sábado, fevereiro 09, 2013

O que eu queria ter aprendido na escola

Antes de entrar na faculdade e "virar adulto" (seja lá o que isso significa), eu passei onze anos na escola. Hoje as criaturas ficam doze. Treze, se contar pré-escola. Fiquei esse tempo inteiro estudando uma série de coisas, algumas das quais eu lembro, outras que eu sei, mas estão esquecidas, e mais algumas que eu provavelmente não conseguiria desencavar da memória nem que minha vida dependesse disso. Daí esses dias me peguei pensando que a escola não nos ensina a viver...

As regras pra brincar de sociedade são emuladas na escola, é verdade (uns são fortes e te batem, outros não são tanto e apanham ou convencem outros fortes a lhes protegerem e assim por diante). Ainda assim, Química, Física, Biologia, Matemática com equações de segundo grau, nada disso nos informa como sobreviver no mundinho que, me parece, é bem mais complexo do que é pintado no colégio. Por causa disso tudo, comecei a pensar nas coisas que eu gostaria de ter aprendido na escola e cheguei a algumas conclusões.

Direito
Só eu acho um absurdo que a gente não saiba nem o básico sobre os nossos direitos e deveres enquanto cidadãos? Que a gente precise de advogados para entender as coisas? Se a legislação é um negócio que regula a nossa existência basicamente o tempo todo, por que diabos a gente não aprende isso na escola bem detalhadinho? Código de defesa do consumidor, leis sobre a educação, a constituição, os termos básicos do Direito e seus significados...

Economia
Cartão de crédito tem juros. Bancos lucram com o dinheiro que eles guardam. Juros compostos (ah, aqui a Matemática seria bem útil). Financiamentos, investimentos, taxas, impostos. Imposto de renda! Empreendedorismo! Nós somos largados no mundo sem nenhuma noção de como o dinheiro funciona (e pode crescer ou diminuir num piscar de olhos), exceto aquela dada pela família.

Alfabetização midiática
Cinema, publicidade, literatura, museus, teatros, jornalismo... Tudo isso tem regras, ou teve um dia. Essas regras e linguagens nos ajudam a compreender e a analisar o papel de cada coisa em nossas vidas. Se eu sei como a publicidade funciona, talvez eu pare para pensar mais antes de agir, antes de comprar, antes de me explodir em dívidas.

Causas sociais (ou ética, ou alguma palavra pomposa tipo "Humanidade")
A gente vive num mundo coletivo. Compartilhado. A diferença e a diversidade são as bases dessa existência plural na qual estamos inseridos. Não custa nada ensinar a entender isso, a decifrar os comportamentos e os pensamentos que nos levam a preconceitos e a visões de mundo limitadas e cruéis.

Afetividade e sexualidade
Relacionamentos, amizades, desejos, pau duro, boceta molhada, camisinha, orgasmo, toque, estesia... São tantas as coisas que poderiam servir para melhorar a vida sexual e afetiva dos sujeitos.

Tudo isso, evidentemente, deveria ser pensado em conjunto, não apenas de forma isolada. Não consigo mais imaginar um currículo que faça sentido sendo trabalhado em caixinhas separadas e sem contato. Se tudo que a gente vive vem junto e ao mesmo tempo, por que não conseguimos pensar num modelo de educação que também seja assim?

4 comentários:

Lorena disse...

Sabe que desde que eu fiz uma matéria, na Licenciatura, em que aprendíamos as leis da educação brasileira (Lei de Diretrizes e Bases e tb tudo que está na Constituição e no ECA sobre educação) é que eu penso que deveríamos aprender direito na escola! Não só eu, como meus colegas também comentávamos a mesma coisa: se eu soubesse muitas dessas leias e regras, direitos e deveres, naquela época, minha fase de estudante primário e secundário poderia ser diferente. Depois, fiz uma matéria de introdução ao Direito e, nossa, nessa então confirmei o que já havia pensado com a outra. Faz falta, faz muuuita falta ter noções de direito no nosso dia a dia!

No caso das outras disciplinas, são temas que, teoricamente, deveriam ser tratados como temas transversais, a serem abordados conjuntamente com as disciplinas do currículo básico. Está no Plano nacional de Educação e está nos Currículos Nacionais de Ensino, mas quase nunca esses temas são trabalhados. A educação, na teoria, no papel, é linda... Na prática, infelizmente (e falo isso com mto pesar, de alguém que gostaria que as coisas fossem bem diferentes) ainda não é.

Obrigada pelo comentário lá no meu blog. Eu quase não o uso, sabe... Eu já tive blog em que escrevia sempre, onde realmente derramava meus pensamentos. Mas parei com ele, numa época em que eu realmente precisei dar um tempo. Depois criei esse novo, mas quase não o atualizo. Se vc quiser dar uma olhada no blog antigo que eu, particularmente e sem falsa modéstia, acho mais interessante, o endereço é: http://stlittlegirl.blogspot.com.br/
:)

Beijo!

Tales Gubes disse...

Pois é, eu acho a proposta dos Temas Tranversais bem bacana, meio que uma tentativa de corrigir ou, no mínimo, direcionar a forma de tratar as coisas. Só que, como tu disse, a educação é muito mais linda na teoria, sempre =(

Káhh Santos disse...

De acordo com alguns textos que li por aí, o governo e/ou a máquina de bem nascidos que coordena o país não quer brasileiros inteligentes, capazes de raciocinarem por si próprios. E por que ia querer? Seria impossível controlar um touro se ele soubesse a força que tem, num exemplo tosco.

Tales Gubes disse...

Sabe, Káhh, acho que faz sentido. Não penso que seja apenas uma questão de governo, mas de manutenção de poder de seja lá quem for que tem poder. É muito mais confortável ser pastor de ovelhas do que de humanos críticos...

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