sexta-feira, outubro 11, 2013

O reino do dragão de ouro

Quando vou à biblioteca estadual, procuro livros baseado em nomes conhecidos, títulos chamativos ou capas lindas. De cara isso já me sussurra algo para meu futuro como escritor: enquanto eu não for mundialmente famoso, seria inteligente pensar melhor meus títulos e em quem se responsabilizará pelas capas dos meus livros.


Não sei quando nem onde ouvi falar em Isabel Allende, mas passei meses namorando seus livros em nossos breves encontros entre prateleiras. Sempre que ia à biblioteca, lembrava dela, mas acabava não cruzando com nenhum livro seu e deixava para depois. Meu método de seleção é pouco lógico, simplesmente vou caminhando pelos corredores e deixando que eles me mostrem o que quiserem. É uma disputa injusta para com os livros mal diagramados, verdade.

A aventura de O reino do dragão de ouro é a segunda parte de uma trilogia, mas a história foi bem amarrada e não senti falta da primeira. Lendo este livro, fiquei por dentro dos principais acontecimentos do anterior, mas não necessariamente sem as possíveis surpresas que encontraria lendo-o. Por falar em surpresas, o estilo da Isabel Allende é um convite à aventura. Não se trata de um texto poético ou reflexivo, mas sim de uma história gostosa de imaginar. Os personagens não são particularmente profundos, o que oferece certa consistência do início ao fim, especialmente depois que reconhecemos os padrões. Todos os desafios enfrentados são externos, ou seja, os conflitos não precisam ser resolvidos em termos de motivações e moral, mas sim de astúcia, magia e habilidade.

Mesmo sem haver terminado a leitura de Para ler como um escritor (ainda lerei, prometo), venho lendo meus livros com esse olhar. Procuro formas de descrever personagens, cenários, ações etc. Metáforas. Ideias para personagens. Com a Isabel Allende pude perceber exemplo de algo que já havia lido a respeito: em alguns diálogos há personagens que simplesmente não falariam certas coisas. Uma das protagonistas é brasileira e tem quase treze anos, mas discursa lindamente em inglês. Outro protagonista, com uns quinze ou dezesseis, é quase um doutor no jeito com que expõe suas ideias. Isso me incomodou. Não o bastante para que eu largasse o livro, mas o suficiente para fazer um rasgo no universo fantástico tecido pela autora.

Também observei, além dos diálogos, o modo como a autora prende nossa atenção enquanto descreve acontecimentos. É tudo ação. Mesmo quando as descrições estão sendo feitas, elas surgem em meio a movimento e mudança. Isso confere ritmo à narrativa. Ao final das 305 páginas do livro, senti como se não tivesse lido mais do que 120. A história fluiu e não mais do que duas ou três vezes eu considerei pular parágrafos. Excelente!

2 comentários:

Ben Oliveira disse...

Adorei a recomendação de leitura. Fiquei com vontade de ler. Aliás, sou suspeito, porque se deixar leio até a bula do remédio kkkkk
Abraço e bom fim de semana!

Tales Gubes disse...

Procure primeiro A Cidade das Feras, que é a primeira parte da trilogia. Eu não faço questão de seguir a ordem das leituras, mas talvez tu prefira desta forma. :p

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