaria muito de não me importar com o olhar e o dedo alheios, mas isso infelizmente ainda não é uma realidade, tampouco acredito que virá a ser tão cedo para mim ou para o resto do mundo. O jeito, ainda me parece, é educar.

2 comentários:

Mente Hiperativa disse...

Sem querer me deter na questão sexual, mas de uma forma geral as classificações nunca são plenas e nunca poderão definir uma pessoa. Há muito entre o 8 e o 80; entre o preto e o branco existem diversos tons cinzentos que compõem um degradê fantástico. E no meio disso tudo estamos eu e você, e aquele que nos julga, e o papa que renunciou, e a Ivete Sangalo, o Arnold Schwarzenegger, a Xuxa e o boitatá.

Apenas pessoas desocupadas ficam classificando os outros, separando-os por categorias aleatórias e descabidas. Pessoas inteligentes se deliciam em conhecer a individualidade do outro, reconhecendo que ele é único e inclassificável.

Abraço

Tales Gubes disse...

Parece-me, então, para infelicidade geral da nação, que o mundo anda bastante desocupado. Penso que conhecer a individualidade alheia e, principalmente, se deliciar com isso são coisas formidáveis a se fazer.

=)

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