segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Professor também namora

Quando numa autoestrada, se um veado enxerga uma luz forte vindo na sua direção, o que ele faz? Ele paralisa. Foi o que aconteceu comigo no sábado: fiquei completamente sem saber o que fazer quando duas partes até então completamente separadas da minha vida se misturaram.


Eu sou professor universitário em um curso de Publicidade e Propaganda. Por alguma obra (feliz) do acaso, eu tenho um namorado.Tipicamente, essas são duas parcelas da minha identidade mantidas em separado. Então alguém sabe me explicar por que eu fiquei feito um veado (sem piadinhas, OK?) na autoestrada quando estava com meu namorado e encontrei duas alunas num shopping?

Eu sei exatamente o que aconteceu, mas não gosto de admitir.
De algum lugar do meu passado, as instruções "professor não tem vida sexual" e "professor bom é professor hétero" vieram com força naquele momento. Que fique claro: eu defenderei até o fim dos tempos o direito de qualquer um ter a vida afetiva que lhe convier e estou muito longe de achar que professor é aquele sujeito que não tem vida própria. Acho que educação se faz entre pessoas e pessoas têm vida, pessoas fazem sexo, pessoas se sujam, pessoas se apaixonam.

Ainda assim, todo dia na escola eu ouvia alguém me xingar por eu não ser machinho.
Ainda assim, nenhum dia na escola ou na faculdade eu soube dos meus professores mais do que "eu sou casada".

Por mais que eu odeie isso, preciso diariamente lutar contra todos os preconceitos e estereótipos que me foram ensinados por anos e anos. Um deles, que me afeta profundamente, é que professor homem não transa com homens, professor não vai à boate, professor se dá ao respeito. Esse texto é um lembrete para mim mesmo: Tales, para de te agarrar ao que o resto do mundo tentou te ensinar até hoje e te volta para o que tu quer que o mundo aprenda.

6 comentários:

Vinícius disse...

Adoro ler esse blog e, apesar de me sentir um pouco como um intruso as vezes, me sinto "bem" lendo seus textos. Acho que tem algo a ver com me identificar (mesmo sabendo que mais da metade das coisas que conta nunca aconteceram ou poderiam acontecer comigo). É isso, continue! Abs

Isis Moreno disse...

A cada dia me encanto mais com sua essência.
É um prazer conviver com você.
Abraços. Isis

Christian Barreto disse...

Essa frase que fecha o texto é sensacional.

Mal imagino o quanto possa ser complicado para você, e só posso te desejar força.

Gostei desse texto, é a primeira vez que visito seu blog, com certeza lerei mais. Abraços.

Rezende Bruno disse...

Gosto de ler o que escreves. Sua forma de narrativa me encanta e mais ainda as verdades nela contidas.

Tales Gubes disse...

Obrigadíssimo, gente! ^_^

Unknown disse...

Adorei seu texto, me lembrou a bell hooks (http://antropologias.descentro.org/files/downloads/2010/08/LOUROGuacira-L._O-corpo-educado-pedagogias-da-sexualidade.pdf). Te desejo sorte e força. Já me imaginei meio assim, esbarrando no pagode com os alunos, por exemplo. Rsrs. Beijos.

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