sexta-feira, novembro 18, 2011

Presidenta

Hoje caiu nas minhas mãos o link para uma postagem relativamente antiga (do início do ano) sobre o nome presidenta, utilizado pela presidenta Dilma. Cá está ele, na Síndrome de Estocolmo. Muito bacana a reivindicação da autora, discutindo se é ou não apropriado que haja uma palavra específica para o gênero feminino no cargo de maior poder do País. Ora, os argumentos são perfeitos: não há razão para tentar preservar um uso machista da língua. Se até então não havia mulheres no cargo, é até certo ponto aceitável que a palavra também não existisse, porém não devemos esquecer que a linguagem, enquanto construção social, não serve apenas para indicar ou fazer referência ao que já existe: ela também cria realidades. Já que nosso idioma insiste em separar os gêneros, que pelo menos faça isso sem a presunção de que o masculino é o correto, não acham?

Isso me lembra meu primeiro momento de "intervenção proposital" na linguagem, quando ao ministrar um curso para 24 mulheres e 1 homem, usei o plural no feminino. Eu esperava alguma resistência, talvez ingenuamente. Talvez por ser um curso de gênero e sexualidade, a questão foi solenemente ignorada. Ah, bem, haverão outras oportunidades haha!



OK, now let's try it in English. Portuguese is a much more gendered language than English. We have very few, at least in comparison with English, words that are ungendered. And as it seems to happen all over the world, the masculine always comes first and is the supposed gender of any undefined word or sentence. And plural. If you have, in a group, at least one male, the whole group is called masculine. That's a complete absurd.


The blog I linked in this post brings up a discussion that is quite interesting. Our president, Dilma Rousseff, stands for the feminine version of the word president, presidenta. That word didn't exist so far in Portuguese, but she insists in its usage, despite the complains of linguistics and academics. I couldn't agree more with her, since language is one of the sites of exclusion. If you don't have a name to say something, it is basically non-existent. And how (or why) can I think of something that doesn't exist?

Um comentário:

vivian dallalba disse...

Certamente por que era um curso sobre gênero. Vá fazer isso numa aula para ensino fundamental, e corre o risco dos aluno(OS) saírem com suas masculinidades ofendidas. Aliás, creio que adultos também não entenderiam =)

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